Cada colégio possui uma sala de atendimento especializado, mas o auxílio ainda não agrada a população

A Secretaria Municipal de Educação (Smed) de Novo Hamburgo busca incluir as crianças e adolescentes das 91 escolas de educação básica, visto que todas as escolas possuem uma sala de recursos com um professor formado em Atendimento Educacional Especializado (AEE). Porém, dentro das salas de aula comuns, o professor apoiador ou auxiliar não precisa ter formação na área de inclusão.

De acordo com os dados do Censo Escolar do Inep, de 2023, aproximadamente 636 mil alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), estão matriculados nos ensinos Infantil, Fundamental ou Médio, nas escolas de redes públicas e privadas do Brasil. Entretanto, problemas como falta de capacitação dos professores, recursos materiais e dificuldades com matrículas, ainda estão presentes na educação escolar.

Em Novo Hamburgo há um espaço pedagógico que visa trabalhar com as questões da educação inclusiva de crianças e adolescentes. O Núcleo de Apoio Pedagógico (NAP) foi criado pela Smed, em 2006, com intuito de apoiar as escolas, principalmente para quando estas não conseguirem mais encontrar estratégias para atender adequadamente ao aluno que possua quaisquer dificuldades. Atualmente, cerca de 200 alunos são atendidos, dos quais 47 são portadores do TEA. O restante engloba surdos e pessoas com deficiências intelectuais e/ou físicas.

O NAP possui uma equipe multidisciplinar, com atendimento especializado direcionado à Arteterapia, Psicologia, Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia, Vivências Psicomotoras e à Língua Brasileira de Sinais (Libras). A coordenadora do órgão, Flaviane Schefell, de 48 anos, estuda educação inclusiva desde 2010 e é mestranda em Diversidade Cultural e Inclusão Social. Ela conta que o espaço colabora bastante com a formação das escolas e ajuda a pensar muito com o apoio pedagógico.

“A nossa rede municipal tem um trabalho bem consistente na área da inclusão e isso vem de muitos anos. Porém, acredito que nunca estamos totalmente preparados, já que todos os dias aparecem situações diferentes para trabalharmos”, afirma Flaviane.

Para a coordenadora, a maior dificuldade na área é a prática pedagógica. “As pessoas precisam se abrir mais e aceitar que todo mundo é diferente. Há uma necessidade de classificar cada um de acordo com o que faz, mas cada um tem seu jeito de aprender”, diz.

Flaviane ressalta, ainda, que o professor precisa ensinar de formas diversificadas, já que nem todos vão entender da maneira tradicional. Por fim, ela reitera que a escola é um lugar pedagógico, e que o ambiente não deve ser utilizado para realizar terapias ocupacionais.

Tolerância ao autista ao invés de inclusão

Já a presidente da Associação de Pais e Amigos dos Autistas (AMA) de Novo Hamburgo, e professora aposentada, Vivian Machado, de 56 anos, discorda sobre a maneira como as escolas lidam com a inclusão dos alunos com autismo. Segundo ela, é um retrocesso às instituições de ensino rejeitarem a entrada de acompanhantes terapêuticos das famílias e negarem o que a ciência aponta como o mais eficaz no tratamento do autismo.

Vivian também está terminando o mestrado em Atenção Precoce. A presidente informa que a AMA atende 15 crianças e adolescentes com o intuito de disseminar conhecimento sobre o autismo, desfazer estereótipos, unir as famílias e lutar por direitos e políticas públicas.

“O que há dentro das escolas é uma tolerância ao autista, e não uma inclusão. O que só deve mudar quando os estudantes com autismo começarem a aprender também, com base em um Plano de Ensino Individualizado (PEI)”, reforça Vivian. Ela destaca, ainda, que são necessárias pessoas aptas a aplicar programas de ensino que façam a criança ou adolescente realmente evoluir.

A professora também lamenta a falta de pessoas para servirem na posição de apoiadores ou monitores, além do fato de aqueles que atuam não possuírem capacitação específica. “Depender apenas de uma pessoa especializada na área dentro do colégio para lidar com diversos alunos com dificuldades, é realmente muito complicado”, desabafa. Vivian afirma, também, que as mães de alunos com autismo estão muito insatisfeitas com a tentativa falha de inclusão, ainda mais à medida que a criança cresce e aumentam as exigências acadêmicas.

Vivian Machado em discurso sobre o autismo no ano passado. Foto: Câmara Municipal de NH/Divulgação

Jesabel Laurindo, de 45 anos, tem um filho com TEA, Guilherme da Cunha, de 9 anos, e comenta sobre as dificuldades que ele encontra na Escola Municipal de Ensino Básico (EMEB) Presidente Affonso Penna, localizada no bairro Vila Nova. “Os profissionais estão completamente despreparados e sobrecarregados. Nem a escola e nem a gestão municipal buscam uma solução, apenas delegam funções aos profissionais que já têm”, desabafa.

Jesabel é formada em Investigação Forense e Perícia Criminal, mas desde o momento em que Guilherme foi diagnosticado, ela passou a estudar Psicopedagogia e Educação Especial, para compreender melhor o filho. “Se depender das escolas, ele vai ficar para trás. O ideal seria uma participação maior dos pais sobre o processo de aprendizagem dos filhos”, pontua. Para ela, as escolas não dão abertura e, por isso, acabam segregando e evitando com que as famílias questionem e opinem.

Jesabel e seu filho Guilherme. Foto: Jesabel Laurindo/Arquivo Pessoal

Conheça o NAP

Endereço: Rua David Canabarro, nº 20 – 8º andar. Centro, Novo Hamburgo – RS

Horário de atendimento: De segunda a sexta-feira. Manhã: 08h às 11h30. Tarde: 13h às 17h

Contatos: Telefone: (51) 3593-8561 e (51) 3097-9478. Email: smednap@novohamburgo.rs.gov.br

Conheça a AMA

Endereço: R. David Canabarro, nº 112 – sala 26. Centro, Novo Hamburgo – RS

Contato: (51) 99359-4411