Após a descontinuação da geradora de vídeos da OpenAI, Sora, questionei-me sobre a recepção da inteligência artificial na sociedade. Questões como direitos autorais, dilemas éticos e a gradual confusão entre o real e o artificial fizeram com que grande parte do público, não só artistas, ficasse feliz com o fim do Sora.
Soma-se a isso o alto custo energético: modelos desse tipo demandam grande capacidade computacional e consumo de recursos, o que levanta debates sobre sustentabilidade.
Afinal, os vídeos gerados ali eram, em grande parte, voltados ao entretenimento, e muitos usuários tinham como objetivo viralizar nas redes, seja pelo ultrarrealismo das cenas ou pelas bizarrices. No TikTok, era comum ver situações inusitadas, como o jogador de futebol Lionel Messi zombando de Cristiano Ronaldo por não ter uma Copa do Mundo. O que começou com o “Will Smith comendo macarrão” evoluiu rapidamente e também trouxe questões éticas, já que alguns modelos de IA — não apenas o Sora — passaram a gerar conteúdos envolvendo figuras problemáticas, como o predador sexual Jeffrey Epstein.
Ao mesmo tempo, também noto que muitas pessoas tratam toda inteligência artificial como ChatGPT, Sora, Gemini, entre outros. Isso simplifica demais o problema. A chamada IA generativa, que cria textos, imagens e vídeos, é apenas uma parte — problemática e que precisa de certa regulamentação — do que essa tecnologia pode fazer. Na medicina, por exemplo, já existem sistemas capazes de auxiliar diagnósticos e identificar doenças com mais rapidez. Ou seja, se bem empregada, ela pode salvar vidas (e não apenas desperdiçar milhões de litros de água com futilidades).
Uso de IA no meio militar
Por outro lado, quando se olha para o campo militar, o cenário fica um pouco diferente. O uso de inteligência artificial em estratégias de guerra levanta dúvidas sobre o uso ético da ferramenta. Sistemas autônomos e ferramentas de reconhecimento podem tornar operações mais eficientes, mas também abrem espaço para decisões cada vez mais distantes do controle humano. E, quando se trata de vida ou morte, essa distância não é um detalhe.
No fim, gostemos ou não, a inteligência artificial dificilmente deixará de fazer parte da nossa realidade. O debate, creio, não deveria girar apenas em torno de rejeitá-la ou aceitá-la, mas de entender seus limites e possibilidades. Talvez o maior desafio não seja a tecnologia em si, mas a forma como escolhemos usá-la.
