
Hoje em dia não precisamos mais buscar as notícias. Na maioria das vezes, elas chegam pelo telefone celular, desdobrando-se nas redes sociais — Instagram, Facebook, TikTok e WhatsApp —, pelo rádio do carro ou pela televisão ligada em consultórios. São inúmeras possibilidades de acesso à informação.
Nesse cenário, é comum “influenciadores” — termo bastante usado e que muitos fazem questão de adotar — falando sobre os mais diversos assuntos. Frequentemente, apresentam-se como especialistas e assumem lugar de fala em temas variados, inclusive em áreas sensíveis, como saúde, e em alguns casos, contribuem para a disseminação de notícias falsas, e até mesmo para receitas caseiras sem validação científica, como se viu durante a pandemia de Covid-19, em 2020, com chás e misturas que prometiam acabar com o vírus.
Nessa linha, é importante separar bem o joio do trigo. As redes sociais estão repletas de pessoas sem formação nenhuma na área da comunicação que se colocam como jornalistas, repórteres ou especialistas, o que contribui para a confusão entre informação qualificada e mera opinião.
O que se observa, com a facilidade de ligar a câmera do celular e o livre acesso às redes, muitas vezes sem critérios, é uma corrida por cliques, seguidores e engajamento. Manchetes chamativas e, por vezes, pretensiosas, tornam-se estratégia recorrente, além do apelo para frases “bombásticas” e o uso de emojis. O fácil acesso às notícias, ao mesmo tempo em que representa um avanço, também se revela perigoso.
De acordo com o Digital News Report 2025, produzido pelo Reuters Institute for the Study of Journalism, apenas 4 a cada 10 brasileiros confiam em notícias. O dado reforça o cenário de desconfiança atual e evidencia os impactos da circulação massiva de informações sem verificação e enviesadas.
Alguns tópicos precisam ser colocados no centro das atenções para tentar frear esse movimento acelerado. Entre eles, destacam-se a educação midiática – processo de filtrar as informações e analisá-las de forma crítica e responsável – não sendo apenas um receptor passivo – e a valorização de jornalistas — profissionais formados e habilitados para exercer a função com responsabilidade, tendo como princípio a verdade dos fatos.
