A prova de vida é a comprovação de que a pessoa está viva e apta a receber seu benefício de pagamento continuado, seja ele aposentadoria, pensão e o Benefício de Prestação Continuada – BPC/Loas, pago pelo INSS ou por órgãos públicos. Desde janeiro de 2023, a prova de vida passou a ser responsabilidade do INSS, feita principalmente pelo cruzamento de dados de bases governamentais e de entidades parceiras. Isso inclui, por exemplo, declaração de Imposto de Renda, contratação de consignado, atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo a vacinação, e o comprovante de votação.
De acordo com o GOV.BR, em abril de 2026, haviam 41,8 milhões de beneficiários ativos. Deste número, cerca de 20 mil beneficiários têm 100 anos ou mais. A maior parte, aproximadamente 17 mil aposentados, recebem do INSS R$ 1.621, valor equivalente a um salário mínimo. O maior valor pago é de R$ 33.763, a três aposentados. No total, são pagos cerca de R$ 40 milhões mensais para aposentados centenários, em torno de R$ 500 milhões anuais.

Mas, como nem tudo são flores, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), em julho de 2025, identificou R$ 4,4 bilhões pagos a pessoas com indícios de falecimento entre 2016 e 2025, e cerca de R$ 28,5 milhões ainda eram pagos todo mês. O INSS determinou a votação como prova de vida a partir de 2022, e a partir de 2023, começou a realizar a verificação através do cruzamento de dados em bases do governo, como TSE, CNH (Carteira Nacional de Habilitação) digital, e atendimento no SUS. Quem não realiza a prova de vida corre o risco de ter seu benefício bloqueado, suspenso e até mesmo cortado.
A portaria 1.408, de fevereiro de 2022, estabeleceu a votação como ação válida para a prova de vida. Em 2024, eleitores já puderam fazer a comprovação através das urnas. Antes de 2022, os aposentados e pensionistas do INSS tinham que fazer a prova de vida nos bancos responsáveis pelo pagamento do benefício. Após a portaria, o governo passou a cruzar bancos de dados públicos e privados para confirmar os dados cadastrais.
Quem precisa fazer a prova de vida, recebe uma mensagem quando vai realizar o saque do dinheiro, ou é notificado por meio de WhatsApp. Para confirmar a veracidade da medida, pode ligar para a Central 135 e confirmar a necessidade. Também é possível fazer essa checagem por meio do aplicativo ou site Meu INSS, em “Prova de Vida”. Os beneficiários que recebem o aviso têm 30 dias a partir da data da notificação para realizar a validação e evitar o bloqueio do pagamento da aposentadoria ou pensão.
Entrevista com Rodrigo Veiga Lima, advogado previdenciário
Rodrigo Veiga Lima é advogado previdenciário há 20 anos, com formação em Administração de Empresas pela Unisinos. O profissional possui um escritório familiar de médio porte localizado em Gravataí, composto por cinco sócios e cerca de 94 colaboradores distribuídos entre advogados, equipe administrativa, recepção e financeiro.

Como funciona a comprovação da prova de vida do INSS?
O INSS faz um cruzamento automático das bases de dados oficiais, como vacinação, votação nas eleições e emissão de novos documentos, além de atendimentos pelo SUS. Normalmente, esse procedimento é realizado de forma automática. O segurado só recebe uma mensagem quando esse cruzamento não dá certo. Nesse caso, ele é notificado para regularizar a situação em até 60 dias, normalmente. A notificação pode ser recebida pelo aplicativo do INSS, pelo extrato bancário ou pela Central 135.
Para regularizar a prova de vida, o segurado pode acessar o Meu INSS e realizar a validação por biometria facial. Também pode procurar o banco pagador, apresentando um documento oficial com foto, inclusive no momento do saque. Essa é uma alternativa para pessoas mais idosas ou que não conseguem acessar o aplicativo. Também é possível buscar atendimento pela Central 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h.
Quais cuidados as pessoas devem ter para evitar golpes relacionados à prova de vida?
É importante orientar, principalmente, as pessoas idosas, porque há muitos golpes. O INSS não liga, não vai à casa da pessoa e não envia links. Um dos golpes comuns é o do falso advogado. Quando o segurado tem um processo judicial, os criminosos podem conseguir a foto e o telefone do advogado, se passar por ele e dizer que a pessoa precisa pagar um DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) ou alguma outra coisa para liberar um valor do processo. Alguns clientes acabam caindo nesse golpe. Na prova de vida, não há envio de solicitações desse tipo ao segurado. Ele deve procurar o banco ou acessar o aplicativo com a própria senha, sem fornecer informações pessoais a terceiros.
O escritório recebe muitas dúvidas ou problemas relacionados à prova de vida e aos benefícios do INSS?
Como também encaminhamos benefícios pela via administrativa, e não apenas pela via judicial, quando o benefício é concedido, já orientamos nossos clientes sobre como proceder para fazer essa validação. Normalmente, quando eles chegam com algum problema, pode ser por causa de algum outro documento incorreto, e não necessariamente por uma dificuldade com a prova de vida. Mesmo assim, acabamos orientando. Os clientes também trazem essas dúvidas, e nós sempre fornecemos as orientações no momento da concessão do benefício.
A necessidade de comprovar a prova de vida varia conforme o tipo de benefício ou o tempo de recebimento?
A prova de vida é mais utilizada nos benefícios de maior duração, como aposentadorias e pensões por morte. Existem benefícios de curta duração, como o auxílio-doença, em que a pessoa recebe por um período pequeno, de três ou quatro meses, por exemplo, devido a um afastamento temporário da atividade. Nesses casos, normalmente, a prova de vida não acaba acontecendo porque o tempo de pagamento do benefício é curto. Ela também é utilizada nos auxílios-acidente, que são benefícios recebidos até a aposentadoria.
A idade não é necessariamente o fator determinante. Uma pessoa pode ter algum problema de saúde e estar na faixa dos 30 anos, por exemplo. Também pode se aposentar mais cedo por meio de uma aposentadoria especial ou de uma aposentadoria da pessoa com deficiência (PCD). Por isso, a necessidade de validação não está necessariamente relacionada à idade, mas também ao tipo e à duração do benefício.
Do ponto de vista econômico, quais são as vantagens de automatizar a prova de vida e adotar medidas para reduzir gastos?
Atualmente, o INSS já migrou para um modelo mais digital. Antes, os serviços eram mais centralizados nas agências, o que gerava gargalos: algumas agências eram mais eficientes, enquanto outras tinham um volume maior de atendimentos. Hoje, o INSS digitalizou boa parte dos procedimentos. Uma pessoa pode encaminhar um benefício morando em Gravataí ou São Leopoldo, por exemplo, e ter a solicitação analisada em outro estado. Isso ajuda a evitar gargalos e demora. A digitalização também reduz custos. Com o cruzamento de dados, como os relacionados à votação e à vacinação, o INSS consegue realizar muitas verificações sem precisar da atuação direta de uma pessoa.
Há algum outro aspecto importante sobre a prova de vida que merece destaque?
O mais importante é o cuidado com os golpes. É necessário orientar as pessoas idosas a não fornecerem dados por telefone. Elas devem procurar o banco, a Central 135 ou uma agência para receber atendimento presencial. Informações fornecidas virtualmente ou por telefone podem acabar nas mãos de golpistas.
Como a prova de vida normalmente é feita de forma automática, o segurado só costuma ser notificado quando o INSS não consegue realizar o cruzamento de dados, por exemplo, quando a pessoa não votou, não tomou uma vacina ou não emitiu nenhum documento. A regularização exige cuidado para evitar que alguém que tenha conseguido acesso a informações pessoais entre em contato com o segurado e provoque prejuízos.
A votação nas eleições pode contribuir para a comprovação da prova de vida?
Sim, é uma informação importante. Além de incentivar a participação na votação, é interessante saber que muitas pessoas foram votar por esse motivo.
