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O Peso de um Segundo

Nesta última semana pude vivenciar o aniversário de um ano da minha prima Lavínia e, enquanto um daqueles vídeos clichês com “Photograph” do Ed Sheeran passava no telão do aniversário, um sentimento estranho tomou conta de mim. A cada foto que passava e a cada reação das pessoas, o sentimento aumentava. Aquele breve momento era um daqueles segundos que eu ia lembrar pra sempre.

É incrível o que poucos segundos podem fazer com a nossa memória. Parando pra analisar, quase nada do que lembramos passa disso. Segundos de uma viagem, uma risada em um bar, um gol do seu time no último minuto. Essas coisas tão simples e finitas mas que se tornam algo muito mais significativo: uma viagem a quem nós somos. Esses segundos revelam as coisas que damos extrema importância, até mesmo traumas.

Todo mundo já teve aquele instante que torceu para que acabasse logo. Aquele momento tenso, em que cada segundo pesava uma tonelada. O meu foi quando minha avó faleceu. Eu ainda era muito pequeno, não tinha noção exatamente de tudo aquilo, mas a viagem de uma hora entre a cidade que moro até onde ela morava pareceu, no mínimo, durar o triplo do tempo. Apesar disso ser extremamente ruim, acredito que as reflexões daquele momento mostraram exatamente do que eu ia sentir saudade.

Como Mário Quintana uma vez escreveu “A saudade é o que faz as coisas pararem no tempo”. Talvez seja saudade de quem já fomos, de alguém, de um momento da nossa vida. O que eu sei é que esse sentimento, apesar de bonito, pode ser perigoso. É importante e até mesmo uma dádiva lembrar das coisas, mas uma vida baseada apenas no que já foi nos torna passado. Nos torna obsoletos.

Sempre fui uma pessoa que viajava dentro dos próprios pensamentos. O tempo passa diferente pra quem é assim. Cada segundo dentro da cabeça de um hiperpensador vale por cinco. O peso dado a cada momento também. Não sei se a culpa é das redes sociais, da comparação, mas afirmo que é necessário botar na balança esses recortes da vida que lembramos.

O peso que damos a cada segundo é o que determina a nossa vida daqui pra frente. Podemos ficar felizes ao lembrar dos segundos falando bobagens com nossos amigos ou podemos nos martirizar por não termos mais eles. Sou do time que prefere a primeira opção. Dizem que somos o que pensamos, mas eu levo mais longe. Nós somos o que lembramos, na verdade somos o que decidimos lembrar. 

A bagagem de segundos que levamos em nossa vida é gigante. Eu, com 20 anos, já coleciono mais de 600 milhões deles, e sempre que os olho, decido lembrar do que vale a pena ser lembrado. Daqui pra frente, quero criar trilhões de segundos e estar orgulhoso dos poucos que me lembrar.

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