Usamos cookies para melhorar sua experiência, personalizar conteúdo e exibir anúncios. Também utilizamos cookies de terceiros, como Google Adsense, Google Analytics e YouTube. Ao continuar navegando, você concorda com o uso de cookies. Veja nossa Política de Privacidade.

Festival do Grostoli transforma Garibaldi em palco de memórias e tradição italiana

Com forte apelo cultural, evento reúne milhares de visitantes e celebra heranças afetivas e gastronômicas da imigração na Serra Gaúcha

A cidade de Garibaldi (RS) viveu um final de semana movimentado com a realização da quinta edição do Festival do Grostoli, que aconteceu no largo da Igreja Matriz São Pedro. De acordo com dados divulgados pela prefeitura local, estima-se que cerca de 80 mil pessoas tenham visitado a festa, distribuída ao longo de três dias (10, 11 e 12 de abril). Para se ter uma ideia, esse número representa mais do que o dobro da população total do município, que de acordo com o censo demográfico de 2022 correspondia a pouco mais de 34 mil habitantes.

Mais do que um movimento para atrair turistas, entretanto, a secretária municipal de turismo e cultura Lina Berto Furlanetto também classificou o evento como uma preservação da história e das tradições dos antepassados da região. “É um resgate de memórias. E como nós somos muito ligados à cultura da Itália, temos que cultivá-la e mostrá-la, pois ela não pode se perder”, destacou.

Geralmente realizado no primeiro semestre, o Festival do Grostoli costuma reunir grande presença de público em frente à Igreja Matriz São Pedro, localizada no centro de Garibaldi (Foto: Vitor Brandão / Beta Redação)

Também conhecido como “orelha de gato” ou “cueca virada”, o grostoli é uma iguaria de origem italiana trazida ao Brasil por imigrantes europeus, sendo muito popular na Serra Gaúcha. Para Sérgio Chesini, prefeito de Garibaldi, a relação da cidade com o doce é íntima e atravessa gerações. Neto e bisneto de italianos, ele próprio relembra da infância ao lado da avó, produzindo a guloseima: “Quando chovia, a ‘nona’ fazia grostoli, e eu ajudava preparando a massa e passando no açúcar”, comenta. Segundo ele, a proposta do evento visava justamente isso. Trazer à tona essas lembranças.  

Na edição de 2026, 15 comunidades do interior garibaldense foram responsáveis pelo preparo e comercialização dos grostolis, cada uma trazendo uma receita diferente. Para Selene Burtulli, que esteve trabalhando na produção, aquele momento também remetia a memórias da juventude. “Com quatro ou cinco anos, eu já mexia na massa. Costumava preparar no Natal, junto com a minha avó e a minha mãe”, recorda. Durante o evento, o doce era comercializado em pacotes com 10 unidades, vendidos ao preço de R$ 20. Além da iguaria principal, demais itens da cultura italiana também puderam ser observados no cenário da festa, como músicas típicas e vestimentas tradicionais.

Todavia, se para alguns o grostoli é herança, para outros é curiosidade. O geólogo aposentado Mauro Reis, que saiu de Porto Alegre para visitar o festival, conta que se interessou pela iniciativa. “Parte do meu sangue é italiano, mas não tenho uma grande proximidade. Só que a gastronomia me chama atenção. Então viemos aqui para usufruir disso”, relata ao lado da esposa, Mariza Reis, que também esteve no evento. Valdir Ludwig, morador de Salvador do Sul e descendente de alemães, observa ainda algumas diferenças na maneira como ele é produzido. “Aqui o processo é mais artesanal”, pontua.

Além da gastronomia em si, outro atrativo que também chamava a atenção dos visitantes no local do evento era o caminhão Tim Tim. Adquirido pela prefeitura de Garibaldi junto ao exército brasileiro em 1990, o modelo GMC 1944 era utilizado para transporte de soldados e suprimentos durante a 2ª Guerra Mundial, tendo sido adaptado para o uso em rotas turísticas pelas ruas garibaldenses. Renato Corbellini, que dirige o veículo diariamente há 34 anos, exalta a proposta. “Pelo que eu vi o pessoal falando, eles gostaram muito da ideia. Por mais que seja curto (o passeio), já dá para se ter uma noção de como é a cidade”, explica.

Com um trajeto que passa pelas principais ruas e pontos turísticos de Garibaldi, o Tim Tim recebeu este nome em alusão ao brinde do espumante, bebida que é um dos símbolos do município (Foto: Vitor Brandão / Beta Redação)

O Festival do Grostoli acontece anualmente desde 2022 e é uma realização da prefeitura de Garibaldi, em parceria com o Grupo RBS. Não existem dados oficiais, mas a organização estima que o evento tenha atingido cerca de 1 milhão de grostolis comercializados em 2026. As datas para a edição de 2027 ainda não foram divulgadas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também