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Exposição “Eterno Resistir” transforma arte em denúncia e diálogo no Brique São Léo

A artista visual Ise Feijó apresenta autorretratos em uma reflexão sobre a violência contra a mulher

A primeira edição do Brique São Léo 2026, realizada no domingo, 12/4, na Praça do Imigrante de São Leopoldo, reuniu uma programação cultural diversa e gratuita para o público. Entre atrações musicais, oficinas e apresentações teatrais, a exposição Eterno Resistir, da artista visual Ise Feijó, se destacou no evento.

Telões exibidos durante o evento do Brique São Léo. KAUANE SANTOS/ BETA REDAÇÃO.

Aberta ao público desde o início da programação, às 13h, a mostra ocupou o espaço ao ar livre com uma série de painéis que chamavam atenção à distância. As obras, compostas por autorretratos da artista, apresentavam intervenções em tinta vermelha, riscos intensos e, de certa forma, agressivos, que provocavam curiosidade e reflexão em quem passava.

Segundo Feijó, o trabalho é resultado de um processo criativo profundo e pessoal. Formada em Artes Visuais pela UFRGS em 2023, ela dedicou cerca de um ano e meio à produção da série, desenvolvida a partir da Lei Paulo Gustavo.

A proposta da exposição vai além da estética: trata-se de uma denúncia direta sobre a violência contra a mulher. Nos painéis, os riscos vermelhos, feitos por seu parceiro, fazem parte de uma performance simbólica na qual o trabalho da artista é “destruído” por ele e, posteriormente, reconstruído por ela. Esse ciclo representa um ato de resistência.

“Eu volto a desenhar para me colocar no mundo”, explica a artista, destacando que cada obra carrega uma narrativa própria. Entre os autorretratos, há representações de diferentes estados emocionais e experiências pessoais, incluindo a criação de um alter ego, que simboliza episódios de sonambulismo e fragilidade.

Ise Feijó em destaque com seus autorretratos. KAUANE SANTOS/BETA REDAÇÃO

A força da exposição também esteve na reação do público. Durante a montagem e ao longo da tarde, visitantes paravam para observar, questionar e tentar compreender os significados por trás das imagens. A proposta, segundo Feijó, é justamente provocar esse estranhamento inicial e abrir espaço para o diálogo.

Inserida em um evento popular e acessível, a exposição reforça a importância de levar a arte para além dos espaços tradicionais. “Quem frequenta museus já está dentro de uma bolha. Aqui, a gente alcança pessoas que talvez nunca tenham entrado em uma galeria”, comenta Feijó.

Além da mostra, a artista também conduziu a oficina “Autorretrato Simbólico: Quem Sou Eu Além do Espelho?”, convidando o público a experimentar o processo criativo e refletir sobre a própria identidade, uma extensão dos temas abordados na exposição.

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