O Rock na Praça voltou a movimentar a cidade de Esteio no domingo, 12/04, reunindo um público numeroso na Praça Coração de Maria, desde a primeira até a última apresentação. Nesta edição, o destaque ficou por conta da banda paulista Punho de Mahin, que encerrou a noite com um show intenso e forte conexão com a plateia.
Originária da periferia de São Paulo, formada por quatro integrantes negros, a Punho de Mahin surge reivindicando um protagonismo ainda escasso na cena hardcore nacional. O grupo segue a linhagem de precursores mundiais como Bad Brains, Living Colour e Body Count, reafirmando a presença preta no gênero.
O próprio nome da banda é uma homenagem à Luisa Mahin, mãe de Luis Gama, figuras históricas ligadas à resistência negra no Brasil. Esse vínculo com a memória e com a luta coletiva se traduz em letras que abordam racismo, opressão social, machismo e desigualdade de classes, mantendo viva uma das essências mais combativas do punk.
Durante o show, a banda utilizou o palco como espaço de fala e afirmação, conduzindo uma apresentação que não se limitou à performance musical, mas que também busca a reflexão sobre diversos problemas sociais. Entre músicas e intervenções, temas como apagamento histórico, desigualdade racial e resistência foram colocados em primeiro plano.
O envolvimento do público foi imediato, desde os primeiros acordes, a grande maioria da plateia se mostrava empolgada e interagindo organicamente com o grupo. A apresentação da banda é uma experiência única, mesmo para aqueles que não consomem esse estilo musical.
Entre as apresentações da noite, vale destacar a Lo Que Te Voy a Decir, que mostrou mais uma vez sua forte conexão com o público. Com uma apresentação enérgica e carregada de atitude, a banda transformou o show em um momento de catarse coletiva, ao encerrar o show tocando a clássica Hardcore de vagabunda.

Outras bandas como Projeto Hare, Visitas Póstumas, Fungo Preto e Hibizco também passaram pelo palco, reforçando a diversidade musical e estética do evento.
Criado em 2002, o Rock na Praça nasceu como uma iniciativa de ocupação cultural dos espaços públicos e, ao longo dos anos, se transformou em uma plataforma fundamental para a circulação da música autoral. Já são mais de 150 edições realizadas e centenas de bandas que passaram pelo palco, incluindo nomes do Brasil e do exterior.

