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Índia e Coréia do Sul: vale a pena assistir à trama Made in Korea?

O filme apresenta uma história envolvente, daquelas que instigam a gente a querer assistir até o final. Além de paisagens exuberantes e uma trilha sonora agradável.

O filme Made in Korea, dirigido e roteirizado por Ra Karthik, estreou na Netflix em 12 de março de 2026. Com duração de 1h51min, a obra combina elementos de drama e romance, construindo uma narrativa sensível sobre recomeços, perdas e amadurecimento emocional. A produção aposta em uma estética intimista e em uma trilha sonora relevante.

A trama acompanha Shemba, interpretada por Priyanka Mohan, uma jovem indiana de Tamil Nadu, estado indiano, conhecido pelos diversos templos hindus, que sonha desde a infância em conhecer a Coreia do Sul. Movida por esse desejo, ela decide mudar de país, mas sua trajetória é marcada por obstáculos: o abandono e a traição do namorado, que rouba o dinheiro destinado a Shemba, além das dificuldades de adaptação a um novo idioma, cultura e realidade social.

Ao chegar ao novo país, ela enfrenta o desafio da sobrevivência até conseguir um emprego como cuidadora de uma idosa, vivida por Park Hye-jin. A princípio acamada, a senhora revela, com o desenrolar da narrativa, que simula sua condição para escapar das pressões do filho. A partir dessa relação improvável, surge uma conexão que transforma a vida das duas e impulsiona a criação de um pequeno negócio.

Do ponto de vista técnico, a fotografia acompanha o tom emocional da narrativa, alternando entre momentos de solidão e esperança, enquanto a trilha sonora se destaca como um dos pontos mais fortes do filme. O uso estratégico do som intensifica o impacto dramático presente.

Outro recurso relevante é a narração da protagonista, que aparece em determinados momentos, funcionando como uma extensão de seus pensamentos e sentimentos. Esse elemento aproxima o espectador da personagem e reforça o caráter introspectivo da obra.

As atuações também merecem destaque. Priyanka Mohan entrega uma interpretação sensível e convincente, transmitindo com naturalidade as fragilidades e a força de sua personagem. Já Park Hye-jin contribui com uma presença cativante, equilibrando leveza e profundidade em sua performance.

A força do filme está na forma como aborda temas universais, como frustrações amorosas, deslocamento cultural e a busca por pertencimento. A narrativa não romantiza as dificuldades enfrentadas por Shemba, mas também não se afasta da possibilidade de reconstrução.

A relação entre a jovem e a idosa funciona como eixo central da história, oferecendo uma perspectiva intergeracional sobre liberdade e realização pessoal. Ao mesmo tempo, o roteiro evita soluções fáceis, optando por um desenvolvimento gradual.

Entretanto, a obra poderia explorar com mais profundidade alguns conflitos, especialmente os ligados à adaptação cultural e ao impacto psicológico da traição inicial. Esses aspectos não são totalmente desenvolvidos.

Made in Korea é um filme sensível e bem construído, que se destaca pela trilha sonora envolvente e pelas atuações consistentes. É uma obra indicada para quem busca uma pausa no ritmo acelerado do cotidiano, sem abrir mão de reflexões sobre a vida, escolhas e recomeços.

Apesar de apresentar um desfecho coerente com a proposta da narrativa, o final pode não agradar a todos. A ausência de um fechamento plenamente feliz pode causar certa frustração, especialmente para quem prefere conclusões mais otimistas. Ainda assim, a mensagem final — de que todo fim pode ser também um novo começo — confere sentido à trajetória da protagonista.


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