Pela primeira vez na história, a final da Copa do Mundo contou com um show de intervalo nos moldes do Super Bowl, a grande final da NFL (National Football League), principal liga de futebol americano dos Estados Unidos. Realizado no MetLife Stadium, em Nova Iorque, o espetáculo reuniu alguns dos maiores nomes da música em apenas onze minutos. Enquanto a Espanha e Argentina disputavam o título mundial, Madonna, BTS, Justin Bieber, Shakira, Burna Boy e Coldplay transformavam o intervalo da partida em um evento de entretenimento global.
A abertura ficou sob responsabilidade da rainha do pop Madonna, que entregou a apresentação mais impactante da noite. A cantora iniciou sua performance nos bastidores do estádio ao som da clássica “Music”, surgindo de uma disco ball, referência visual presente em algumas das apresentações mais icônicas de sua carreira. Em seguida, apresentou “Danceteria”, faixa de seu novo álbum “Confessions 2”, enquanto era conduzida até o gramado em um carro dirigido pelos ex-jogadores Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho. O momento simbolizou a relevância do futebol brasileiro no imaginário mundial, mesmo em uma final sem a presença do Brasil.

No campo, Madonna encerrou a apresentação cercada por dezenas de bailarinos, iluminação inspirada nas discotecas e um figurino exclusivo da Yves Saint Laurent inteiramente adornado com cristais Swarovski. Aos 67 anos, a artista demonstrou um domínio de palco impressionante, reafirmando o porquê permanece como uma das maiores performers da história da música pop.
Na sequência, o BTS levou ao palco o sucesso “Dynamite”. A apresentação foi marcada pela precisão coreográfica, pelo sincronismo entre os integrantes e por uma produção visual vibrante. A energia transmitida pelo grupo confirmou o motivo de sua influência global, mantendo o público envolvido do início ao fim por meio de efeitos especiais, figurinos incríveis e uma performance tecnicamente impecável.

O contraste surgiu com Justin Bieber. Introduzido por Ted Lasso, personagem interpretado por Jason Sudeikis, o cantor optou por uma versão intimista de “Everything Hallelujah”, acompanhado apenas de voz e violão. Embora a execução vocal tenha sido consistente, a escolha destoou completamente da proposta do evento. Depois de apresentações altamente coreografadas e visualmente grandiosas, o momento reduziu drasticamente o ritmo do espetáculo. Considerando o repertório do artista, que reúne diversos sucessos pop de grande apelo, a escolha de uma canção mais enérgica teria dialogado melhor com a atmosfera festiva de uma final de Copa do Mundo.

Shakira, acompanhada pelo cantor Burna Boy, assumiu o palco com “Dai Dai”, música oficial da Copa do Mundo de 2026 e líder da parada global do Spotify durante o torneio. Mais uma vez, a artista reafirmou sua relação histórica com o futebol, consolidando-se como um dos principais símbolos musicais do evento esportivo. Poucos artistas construíram uma relação tão consistente com o torneio quanto Shakira, responsável por alguns dos maiores hits da história das Copas do Mundo. A apresentação uniu carisma, presença de palco e uma produção sofisticada, complementada por um figurino exclusivo criado por Roberto Cavalli, bordado à mão com mais de 200 mil cristais Swarovski.

O encerramento ficou por conta de Coldplay, acompanhado pelo coral PS22 Chorus, formado por estudantes de uma escola pública de Nova Iorque. A proposta era transmitir uma mensagem de amor, esperança e união por meio da música. Entretanto, o momento também abriu espaço para uma leitura crítica. A apresentação ocorreu diante do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um contexto internacional marcado por conflitos armados e denúncias sobre o impacto dessas guerras na população civil, incluindo crianças. Nesse sentido, a escolha de um coral infantil interpretando uma mensagem de paz evidenciou o contraste entre o discurso artístico apresentado no palco e as tensões geopolíticas associadas ao país anfitrião.

Sob o aspecto técnico, o show demonstrou alto nível de produção, com transições eficientes, cenografia dinâmica e diversidade musical suficiente para representar diferentes públicos ao redor do mundo. Ainda que a breve duração tenha limitado o tempo de cada artista, o espetáculo conseguiu equilibrar diferentes gêneros e gerações da música pop.
De modo geral, os grandes destaques da noite foram Madonna, BTS e Shakira ao lado de Burna Boy. Cada um, à sua maneira, compreendeu a dimensão de um palco assistido por bilhões de pessoas e entregou performances memoráveis. Já Justin Bieber representou o único momento de queda de energia do espetáculo, enquanto o encerramento do Coldplay, embora emocional e visualmente bonito, suscitou reflexões importantes sobre a relação entre arte, política e contexto social.
