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Rafael Gloria, do Nonada Jornalismo, oferece espaço para a memória em oficina de escrita criativa

Estudantes exercitaram a escrita à mão como forma de estimular a criatividade

Nesta quarta-feira, 26 de agosto, a Unisinos recebeu, no seu campus de Porto Alegre, o jornalista Rafael Gloria, criador e diretor-executivo do Nonada Jornalismo, para a oficina “Por dentro da escrita criativa: experimentação no jornalismo”. A atividade fez parte da programação da Semana Acadêmica e propôs reflexões sobre as possibilidades dos formatos jornalísticos.

A proposta foi de que os estudantes passassem por três momentos no decorrer da oficina: escrever, em uma folha em branco, sobre uma lembrança que consideram importante; trocá-la com a lembrança de outro colega; e, por fim, escrever algo sobre o que leu. O resultado – entre poemas e cartas – foi lido em voz alta pelos participantes no último momento da oficina. Para Rafael, “trazer o texto para o papel já é um modo de exercitar a criatividade, sem o computador, sem o celular. Isso nos volta à essência do pensamento”.

Participantes da oficina de Rafael Gloria resgatam lembranças importantes de suas vidas. Adriano Garcia/BETA REDAÇÃO


Além do exercício prático, Rafael falou sobre perfil jornalístico literário, trazendo exemplos que trabalham de forma criativa o jornalismo. Entre eles, a poesia “Marcela, 43, casada”, do jornalista Bruno Molinero, produzida a partir da apuração de uma de suas reportagens. No texto, a história sobre um assassinato é contada através de respostas fragmentadas da personagem, em um formato que aproxima a narrativa jornalística da literatura.

Por fim, Rafael Gloria refletiu sobre a entrevista como ferramenta jornalística, fazendo uma crítica à forma como, muitas vezes, jornalistas se prendem a roteiros, desconsiderando exercícios criativos que podem fazer parte do processo. “A gente pode não pensar só nas perguntas, mas trazer elementos para essa partilha, por exemplo: objetos que foram importantes para a pessoa, fotografias, cartas, músicas […] entrevistar a pessoa em lugares importantes da vida dela”, destacou o jornalista.

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