Não. Não é incoerência da minha parte, mas, sim, assumir que, tudo aquilo que é demais, faz mal. Estou, sim, acostumado com grandes coberturas, com grandes planejamentos e com estresses diários do jornalismo factual, mas tudo isso a toda hora e ao mesmo tempo multiplica o estresse diário de uma coordenação de equipes.
Logo que a CBF fez o sorteio das quartas de final da Copa do Brasil e, de cara, já veio a definição do Grenal, eu fiquei imóvel por uns dez minutos olhando pro nada, sabendo, em poucas semanas, a minha paz faria intervalo e me abandonaria por dois longos dias. Os dias chegaram. A paz foi embora. Desde os intermináveis planejamentos de redes sociais à separação dos materiais para as externas, tudo me liquida. No meio disso tudo, também há o que deveria acontecer e não acontece, o que não deveria acontecer e acontece e o que acontece porque tem que acontecer, e isso também pode conter grande teor de estresse.
Além do microfone, também vejo a mesma sensação no torcedor, o alívio de não perder um clássico é algo muito mais significativo do que o gozo da vitória em si, é mais gostoso tripudiar do rival do que pular a própria vitória. Coisas do Grenal.
Pra completar o combo do meu dia de clássico, vim trabalhar com sapatos que não estão com pena de mim e que judiam os meus calcanhares. Eu odeio Grenal.
