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“Peaky Blinders: O Homem Imortal” encerra com dignidade a saga da família Shelby

Diretor trabalhou bem elementos afetivos e nostálgicos para os fãs, mesmo com limitações narrativas

Protagonizado de maneira impecável por Cillian Murphy, o filme Peaky Blinders: O Homem Imortal entrega aos fãs o encerramento de uma das séries mais marcantes da televisão da última década. Mesmo com a ausência de alguns personagens icônicos, a força de Thomas Shelby sustenta a narrativa, como o fez nas seis temporadas da série.

A trama concentra-se majoritariamente em três figuras: Thomas, seu filho Duke e o antagonista nazista. O diretor trabalhou bastante a questão do afeto e da paternidade usando esses três personagens como base, criando um drama interessante, mas com final previsível.

Para os fãs da série, não apresentar o destino de algumas figuras importantes é um pouco frustrante, por mais que a escolha do diretor fosse encerrar a jornada de Thomas e o que ele deixou como legado. Mesmo tendo plena consciência de que a série explodiu graças ao chefe da família Shelby, o filme como desfecho de uma série não deveria pensar somente no personagem principal.

O filme retoma as origens da série, com mais misticismo, lembrando das raízes ciganas da família Shelby. Esse elemento, que em momentos da série aparecia de forma pontual, ganha aqui um peso simbólico maior, contribuindo para a construção de identidade dos personagens e reforçando a dimensão cultural muitas vezes deixada de lado.

No campo técnico, o filme mantém o alto padrão. O figurino, a ambientação e a direção de arte seguem impecáveis, preservando a identidade visual marcante da obra. Nas atuações, Cillian Murphy novamente se destaca de forma incontestável. Barry Keoghan não decepcionou como o herdeiro Duke, e Sophie Rundle, a controversa Ada, é muito competente quando está em cena e tem papel importantíssimo para o encerramento do filme.

Peaky Blinders nunca foi somente sobre homens e testosterona. Desde o início, as mulheres foram a base que sustentou o poder dos temidos gangsters de Birmingham — figuras fortes, livres e decisivas. O filme reafirma isso ao colocar duas mulheres com poder para alterar os rumos da história, resgatando o legado da insubstituível Tia Polly.

O Homem Imortal funciona mais pela experiência simbólica e afetiva do que por sua construção narrativa. Para os fãs, há um forte componente nostálgico ao revisitar Thomas Shelby em ação, o que garante envolvimento. No entanto, essa nostalgia não é plenamente sustentada por um roteiro à altura da ambição de encerrar uma história tão ampla. O filme se parece mais com um episódio final da série — incompleto, mas que todos precisam assistir. “By Order of the Peaky Fucking Blinders”.

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