Depois de enfrentar anos seguidos de estiagem e enchentes, produtores rurais do Rio Grande do Sul convivem com perdas nas lavouras, aumento das dívidas e incertezas sobre o futuro da agricultura no estado. A crise climática nas lavouras é considerada uma das maiores ameaças atuais à agricultura gaúcha, afetando diretamente a renda dos produtores e a economia regional.
O Rio Grande do Sul passou a viver uma alternância cada vez mais frequente entre seca e excesso de chuva. Além das chuvas extremas em novembro de 2023 e maio de 2024, nas últimas décadas ocorreram grandes estiagens no Estado, causando frustrações de safras e elevando o endividamento agrícola. Enquanto algumas regiões sofrem com falta de água durante fases importantes do desenvolvimento das lavouras, outras enfrentam enchentes que destroem plantações, estradas rurais e estruturas de armazenamento.
Produtor de leite, milho e soja em Alegrete, Cléber Zambelli foi um dos afetados por essas crises climáticas no Estado. “Enfrentamos períodos de estiagem severa, que comprometeram o desenvolvimento das culturas e reduziram a produtividade, e, mais recentemente, as enchentes causaram perdas significativas, danificando plantações e dificultando a recuperação da produção”, conta. “Essas condições climáticas extremas têm gerado prejuízos financeiros, aumentado a insegurança no planejamento das safras e trazido grande preocupação para o futuro da atividade agrícola”.
Zambelli relata que a repetição das quebras rurais de safra provocou um aumento significativo do endividamento rural. Muitos agricultores enfrentam dificuldades para acessar crédito, financiar novas lavouras e manter a atividade produtiva. O debate sobre securitização das dívidas rurais ganhou força justamente por causa dos impactos climáticos recorrentes. “Muitos quebraram por conta das enchentes e das estiagens que ocorreram aqui e causou esse endividamento rural”, lamenta. O produtor também comenta sobre o sentimento de insegurança que existe na hora de plantar uma nova safra: “Não temos um preço mínimo que nos garanta renda e, quando ocorrem perdas causadas pelas estiagens ou pelas enchentes, o seguro muitas vezes não cobre todos os custos de produção”.
Atualmente, o programa do governo que existe e que é voltado para incentivar a irrigação no campo, é o Irriga+RS. “O Irriga+RS possui uma característica que o diferencia de outras iniciativas, que é o pagamento de subvenção ser realizado quando o projeto de irrigação é instalado”, explica o subsecretário de Irrigação, Márcio Amaral. Segundo ele, o programa tem contribuído para estimular investimentos no campo e fortalecer a capacidade de enfrentamento das estiagens, consideradas uma das principais causas das perdas de produtividade no Estado. Além de oferecer apoio financeiro, o Irriga+RS busca incentivar uma cultura de planejamento hídrico nas propriedades rurais, promovendo mais segurança para os produtores e maior sustentabilidade para a agricultura gaúcha.
Investimentos em sistemas de irrigação são considerados prioritários para a adaptação da agricultura às mudanças climáticas no Rio Grande do Sul. Sem essas medidas, os eventos extremos tendem a continuar impactando a produtividade e a renda dos produtores rurais gaúchos.
*Foto: Gustavo Mansur/Palácio Piratini
