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Coronel Luigi: a trajetória do novo comandante-geral da Brigada Militar

O oficial assume o comando com 33 anos de carreira marcada pela herança familiar e pela dedicação integral à segurança pública

Filho, neto e bisneto de policiais, Luigi Gustavo Soares Pereira praticamente nasceu dentro da segurança pública. A escolha pela carreira na Brigada Militar, segundo ele, não foi um acaso, mas sim um caminho natural, construído desde cedo entre histórias de farda, disciplina e serviço à sociedade.

“Eu cresci nesse meio policial. Isso certamente teve influência e inspiração para que eu tomasse essa decisão ainda no ensino médio”, relembra.

A trajetória começou a se consolidar no Colégio Tiradentes da Brigada Militar, onde estudou entre 1990 e 1992. Na época, o ambiente já funcionava como uma espécie de porta de entrada para quem sonhava com a carreira. “Mais de 50% dos alunos tinham como objetivo ir para a Academia de Polícia Militar”, conta. O ingresso, naquele período, acontecia após a conclusão do Ensino Médio, por meio de um vestibular. Diferentemente do modelo atual, que exige formação em Direito e aprovação em todas as etapas de um concurso público específico para ingressar como oficial.

Aprovado, Luigi ingressou no Curso de Formação de Oficiais (CFO) entre 1993 e 1996. Desde então, construiu uma trajetória sólida na Brigada Militar, marcada por especializações, experiências em diferentes áreas e reconhecimentos ao longo da carreira. Seu currículo reúne duas graduações — bacharel em Direito e bacharel em Ciências Militares/Defesa Social — além de duas pós-graduações e 11 formações complementares, todas voltadas à área da segurança pública. Ao longo de 33 anos de dedicação ao trabalho, já atuou à frente de nove áreas e departamentos, recebeu 13 prêmios e títulos como reconhecimento ao serviço prestado à sociedade e, em 2 de março de 2026, essa trajetória o levou ao cargo mais alto da instituição.

Uma vida dedicada à Brigada

Assumir o Comando-Geral significa, hoje, ser responsável por cerca de 19 mil policiais na ativa, além de um número semelhante na reserva. A função exige mais do que liderança operacional: demanda presença constante, dentro e fora dos quartéis.

“A nossa atividade ocupa praticamente todo o tempo. Eu me dedico 24 horas por dia, sete dias por semana”, afirma Luigi.

A rotina intensa impacta diretamente a vida pessoal. Se antes havia espaço para hobbies, hoje o tempo livre é quase inexistente. Fora da farda, o curto período disponível é dividido entre a manutenção da saúde, com a prática de atividades físicas, e a convivência com a família. O novo cargo praticamente eliminou espaços que antes eram dedicados a interesses pessoais. Entre eles, um hobby que cultivava: a produção de cerveja artesanal.

Ainda assim, o comandante evita classificar essa realidade como sacrifício, porque, na verdade, é o posto que sempre almejou. “Não encaro como sacrifício. É uma opção. Estou aqui por escolha minha e do governador, e busco fazer o melhor para aprimorar cada vez mais a Brigada Militar”, diz.

Luigi faz parte da instituição desde 1993, quando ingressou no Curso de Formação de Oficiais (CFO) por meio de um vestibular

A corporação como uma só

Quando a temática é a instituição, Luigi não deixa de reforçar um ponto que considera essencial: a ideia de unidade. Para ele, a divisão entre praças e oficiais — as duas categorias hierárquicas da Brigada que englobam, de forma geral, as diferentes graduações e postos — existe apenas como forma de organização interna, mas não define a essência da corporação.

“Não existe o soldado, não existe o coronel. Existe uma Brigada Militar só”. Para ele, essa visão também reflete a percepção da população. 

“Quando o cidadão precisa da polícia, ele não quer saber quem está chegando ou qual a patente do indivíduo. Ele apenas quer um ‘brigadiano’ na porta para resolver o problema”, afirma o comandante.

A mensagem, segundo ele, é clara para toda a tropa: fortalecer o senso coletivo é fundamental para manter a instituição sólida, especialmente em um cenário de desafios constantes na segurança pública.

Desafios e futuro da instituição

Um dos principais desafios atuais é o efetivo. A Brigada Militar já chegou a ter cerca de 30 mil integrantes na ativa, mas hoje conta com menos de 20 mil. A recomposição, no entanto, não é imediata.

“Não se forma um policial do dia para a noite. São pelo menos oito meses de formação, e existe um limite de capacidade nas escolas”, explica.

Apesar disso, há previsão de crescimento gradual. Concursos recentes já começaram a recompor o efetivo, com novas turmas sendo chamadas ao longo de 2026 para o quadro de praças e também de oficiais. Ainda assim, o aumento será progressivo, acompanhando tanto as entradas quanto as saídas naturais da carreira.

Paralelamente, o comando tem direcionado esforços para outro foco: a valorização dos policiais. “Se existe um projeto que eu destacaria hoje, é o de valorização das pessoas”, afirma o coronel.

O novo comandante-geral, Cel Luigi, assumiu o posto no dia 2 de março de 2026

Uma escolha de vida

Para quem pensa em ingressar na Brigada Militar, sonha em ser um “brigadiano”, o comandante faz um convite, e ao mesmo tempo deixa um alerta. A profissão, segundo ele, exige comprometimento, mas também oferece retorno.

“É uma carreira para quem quer trabalhar para as pessoas. Nós somos servidores do povo gaúcho”, destaca. Mais do que uma função, a escolha pela farda representa, para Luigi, um propósito construído ao longo de gerações, e que agora ganha novos contornos à frente da corporação.

Embora reconheça que muitos enxergam a atividade como um tipo de missão ou vocação, ele prefere uma abordagem mais prática. “É uma escolha. Uma decisão de vida que traz benefícios como o crescimento e a realização, mas que exige dedicação verdadeira”, conclui o coronel.

O novo comando

Neste ano, a Brigada Militar não passou apenas por uma troca no Comando-Geral, mas por uma renovação completa de sua cúpula. Para o cargo de subcomandante-geral, assumiu o coronel Jorge Dirceu Abreu Silva Filho, que até então atuava como diretor do Departamento de Ensino. Já a função de chefe do Estado-Maior passou a ser exercida pelo coronel Álvaro Martinelli, anteriormente à frente do Comando de Polícia de Choque (CPChq).

Os postos eram ocupados pelo ex-comandante Cláudio dos Santos Feoli e pelo ex-subcomandante Douglas da Rosa Soares. Com a mudança, ambos foram encaminhados para a reserva remunerada após completarem 35 anos de serviço na corporação. Quem ficou da gestão passada é justamente o atual comandante, coronel Luigi, que ocupava o cargo de chefe do Estado Maior desde o ano de 2023.

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