A Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs) realizou, em 6 de março de 2026, na cidade de Torres (RS), um painel com seis pré-candidatos ao governo do Estado do Rio Grande do Sul anunciados à época do evento: Covatti Filho (PP), Edegar Pretto (PT)*, Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB). Ao longo de duas horas de debate, foram apresentadas suas propostas de campanha nas áreas de Saúde, Educação, Finanças, Infraestrutura e Agricultura. A equipe da Beta Redação checou falas dos pré-candidatos no debate, que pode ser assistido na íntegra pelo YouTube da Famurs.
As declarações verificadas são transcritas abaixo em ordem alfabética do nome dos candidatos. Foram atribuídas as classificações verdadeiro, falso ou não é bem assim, seguindo a metodologia de agências de fact-checking reconhecidas no Brasil. A etiqueta “não é bem assim” é aplicada nos casos em que as fontes disponíveis não permitem confirmar nem refutar a declaração ou é necessário mais contexto para sua compreensão; “verdadeiro” indica que há fontes confiáveis que confirmam o dado citado; e “falso” aponta que o dado não se sustenta ou está equivocado. Cada declaração verificada apresenta uma breve explicação e links de referência para as fontes consultadas. Foi selecionada pelo menos uma declaração de cada candidato, considerando a relevância da declaração e a viabilidade da checagem com fontes públicas disponíveis. Confira a seguir.
*Após a realização do debate, Edegar Pretto (PT) foi anunciado como pré-candidato a vice-governador na chapa de Juliana Brizola (PDT)
“Hoje a expectativa [de vida] no Rio Grande do Sul é de 78 anos de idade e a gente vê a nossa juventude saindo dos seus municípios, procurando emprego em outras grandes cidades ou até mudando de estado”.
Covatti Filho (PP)
VERDADEIRO
O pré-candidato Covatti Filho (PP) se apoia em dados reais para expor que o interior do estado “está ficando velho”. Embora a interpretação seja simplificada na fala, as informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que a expectativa de vida ao nascer no RS é de 77,5 anos em 2026. O estado alcançou a expectativa de 78,3 anos em 2018, segundo o Atlas Socioeconômico do RS. Ao mesmo tempo, o Rio Grande do Sul acumula um saldo migratório negativo nos últimos anos, conforme estudo do Departamento de Economia e Estatística (DEE). Contudo, isso não indica apenas que há mais gente deixando de morar no Rio Grande do Sul, também é preciso considerar a redução da taxa de fecundidade, ou seja, há menos nascimentos nos últimos anos. O Censo 2022 mostra que o número de idosos já supera o de crianças no Rio Grande do Sul, evidenciando o envelhecimento populacional para além de fatores migratórios. (Checagem por Beatriz Schleiniger, com revisão de Laura Santiago)
“Vocês devem ter visto que recentemente saiu o resultado do PIB de 2025 e mais uma vez o PIB nacional cresceu 3,3% e o Rio Grande do Sul cresceu 1,7%.”
Edegar Pretto (PT)
FALSO
Os dados do PIB 2025 no Brasil estão incorretos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento foi de 2,3%. No Rio Grande do Sul, o Departamento de Economia e Estatística (DEE) calculou crescimento de 0,9% no PIB 2025. O valor citado para o PIB estadual corresponde à variação de alguns setores da economia: em 2025, a indústria e os serviços cresceram 1,7%. (Checagem por Yasmin Cortinove, com revisão de Beatriz Schleiniger)
“Tarso encerrou o mandato em 2014, a dívida era R$ 58 bilhões. Vocês sabem quanto é agora? Mais de R$ 100 bilhões.”
Edegar Pretto (PT)
NÃO É BEM ASSIM
Os valores citados correspondem aos relatórios do Tesouro do Estado, porém não consideram a correção monetária no intervalo de 10 anos. Segundo o Relatório Anual da Dívida Pública (RS) referente ao ano de 2014, o valor da dívida era R$ 54,8 bilhões, que representam, em valores atualizados pela calculadora do cidadão do Banco Central, R$ 106,67 bilhões. O valor corrigido se aproxima do saldo devedor atual de R$ 100,4 bilhões, conforme o Relatório Anual da Dívida Pública do RS de 2024. (Checagem por Laura Santiago, com revisão de Beatriz Schleiniger)
“Um estado que antes fazia em torno de R$ 35 milhões por ano em convênios com prefeitos, com municípios, hoje passa de meio bilhão de reais em média por ano em investimentos”.
Gabriel Souza (MDB)
NÃO É BEM ASSIM
O pré-candidato Gabriel Souza (MDB) entra na disputa para governador como atual vice-governador do Rio Grande do Sul. Ele se refere a investimentos em convênios com municípios anteriores à gestão de Eduardo Leite (PSD), da qual é vice, comparados ao mandato atual. Não fica claro o período exato nem os programas a que ele se refere. O valor citado de R$ 35 milhões corresponde ao anunciado em 2019 pela Secretaria da Saúde para execução de programas da área, o que poderia indicar que a referência está subestimada. No caso dos convênios com municípios, há registros públicos de que R$ 300 milhões foram disponibilizados do Tesouro do Estado para o programa Avançar Mais Cidades, lançado em 2025, segundo o portal da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Isso indica que os investimentos somados podem se aproximar de R$ 500 milhões (meio bilhão de reais), embora não seja possível rastrear a fonte precisa dos dados citados. (Checagem por Nathalia Santos, com revisão de Bianca Moraes)
“Nós temos um projeto aprovado na Assembleia Legislativa, que é o projeto Pró-Hospitais, que irá destinar mais de R$ 800 milhões para a saúde.”
Juliana Brizola (PDT)
VERDADEIRO
A pré-candidata a governadora Juliana Brizola (PDT) é ex-deputada estadual e mencionou projetos de seu mandato legislativo durante o debate. De fato, o projeto Pró-Hospitais foi sancionado e passou a ser lei em julho de 2024. Depois, passou pela regulamentação do governador Eduardo Leite, em outubro de 2025. A estimativa é que o programa viabilize o ingresso de R$ 1 bilhão em investimentos em hospitais filantrópicos, santas casas e hospitais públicos, municipais e estaduais, como os prontos-socorros, a partir da destinação de 5% do ICMS devido por empresas. (Checagem por Rafael Luz, com revisão de Maria dos Anjos)
“Nós temos apenas 4,7% da nossa produção irrigada”.
Juliana Brizola (PDT)
NÃO É BEM ASSIM
Ao mencionar problemas de logística que afetam a agricultura no estado, além de problemas de estiagem, Juliana Brizola (PDT) citou dados da irrigação em lavouras, mas não especificou que o percentual abaixo de 5% é relativo às culturas de sequeiro, como a soja e o arroz, conforme dados do Plano Irrigação Resiliente RS, apresentado pelo governo estadual em março de 2026. O material indica que o RS RS tem a maior área irrigada do Brasil (12,1% da área plantada). (Checagem por Rafael Luz, com revisão de Maria dos Anjos)
“Há mais de 20 anos o Rio Grande do Sul é o estado que menos cresce no Brasil.”
Luciano Zucco (PL)
FALSO
O Rio Grande do Sul se mantém entre os cinco estados com maior participação no PIB do Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda que tenha sofrido oscilações ao longo dos anos, com alguns períodos de baixo crescimento, como mostra o Atlas Socioeconômico do RS, não se sustenta a declaração de que o RS é o estado que menos cresce há mais de 20 anos. (Checagem por Adriano Garcia, com revisão de Jordana Moschen e Matheus Franceschi)
“Mais de 30 agricultores já tiraram a sua vida.”
Marcelo Maranata (PSDB)
VERDADEIRO
O pré-candidato Marcelo Maranata (PSDB) mencionou o número de casos em que agricultores teriam cometido suicídio no contexto da crise financeira no agronegócio gaúcho e endividamento do setor. Embora os dados oficiais do Boletim Epidemiológico sobre Lesão Autoprovocada e Suicídio publicado pela Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul em 2025 não tragam detalhamento ocupacional suficiente para confirmar quantos casos envolveriam agricultores no período citado, há menção ao número informado no debate em reportagens jornalísticas. Citando como fonte os dados da Secretaria Estadual da Saúde, uma reportagem especial do Correio do Povo aponta 23 ocorrências envolvendo agricultores, mas destaca que o dado pode ser subestimado por alguns registros de óbito indicarem atividade profissional incompleta. Já o Notícias do Centro cita como fonte o movimento SOS Agro RS, que atende agricultores endividados, e menciona exatamente a estimativa de 30 casos entre agricultores. Notícias do Centro é um veículo jornalístico que recebeu o selo de veículo comprometido com o público do Projor por cumprir com requisitos exigidos de transparência sobre políticas editoriais e de financiamento. (Checagem por Adriano Garcia, com revisão de Jordana Moschen e Matheus Franceschi)
*Foto: Guilherme Pedrotti/Famurs
