As eleições municipais no Rio Grande do Sul foram destaque, assim como no restante do país, pelo aumento no número de eleitores que optaram por justificar seu voto. O segundo turno ocorreu em 51 municípios brasileiros, e Porto Alegre se tornou a capital com mais eleitores ausentes em ambos os períodos em todo o país.
Segundo dados do TSE, a capital gaúcha teve mais de 381 mil abstenções na disputa entre Sebastião Melo (MDB) e Maria do Rosário (PT) no dia 27, cerca de 34,83% dos eleitores. Nos demais municípios do estado onde a escolha do prefeito se estendeu ao segundo turno, também houve alta:
CANOAS
- Eleitorado apto: 259.585
- Abstenção 1º turno: 31,83% (82.629)
- Abstenção 2º turno: 35,72% (92.716)
CAXIAS DO SUL
- Eleitorado apto: 347.184
- Abstenção 1º turno: 25,13% (87.257)
- Abstenção 2º turno: 28,64% (99.441)
PELOTAS
- Eleitorado apto: 248.631
- Abstenção 1º turno: 24,33% (60.501)
- Abstenção 2º turno: 25,71% (63.931)
SANTA MARIA
- Eleitorado apto: 209.393
- Abstenções 1º turno: 27,54% (57.661)
- Abstenção 2º turno: 29,83% (62.463)
O eleitor Vinicius Toledo Elias, 63 anos, pertence ao colégio eleitoral da Capital, mas reside no município de Balneário Pinhal. Por estar em outra cidade, Vinicius justificou o voto, mas afirma que mesmo se estivesse presente iria se abster por não se identificar com os candidatos à prefeitura.
Um dos fatores que também contribuem para o crescimento das abstenções no segundo turno é a previsibilidade do resultado, segundo a presidente do Instituto Gaúcho de Direito Eleitoral (Igade), Francieli Campos. “Porto Alegre teve um segundo turno por detalhe, pois o candidato à reeleição não venceu por muito pouco. E as pesquisas recentes, até mesmo no primeiro turno, mostravam uma quase impossibilidade de a candidata Maria do Rosário vencer. Nesse cenário, em que as pesquisas mostram que um candidato específico vai ganhar de qualquer forma, faz com que o eleitor pense que a eleição já está decidida, e que seu voto não vai fazer diferença”, avalia.
Francieli não acredita que a ausência da população nas urnas seja um sinal de descrença na política. “Exercer o direito de votar em branco, anular o voto ou se abster de ir também é uma forma de participação política.”
Apesar de as eleições municipais possuírem menor participação do que a presidencial, é a segunda vez consecutiva que Porto Alegre lidera o ranking de abstenções entre as capitais do Brasil. Em 2020, o percentual foi ainda maior, com mais de 358 mil eleitores ausentes.
Após os resultados do último domingo, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio Grande do Sul, Voltaire de Lima Moraes, ressaltou a preocupação com os dados e a importância de aprofundar a análise sobre os números: “Tivemos uma abstenção alta? Tivemos, porque queríamos diminuir essa abstenção, mas a abstenção no segundo turno foi bem menor do que se projetava. De qualquer sorte, nós precisamos analisar com maior profundidade essa questão relacionada com a abstenção, principalmente em algumas cidades”.