Os domingos de sol reuniam cerca de 1 mil pessoas por estádio a cada semana. Ao todo, eram oito campos de futebol que movimentavam, regularmente, moradores e torcedores fiéis. Com as enchentes que ocorreram no Rio Grande do Sul no mês de maio, no entanto, o início do calendário de jogos foi pausado e os prejuízos sequer começaram a ser calculados nos clubes da cidade de São Leopoldo, na região do Vale dos Sinos. Dos 16 clubes que disputariam as quatro categorias do Campeonato Municipal de Várzea, previstas para iniciar no dia 19 de maio, oito tiveram suas sedes e campos atingidos pela cheia.

Este é cenário do Juventus, clube do bairro Rio dos Sinos e atual campeão do torneio. “As fotos foram quase todas estragadas, todos os troféus quebraram. A enchente veio para desmanchar tudo. Foi um caos e está sendo horrível. Os danos foram grandes, o campo se desmanchou e a água foi até o teto”, relata Leonardo Knewitz, presidente da equipe. A água, que permaneceu no local por 20 dias, baixou, mas a etapa de limpeza e reorganização da sede ainda não foi concluída. 

Equipe do Juventus foi campeã da categoria Força Livre em 2023
Equipe do Juventus foi campeã da categoria Força Livre em 2023. Foto: Lisandro Lorenzoni/Prefeitura de São Leopoldo

No clube, o impacto também é fora do campo: entre o grupo dos que jogam aos sábados, composto por 23 jogadores, todos tiveram suas casas atingidas pela enchente. A equipe faz parte das 180 mil pessoas desalojadas, dos 220 mil habitantes de São Leopoldo.

No clube, o preparo para o campeonato envolveu a compra de novos equipamentos, como freezers. O presidente relata que os investimentos foram perdidos e os itens danificados. Os danos financeiros ainda não foram calculados e a estimativa inicial é que as atividades sejam retomadas apenas no próximo ano.

A previsão da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer vai ao encontro disso. “Talvez os clubes não se recuperem até o fim do ano, então ainda não sabemos se terá ou não o campeonato municipal. É um prejuízo enorme para o futebol amador da cidade, porque o campeonato movimenta vários bairros e comunidades”, analisa o chefe de gabinete da pasta e responsável pelos campeonatos municipais de futebol da cidade, Marcos Ughi.

Além do torneio de futebol, o calendário de outras competições foi pausado. O futsal, previsto para iniciar em agosto, não tem nova data divulgada. O cronograma foi interrompido devido aos danos que atingiram o Ginásio Municipal Celso Morbach, que é sede, ainda, de escolas de vôlei, basquete e futsal e do programa Viver Bem. Os campeonatos de vôlei e basquete, que estreariam em 2024, seguem sem novo calendário.

A incerteza quanto aos próximos passos também atinge a Associação Atlética Campina, que conta com jogadores de duas categorias, um time que joga aos sábados e uma escola de futebol voltada às crianças. O espaço, no bairro Campina, ficou submerso ao longo de aproximadamente 20 dias.

“A parte financeira ainda não mensuramos, mas se for pra recuperar campo, material de jogo e treino das crianças o valor é bastante significativo, e a maioria do nosso pessoal é de área que foi alagada, muitas pessoas perderam tudo”, explica Vitor Morales, responsável pelo projeto voltado aos pequenos. A escola opera há 17 anos e atende cerca de 60 crianças do bairro. 

Escolinha atende crianças do bairro Campina. (Foto: Arquivo pessoal/Vitor Morales)