Usamos cookies para melhorar sua experiência, personalizar conteúdo e exibir anúncios. Também utilizamos cookies de terceiros, como Google Adsense, Google Analytics e YouTube. Ao continuar navegando, você concorda com o uso de cookies. Veja nossa Política de Privacidade.

Os desafios da vacinação em Gramado: “é uma cidade turística e recebe pessoas de muitos países e lugares”

Ellen Regina Pedroso, coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Gramado, explica os dados de vacinação do município, fala sobre as estratégias adotadas pela equipe, além de abordar os principais desafios da imunização

Dados do Ministério da Saúde mostram que, em junho de 2026, a cobertura vacinal registrada em Gramado variou conforme o tipo de vacina e a faixa etária. Entre as crianças de um ano, a primeira dose da Tríplice Viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, registrou 85,53% de cobertura, enquanto a segunda dose chegou a 72,35%. Entre os menores de um ano, a pneumocócica conjugada, imunizante contra infecções, atingiu 96,78% de cobertura e a rotavírus 91,32%.

Os números fazem parte do Painel de Cobertura Vacinal do Ministério da Saúde e ajudam a contextualizar o trabalho realizado dentro do município. Em uma cidade turística, a vacinação também está relacionada à prevenção da circulação de doenças entre moradores e visitantes. O alerta recente para o sarampo nas Américas reforça a importância do tema, assim como questões apontadas pela Vigilância, como a hesitação vacinal e a própria desinformação.

Conforme a Coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Gramado, Ellen Regina Pedroso, embora algumas vacinas tenham ótima cobertura na cidade, como BCG, Hepatite B, Tríplice Viral primeira dose, HPV  e Febre Amarela, também existem outras vacinas, principalmente entre crianças acima de um ano que a cobertura não está tão boa. Contra a gripe, o município não conseguiu atingir a meta de 95% em nenhum dos três grupos monitorados: gestantes, crianças menores de seis anos e idosos.  Na entrevista a seguir, Helen detalha as estratégias da cidade turística para elevar a cobertura vacinal.

Gramado recebeu o selo Estadual Município Amigo da Vacina, na categoria Teens. Como explicar a boa cobertura entre adolescentes e os índices mais baixos em outros grupos?

A cobertura vacinal contra o HPV é calculada por corte, ou seja, de um grupo específico. Ela não representa um número absoluto do ano corrente, mas um acumulado de doses aplicadas em crianças de nove a 14 anos desde que a vacina entrou no calendário. Além disso, desde o início da campanha contra o HPV, fomos às escolas, e isso facilita bastante, ajuda a ter uma aceitação melhor. Como ela é realizada em ambiente escolar depende apenas da autorização dos pais, não precisa que eles estejam presentes e isso, claro, impacta no resultado.

Por que a Secretaria da Saúde emitiu recentemente um alerta sobre a prevenção do Sarampo?

É apenas uma medida de prevenção e alerta. A preocupação com o Sarampo é algo que está no mundo todo, principalmente nas Américas. Gramado é uma cidade turística e recebe pessoas de muitos países e lugares. Os próprios moradores viajam bastante.

Nesse contexto, a vacinação é a principal forma de prevenção do sarampo?

Sim. É importante saber que uma pessoa começa a transmitir a doença antes mesmo de apresentar os sintomas. Então, às vezes você pode estar viajando ao lado de uma pessoa que está doente, e que só desenvolve os sintomas depois. A vacinação é uma forma importante de prevenção. Quando temos menos pessoas vacinadas, facilitamos a circulação do vírus. Isso acontece, por exemplo, com a gripe, quando a cobertura vacinal é baixa, o vírus tem mais facilidade de ser transmitido. Com isso, colocamos diversos grupos em perigo, idosos, pessoas imunossuprimidas e outras pessoas vulneráveis que, mesmo vacinadas, podem não produzir anticorpos da mesma maneira que uma pessoa saudável.

Se surgisse um caso suspeito de sarampo em Gramado, qual seria o papel da Vigilância Epidemiológica?

Primeiro, o profissional que estiver atendendo precisa identificar prontamente a pessoa como um caso suspeito de sarampo e isolá-la, colocando-a em uma sala separada, coletas e exames físicos também são feitos. Os serviços têm obrigação de nos comunicar o caso em até 24 horas. Em Gramado, normalmente conseguimos essa informação em uma ou duas horas. Assim que recebemos, fazemos a identificação da pessoa e fazemos o bloqueio vacinal seletivo rastreando quem teve contato com o caso, quem está vacinado e quem não está. Também é necessário identificar se a pessoa viajou de avião ou de ônibus, por exemplo, pode ser necessário rastrear os demais passageiros. O mesmo pode acontecer com hotéis, parques e restaurantes por onde essa pessoa passou.

Quais são os principais motivos para uma pessoa não se vacinar ou completar o esquema vacinal?

Temos trabalhado muito com o conceito de hesitação vacinal, que é quando uma pessoa recebe uma informação errada e fica em dúvida se deve ou não tomar vacina. Um dos motivos relatados é a perda da carteirinha de vacinação. Temos uma frase: “Vacina não comprovada é vacina não feita”. É importante guardar o documento e ter a comprovação da vacinação, existe o medo de reações adversas e claro, a questão política. Às vezes a pessoa apoia ou segue determinada figura pública que é antivacina e acaba adotando a mesma posição, mas geralmente, o principal motivo é a desinformação.

Como a população pode identificar informações falsas sobre vacinas?

É importante verificar a fonte. Uma das principais fontes de informações sobre vacinação é o Programa Nacional de Imunizações, o PNI. Nos sites do Ministério da Saúde e do programa estão disponíveis informações sobre quais e por que vacinas são indicadas. Outra fonte importante é a Sociedade Brasileira de Imunizações, que disponibiliza informações baseadas em ciência.

Existe uma falsa sensação de segurança quando uma doença deixa de ser comum?

Sim. A vacina pode ser vítima do próprio sucesso. A geração que foi vacinada não conhece a doença e perde a noção do perigo e, na mesma proporção, perde a importância da vacina. A pessoa pode pensar: “Não vou vacinar meus filhos porque essa doença não existe mais”, mas, se as crianças estiverem desprotegidas, podem voltar a circular.

Existe alguma estratégia nova para facilitar o acesso da população às vacinas?

Estamos tentando comprar uma “vacina móvel” (veículo adaptado para funcionar como posto itinerante de saúde que leva imunizações a bairros, escolas e locais de grande circulação de pessoas).Trabalhamos com o conceito de capilaridade: quanto mais perto da população a vacina estiver, melhor. Abrimos uma nova sala de vacinação e estamos trabalhando para abrir outras, inclusive na Praça da Matriz e no bairro Jardim.

O que o município tem feito para aumentar a adesão à vacinação?

Estamos com horário estendido, realizando os dias de vacinação propostos pelo Ministério, indo às escolas e às empresas. A Vigilância do Trabalhador também realiza ações nas empresas e revisa a vacinação de profissionais da rede hoteleira e de restaurantes que estão expostos ao turismo. Também temos conversado com os pais e produzido vídeos para as redes sociais. Procuramos utilizar figuras que são referências na comunidade para falar sobre o assunto. Estamos trabalhando, e a população tem respondido. Mas precisamos de uma resposta um pouco mais rápida para atingir a cobertura necessária e garantir proteção.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também