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Esporotricose: enfermeira orienta cuidados para tutores de gatos contra doença provocada por fungos


Vigilância em Saúde de Montenegro amplia monitoramento da zoonose e oferece tratamento gratuito

Desde 2024, o município de Montenegro tem enfrentado grandes surtos de esporotricose, uma infecção que atinge humanos e principalmente animais, especialmente os gatos. Em pessoas, a doença provoca ferimentos ou nódulos na pele, mas atinge os felinos com feridas profundas, que não cicatrizam e espalham rapidamente caso não sejam tratadas.

Para enfrentar o avanço da esporotricose, a Vigilância em Saúde tem atuado fortemente no monitoramento e na divulgação dos casos dos animais contaminados na cidade. Espalhados por todos os bairros, dos mais afastados aos mais próximos do Centro, os casos atendidos pela equipe chegam a 454 desde janeiro.

Neste ano, o setor criou o programa Melhor em Casa Animal, realizando visitas domiciliares e oferecendo gratuitamente o medicamento utilizado no tratamento da doença. Após a idealização, o serviço tem demonstrado resultado positivo. Nesta entrevista, a enfermeira do município, Bharbara Coelho, explica como está o andamento dos atendimentos à esporotricose em Montenegro.


O que é a esporotricose e como é que ela é transmitida?

A esporotricose é um fungo. Esse fungo está presente no ambiente. Então, material orgânico, folhas, terra, troncos de árvores. Ele é um fungo que tem diversas espécies. As principais, que são as que causam a doença e que são identificadas no país, é o esporotrichenque e o brasiliense. Os animais, então, os gatos, pelo hábito de vida livre que eles têm, de cavar, esconder as fezes, afiar as unhas em árvores, podem acabar pegando esse fungo, deslocalizando as unhas e transmitindo a outros gatos também por meio de arranhões, mordidas e para o próprio ser humano também. Tem que ter um acidente que esse fungo seja inoculado no animal, na pele, para que o fungo prolifere. 

Atualmente, como está o controle da doença em Montenegro?

Nós temos, então, 283 casos em monitoramento. De animais positivos tratando e acompanhados pela vigilância animal. Um cachorro. A gente tem o foco em questões sanitárias, na saúde das pessoas. A gente faz uma educação sanitária, a gente não trata o animal como vilão, mas, sim, como um contexto de que as pessoas precisam ter certos cuidados com seus animais para que elas não acabem pegando a doença. Então, o programa Melhor em Casa Animal, ele é focado para zoonoses. A gente não atende outros casos, se não doenças que possam ser transmissíveis aos seres humanos. 

Caso o animal apresente os sintomas, como o tutor deve proceder?

Ele entra em contato com a vigilância ambiental, com o setor de zoonoses, pelos canais oficiais que nós temos, como o WhatsApp. A partir daí, ele faz um agendamento de visita e a gente vai nesse paciente no domicílio. Fazemos uma agenda, marca no dia tal, ou período da manhã ou período da tarde e vai até a residência da pessoa. Muito importante, também, que ele precisa ter um responsável em casa. Não podemos fazer atendimento com menores de idade ou com pessoas que não saibam do histórico daquele animal. Como é uma consulta, eu preciso conversar com o dono, saber se ele está comendo, se ele não está, o que aconteceu no primeiro momento, se o animal sai à rua, se não sai, todo o histórico, que não é consulta de um humano.

Qual o principal desafio para manter este controle na cidade?

O principal desafio é a adesão dos tutores ao tratamento. Então, a gente tem muito abandono do tratamento, muitos tratamentos que a gente orienta que façam de uma forma e eles fazem de outra. Automedicação de animais sadios ou que apresentam qualquer ferida, se tem um animal doente em casa, eles já dão o mesmo remédio, eles não chamam um agente. E tem a questão de os animais não ficarem isolados. O animal precisa ficar isolado, precisa passar por aquele período tratando sozinho, sem ter contato com outros animais, sem ter contato, o mínimo contato possível, um ano, para que consiga ter um sucesso no tratamento. E a gente tem muito caso que paciente está tratando, passeia na rua, briga de novo com outros animais, então, está tendo algumas recidivas por não ter esse cuidado. Eles abandonam, o animal melhora, eles já param de tratar, sendo que é obrigatório. Eles não vêm buscar mais a medicação, mas ele precisa vir no setor buscar todo mês, e ele não vem buscar mais, abandonam, aí a gente tem que ir atrás, fazer o monitoramento. Aí só volta, muitas vezes, a buscar quando o animal piora.

Vocês enfrentam dificuldades para isolar os animais de famílias que não podem manter os pets isolados ou para manter os abandonados afastados?

Atualmente nós não temos onde colocar os animais que não tem como fazer o isolamento, a gente não tem um alojamento para animais. Então, muitas vezes, a gente tenta oferecer maneiras da pessoa isolar. A gente tem algumas gaiolas que são poucas, mas a gente disponibiliza para que o animal fique preso durante o tratamento. Alguns tutores colocam uma coleirinha, amarrado numa coleirinha também já é suficiente, é um pouco mais difícil, mas é o necessário. Tem pessoas que colocam em peças, em garagem, varia de conforme a realidade do tutor, mas tem pessoas muito humildes e muito honestas que elas se comprometem e fazem o isolamento.


Desde o começo, quanto tempo esse tratamento pode durar?

Em torno de 3 a 6 meses, mas eu tenho pacientes que tratam há mais de ano, porque o tutor abandona, vai, para e volta, para e volta. Tem pacientes que tratam 3, 4 meses e eu consigo dar alta, varia muito da condição do animal e do comprometimento do tutor.

Como vocês tem trabalhado para alertar a população sobre a doença?

A gente faz com a comunicação da prefeitura, fazendo vídeos, mandando os dados para jornal, para manter na rede do município, para que as pessoas tenham sempre essa comunicação mais ativa. Tem folders também, que às vezes a gente distribui em alguns eventos, e a gente está sempre à disposição para tirar as dúvidas da população. E outra coisa que mais nos preocupa é a questão dos tutores, nos preocupa mais do que os animais de rua, porque hoje o nosso problema maior está com os tutores que abandonam o tratamento, e não com os animais de rua. Os animais de rua, muitas vezes a gente consegue pessoas na própria comunidade que cuidam desses animais, a grande maioria, as próprias ONGs também ajudam, mas o que mais acontece é os próprios tutores mesmo abandonarem o tratamento, não buscarem medicação, daí o animal piora e eles correm aqui.

Quanto de redução nos casos o Melhor em Casa Animal tem apresentado?

A gente teve 49 casos no ano passado em um ano. No retrasado 52. Depois 49 e agora estamos com 19 casos, então a gente está bem empolgado, porque acho que o resultado é bem positivo, com o número de animais doentes e o número de pessoas infectadas é baixo, então é positivo.

Como funciona a distribuição do atendimento na cidade? Vocês pretendem continuar com o programa?

Toda a cidade é atendida. E uma coisa importante é que o município não distingue classe social para distribuir a medicação. A gente distribui a medicação para todas as pessoas que têm animais doentes e que nos procuram. Então esse é um diferencial também que nos mostrou bons resultados. A gente pretende continuar, sim, é um programa que a gente tem tudo para levar ele adiante e com muito êxito. E todas as localidades aqui do interior elas são atendidas também. A gente tem feito esse trabalho e essa equipe aqui vai de casa em casa, passa todas as orientações, toda a parte de educação, tutor, eles ensinam tudo, até como dar a medicação, o que pode dar a medicação. Eles fazem todo esse trabalho, orientam a pessoa, como manusear o animal, como acondicionar o animal. A gente tem levado tudo isso para dentro da casa da pessoa.

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