Programa 3 Mil Talentos TI oferece formação para leopoldenses entre 15 e 39 anos, buscando suprir necessidade de trabalhadores capacitados para a área

De acordo com o relatório “Indústria de Software e Serviços de TIC no Brasil: caracterização e trajetória recente”, publicado em julho pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) deve crescer 8,2% em 2022.

No ano passado, conforme o documento, a área registrou uma produção estimada em US$ 53,3 bilhões, apresentando um crescimento de 6,5% em relação a 2020. Apesar disso, a indústria enfrenta dificuldades para encontrar profissionais qualificados e conta com diversas vagas ociosas, aguardando para serem preenchidas.

É o que demonstra o levantamento realizado pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom). Segundo os dados, publicados em dezembro de 2021, o Brasil tem uma demanda média anual de 159 mil profissionais para o setor, enquanto forma apenas 53 mil pessoas por ano.

“Há um déficit de profissionais que pode prejudicar o avanço do setor, limitando seu crescimento e impactando sua eficiência por se ter percebido que a remuneração tem sido inflacionada”, pontua o gestor executivo do Parque Tecnológico de São Leopoldo (Tecnosinos) e diretor da Unidade de Inovação e Tecnologia (Unitec), Silvio Bitencourt da Silva.

Tecnosinos é o 2º maior parque tecnológico da América Latina e abriga 110 empresas nacionais e internacionais que atuam nas áreas de Tecnologia da Informação, Semicondutores, Automação e Engenharias, Comunicação e Convergência Digital, Tecnologias para a Saúde e Energias Renováveis e Tecnologias Socioambientais.

Tecnosinos abriga 110 empresas nacionais e internacionais do setor de Tecnologia. (Foto: Tecnosinos/Divulgação)

O gestor da instituição destaca que a indústria de TIC tem se desenvolvido de forma positiva no Brasil, com um crescimento acima da média global, mas que o problema da falta de profissionais atinge empresas no mundo todo.

“As oportunidades de trabalho online, em que trabalhadores brasileiros passam a atuar com empresas de outros países que também tem sofrido com a falta de profissional qualificado e a necessidade de qualificação e requalificação de profissionais diante do crescimento acelerado do setor estão entre os motivos para a falta de profissionais qualificados no país”, expressa.

Silva ressalta que o crescimento do setor é resultado da expansão do mercado de software no Brasil, que foi impulsionado pelo avanço da economia digital durante a pandemia de covid-19. “Isto trouxe desafios tanto para a cadeia produtiva, quanto ao abastecimento de hardware pessoal qualificado para o trabalho, além de oportunidades de crescimento dos negócios estabelecidos e de novos empreendimentos no campo digital”, salienta.

Projeto vai formar 3 mil profissionais para TI

Buscando minimizar o problema da falta de profissionais e, com isso, impulsionar o setor de TIC, a Prefeitura de São Leopoldo criou o programa 3 Mil Talentos TI. A iniciativa promete formar 3 mil pessoas com idades entre 15 e 39 anos até 2024, com o intuito de atender essa demanda de trabalhadores.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Turístico e Tecnológico da cidade, Juliano Maciel, explica que o projeto foi gestado para formar mão de obra local para o Tecnosinos.

“Nas reuniões, em diálogo com a governança do Tecnosinos, ficou muito claro o diagnóstico de que falta mão de obra qualificada para esse setor de TI, não só aqui em São Leopoldo, como no Brasil todo e no mundo todo. Mas aqui especificamente era um problema muito latente e a gente tinha vagas ociosas, o que era inadmissível em um cenário de tanta dificuldade na economia nacional”, comenta.

Maciel diz que o setor de TIC, assim como a Indústria Metalmecânica, foram os pilares que sustentaram os bons índices econômicos da cidade durante o pior período da pandemia de coronavírus.

“O setor de TI, especificamente, pela peculiaridade de se adaptar mais facilmente ao teletrabalho e a demanda muito grande, com todas as mudanças do mundo do trabalho que foram geradas a partir das dificuldades criadas pela pandemia”, expressa.

O programa leopoldense já formou mais de mil profissionais para o setor. (Foto: Sara Nedel Paz/Sedettec)

De acordo com o gestor da Sedettec, o 3 mil Talentos TI surgiu através do Programa Inova São Léo, voltado para a Inovação, Ciência e Tecnologia. Ele tem um investimento de R$2 milhões e é realizado em parceria com o Senac.

“Considerando uma taxa de crescimento médio histórico de 20% ao ano, estima-se que haverá uma demanda latente para o preenchimento de seis mil novos postos de trabalho no Tecnosinos nos próximos três anos”, pontua Maciel.

O programa já formou mais de mil profissionais desde que foi implementado, em 2021. Um deles é Bruno Pairet Chagas Duarte, de 32 anos, que destaca que, com a formação, obteve conhecimentos que serão utilizados na área em que ele já atua.

“A experiência é única. A possibilidade de ingressar na área de TI com essa oportunidade, para mim, é excelente. As trilhas, também, nos ajudam a evoluir e conseguir oportunidades futuras. Eu trabalho com automação industrial, que conversa muito com TI, com a parte eletrônica, então tem me ajudado muito”, comenta.

Formação é essencial

Para o gestor executivo do Tecnosinos, Silvio Bitencourt da Silva, o programa leopoldense de qualificação profissional estimula o setor:

“O 3 mil Talentos TI é uma excelente iniciativa, não só para as demandas de profissionais para as empresas vinculadas ao Parque, mas para todas as empresas do município e da região. O programa impulsiona o setor, pois cria condições para o ingresso e engajamento de profissionais em diferentes fases de sua carreira e que poderão minimizar o déficit existente”, avalia.

Por fim, Silva diz que assegurar profissionais qualificados em TIC requer soluções complexas que envolvam o governo, a academia, as empresas e a sociedade.

“É necessário que, desde jovens, os estudantes permaneçam na escola e sejam estimulados pelos professores e suas famílias a se dedicarem aos estudos e avançarem em direção a Universidade, que deve estar conectada às necessidades de desenvolvimento pessoal e profissional para o futuro, além das empresas trabalharem sua gestão para ampliar sua atratividade e permanência de talentos”, conclui.