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Com bolsa de R$ 5 mil, especialização em semicondutores da Unisinos atrai profissionais de outros países para o Estado gaúcho

Alunos de diferentes regiões do país migraram para São Leopoldo para integrar programa pioneiro que aposta em dedicação exclusiva e estágio em empresas do setor

A Unisinos recebeu, em São Leopoldo, a primeira turma da Especialização em Projetos de Circuitos Integrados Digitais. O programa pioneiro é fruto de uma parceria com a Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (SICT-RS) e oferece financiamento para a permanência estudantil. O objetivo da iniciativa é atrair profissionais de diferentes regiões do país e do exterior para formar mão de obra voltada ao design e verificação de microchips no Estado.

Guilherme Freitas Camboim, diretor do Departamento de Conhecimento para a Inovação da SICT, afirma que o curso recebeu uma procura significativa, que reforça a estratégia do Governo do Estado para fortalecer o setor de semicondutores, área considerada estratégica diante das transformações tecnológicas e geopolíticas internacionais.

Dos quinze estudantes contemplados com a bolsa, sete poderão realizar um estágio em empresas do setor ao final do curso, como a HT Micron, AEL Sistemas, Chipus e EnSilica. Um dos destaques da especialização é a presença de alunos de diferentes regiões e de outros países. A primeira turma reúne estudantes da Colômbia, Chile, São Paulo, Goiás, Tocantins, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A estratégia busca responder diretamente a um dos principais gargalos da economia global de inovação: a escassez de projetistas de hardware e a retenção de capital intelectual. 

Ao longo de dez meses de formação intensiva — que combina quatro meses de imersão teórica com seis meses de estágio prático dentro de indústrias locais do ecossistema —, a iniciativa não apenas viabiliza a dedicação exclusiva de quem cruzou fronteiras para estudar no Vale do Sinos, mas também projeta o Rio Grande do Sul como um polo estratégico na disputa pelo futuro da microeletrônica. 

Abertura do Curso de Projeto de Circuitos Integrados Digitais com Ênfase em Verificação – Foto: Melissa Alves

O custo de vida e a mudança de rota

Para consolidar o Estado como referência, o formato do curso exige foco total, o que tornaria inviável para estudantes conciliar a carga horária densa com empregos paralelos. Nesse cenário, o auxílio financeiro no valor de R$5 mil funciona como uma garantia de permanência na pós-graduação.

A atratividade do programa impulsionou o deslocamento de talentos de Goiânia (GO), do Rio de Janeiro (RJ), de polos do interior gaúcho — como a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) — e do exterior. Entre eles está a engenheira de telecomunicações Grazielle Caroline. Ela trocou o estado de São Paulo pelo Rio Grande do Sul motivada pela oportunidade de especialização aliada à segurança financeira.

“Tem sido um choque cultural muito intenso e o nível de exigência do curso tem sido tão grande quanto as expectativas”, relata a estudante.

A realidade de Grazielle é compartilhada por Yuri Dias, natural de Itumbiara, no Sul de Goiás. Motivado por sua paixão desde criança pela programação, achou na formação em engenheiro elétrico uma porta de entrada para trabalhar na área. “Eu venho de cidade pequena, lá não tem muito esse tipo de oportunidade. Aqui na especialização tudo que vou aprender é novo”, relata Yuri.

Imersão no mercado e fixação de talentos

A viabilização desse projeto compõe um cálculo econômico de longo prazo do governo estadual, que já conta com um histórico sólido no setor, abrigando mais de 240 empresas de eletroeletrônica e multinacionais. Com a transição da academia para o mundo corporativo dessas empresas, o Estado busca que o aporte público retorne na forma de profissionais efetivos que possam criar conhecimento e prática. Com isso, a infraestrutura escolar acaba sendo o principal norteador para o projeto, que concentra o maior número de doutores per capita do Brasil e possui 207 cursos ligados à cadeia produtiva de semicondutores.

“A proposta é promover uma formação que combine conhecimento teórico, atividades práticas e experiência profissional. A iniciativa busca preparar novos profissionais para atuar no setor de semicondutores e, ao mesmo tempo, fortalecer a cadeia de desenvolvimento tecnológico no Rio Grande do Sul”, elucida o coordenador do curso de Engenharia Elétrica da Unisinos, Sandro Binsfeld Ferreira.

Ao subsidiar a permanência de talentos, o Rio Grande do Sul tenta garantir seu espaço não apenas como consumidor, mas como desenvolvedor da economia do futuro no Brasil

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