Usamos cookies para melhorar sua experiência, personalizar conteúdo e exibir anúncios. Também utilizamos cookies de terceiros, como Google Adsense, Google Analytics e YouTube. Ao continuar navegando, você concorda com o uso de cookies. Veja nossa Política de Privacidade.

“O Aimoré é uma instituição que sobrevive e tem torcedores apaixonados”, diz presidente do clube leopoldense que completou 90 anos

O Clube Esportivo Aimoré completou 90 anos em março deste ano, tornando-se parte da história esportiva profissional e da identidade de São Leopoldo. À frente do clube até o final do mês de outubro, Carlos Ronaldo Vieira Fernandes tem uma relação ainda mais antiga com o Índio Capilé: acompanha desde os seus 12 anos, quando assistiu ao primeiro jogo. Mais tarde, fundou a primeira torcida organizada, a Torcida Jovem do Índio, e atuou como conselheiro e vice-presidente.

Presidente do Aimoré pela segunda vez, Vieira fala sobre os desafios de reaproximar o clube da comunidade leopoldense, recuperar espaço no futebol gaúcho e retornar à elite estadual. Para ele, a participação da torcida, o apoio do poder público e do empresariado e a aproximação com a universidade são fundamentais para construir os próximos capítulos da história do Aimoré.

Confira os principais trechos da entrevista:

O Aimoré completou 90 anos de história em março. O que significa comandar um clube que faz parte da história de São Leopoldo?

Eu acompanho o Aimoré desde 1972. Naquele ano, assisti ao meu primeiro jogo. Depois, fui chefe de torcida, fundamos uma torcida organizada e fui presidente dela. Mais tarde, fui convidado para ser conselheiro e fiquei alguns anos. Depois, fui vice-presidente, até disputar a eleição para presidente, quando ganhei. Fiquei dois anos e oito meses como presidente, período em que o Aimoré foi para a Série D do Campeonato Brasileiro. No final de 2024, disputei novamente a eleição e estou presidente em 2025 e 2026. O Aimoré é patrimônio da cidade. São Leopoldo é sempre lembrada pelo Padre Réus, pela Unisinos ou pelo Aimoré. Então, ser presidente, aos 90 anos, de uma instituição tão importante é motivo de orgulho para mim.

Como fazer essa história chegar às novas gerações e, ao mesmo tempo, construir uma nova história para o Aimoré?

Como todos os clubes do interior, passa por dificuldades financeiras, de organização e, às vezes, por falta de apoio da comunidade. O clube também passou por um período em que ficou licenciado das competições oficiais e, quando se tem um intervalo sem futebol, acaba-se perdendo um pouco da torcida da cidade.
Hoje, com a internet e a universalização das informações, vemos jovens muito ligados até a times de fora do Brasil. Isso tornou a vida dos clubes do interior mais difícil. Mas o Aimoré é uma instituição que sobrevive e tem torcedores apaixonados. O futebol é muito passional: se tu está bem, a comunidade vem junto; quando não está, ela se afasta. Então, precisamos tentar ir bem nas competições para recuperar novamente o gosto da cidade pelo clube. Também precisamos criar uma relação maior com as crianças. É muito mais fácil tornar uma criança apaixonada pelo clube do que um adulto de 30 ou 40 anos. Eu comecei a acompanhar o Aimoré com 12 anos e essa paixão dura até hoje. Queremos que o filho peça para o pai: “Pai, me leva lá no Aimoré”. É assim que vamos criando uma relação com a comunidade e reproduzindo a torcida.

Hoje, qual é o principal desafio que o Aimoré enfrenta para recuperar a força que já teve no futebol gaúcho?

Eu acho que precisamos de mais apoio da comunidade e trabalhar melhor a relação com o poder público e com o empresariado local. O futebol profissional está cada vez mais caro para manter uma estrutura competitiva. Se tu tens recursos financeiros, consegues montar um bom grupo e uma estrutura adequada, inclusive de logística para os jogadores. Se não tens, ficas com limitações e teu time não é tão competitivo quanto outros que têm mais recursos.

Pensando no objetivo de voltar à primeira divisão, onde poderia receber novamente Grêmio e Internacional, o que esse retorno poderia representar para o clube e para a economia de São Leopoldo?

Para o clube, voltar à primeira divisão é importante porque é uma forma de chegar a competições nacionais. Além disso, conseguimos atrair um público maior. Jogos contra Internacional, Grêmio, Caxias ou Juventude mobilizam mais a cidade. Um bom resultado contra uma equipe de renome também fortalece os vínculos com a comunidade e com o torcedor. Para o clube, isso aumenta o número de associados e gera uma renda melhor do que estando em uma divisão de acesso. Para a cidade, tudo que movimenta a economia é importante. Quando vem um Internacional ou um Grêmio jogar aqui, ou mesmo Caxias e Juventude, movimentamos a rede hoteleira, restaurantes e outros setores. O futebol está integrado a toda a rede de consumo das cidades. Esses jogos também podem aproximar novos torcedores. A maioria da torcida do Aimoré é gremista ou colorada, porque muitas vezes a família já passa essa paixão para os filhos. A descoberta do Aimoré pode acontecer quando o pai leva o filho a um jogo importante. A partir daí, começa uma relação com o clube. É importante ter esses jogos para que gremistas e colorados também conheçam o Cristo Rei e a história do Aimoré.

Entre 2021 e 2023, o Aimoré disputou a Série D do Campeonato Brasileiro. Além da visibilidade, o que essa experiência agregou ao clube?

Toda competição vai dando experiência para o clube como um todo. Começamos a jogar com equipes de fora do Rio Grande do Sul e passamos a ser lembrados também por clubes de Santa Catarina e do Paraná. O Aimoré disputou três anos a Série D, enfrentou equipes importantes desses estados e chegou a disputar uma partida contra a Portuguesa, no Rio de Janeiro. Tudo isso dá experiência e visibilidade para o clube. É uma pena que, logo depois, em 2023, o Aimoré acabou sendo rebaixado no Gauchão. Em 2024 e 2025 não foi possível voltar, e agora, em 2026, estamos lutando para retornar ao futebol gaúcho, porque é através do campeonato estadual que podemos voltar a sonhar com uma Série D.

Recentemente, estudantes de Jornalismo da Unisinos acompanharam a partida entre Aimoré e Passo Fundo e produziram conteúdos sobre diferentes aspectos do clube. Como o senhor avalia essa aproximação entre a universidade e o Aimoré?

Nós já tivemos uma relação muito boa com a Unisinos há algum tempo e estamos retomando esse trabalho. A experiência dos estudantes de Jornalismo no jogo contra o Passo Fundo foi importante para criar essa aproximação. Também já tivemos trabalhos com o curso de Design. Uma turma visitou o estádio, conversou conosco, conheceu a história do Aimoré e propôs inovações para o clube. Já tivemos, inclusive, períodos em que o Aimoré treinava no complexo esportivo da Unisinos. Também aconteceram estágios em áreas específicas que o Aimoré possui e que a universidade oferece como cursos de graduação. Quanto mais pudermos trabalhar junto com o ambiente universitário, melhor. A Unisinos é uma grande universidade e, assim como o Aimoré, também é uma referência de São Leopoldo.

Essa aproximação poderia ir além do Jornalismo, envolvendo estudantes de Fisioterapia, Educação Física, Nutrição e outras áreas?

Com certeza. Quanto mais o Aimoré puder estar ligado ao empresariado local, às comunidades de bairro, ao poder público municipal e, especificamente, ao meio universitário, melhor. A Unisinos tem uma estrutura que, se trabalharmos bem em uma parceria, ajudaria muito o Aimoré. Mas o Aimoré também pode dar retorno para a universidade, não só em termos de visibilidade, mas também com oportunidades de estágio e outros projetos. Podemos construir uma parceria que seja um “ganha-ganha” para o Aimoré e para a universidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também