Com duas edições semestrais, jornal é produzido pelas disciplinas de Jornalismo Comunitário e Fotografia no Jornalismo
Há mais de 20 anos, o curso de Jornalismo da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) fomenta a saída de campo das turmas de Jornalismo Comunitário e Fotojornalismo no Jornalismo para comunidades de Porto Alegre e São Leopoldo com o objetivo de escutar histórias, compreender diferentes realidades e trazer à tona necessidades – e conquistas – de populações invisibilizadas. O resultado destas saídas é a produção de um jornal com duas edições semestrais que, a partir de 2026, passa a se chamar Beta Comunidade, seguindo a estratégia de unificação da marca dos produtos jornalísticos elaborados pelos estudantes da Unisinos ao longo do curso.
O Beta Comunidade substitui o jornal Enfoque que, segundo o diagramador Marcelo Garcia, existia desde os anos 1970. No início, como explica Garcia, a publicação era voltada à cobertura do dia a dia do Campus de São Leopoldo. “Foi apenas em 2003 que o Enfoque começou a sair para comunidades no Vale dos Sinos”, comenta. As edições, que unem as duas disciplinas do curso, buscam levar os alunos e professores para dentro das realidades vividas na periferia e trazer olhares e pautas que beneficiem a população local.
Novo visual, mesma proposta
No início de 2026, o Enfoque mudou, mas manteve a proposta de proximidade com as comunidades. Foi repaginado, ganhou um novo design e um nome que evidencia o seu caráter social: Beta Comunidade. As duas primeiras edições foram produzidas pelos alunos do campus Porto Alegre.
Para produzir a primeira edição, as turmas percorreram a Vila do Papeleiros, um local histórico em Porto Alegre, que vive impasses entre a especulação imobiliária e a resistência da comunidade sob a liderança do ex-catador Antônio Carboneiro.
Na segunda edição, os alunos visitaram a Ilha da Pintada, umas das regiões mais afetadas na enchente de maio de 2024. Ao lado da “Bia da Ilha”, líder de inúmeras iniciativas na região, as turmas percorreram o local e ouviram histórias de uma comunidade que se reconstrói a cada dia.
Para Beatriz Sallet, professora da disciplina de Fotografia no Jornalismo, a prática desses olhares é fundamental para a formação do jornalista. “Assim como transmitimos no texto humanidade, nas fotos também temos que trazer a dignidade dessas comunidades. Essas regiões nem sempre aparecem na mídia hegemônica, e fazer o jornalismo comunitário é uma forma de incluir pautas para essas comunidades”, explica.
Mariana Oselame, professora da disciplina de Jornalismo Comunitário, entende que mais do que praticar a técnica de escrita jornalística, fomentar um olhar mais humano para essas realidades é essencial. “Visitar essas comunidades, entrar na casa da pessoas, escutar os seus dilemas e as coisas boas que acontecem nessas comunidades é fundamental para formar bons jornalistas”, afirma.
Leia o Beta Comunidade aqui.
