O beach tennis surgiu na Itália, mas foi no Brasil que a modalidade encontrou um dos seus maiores públicos. Nos últimos anos, o esporte cresceu rapidamente em diferentes regiões do país e deixou de ser apenas uma atividade de lazer em áreas litorâneas para se transformar em um fenômeno social, esportivo e até econômico. Em Porto Alegre, o cenário não é diferente: cada vez mais jovens ocupam praças, parques e academias especializadas em busca de diversão, qualidade de vida e competição.
A popularização do beach tennis acontece por diferentes motivos: além de ser considerado um esporte fácil de aprender, a modalidade também chama atenção pelo ambiente descontraído e pela forte interação social criada dentro das quadras. Nas redes sociais, atletas, influenciadores e praticantes compartilham torneios, treinos e momentos de convivência, aproximando ainda mais o público jovem do esporte.
Para o professor e atleta Marcello Cidade, vai muito além da prática esportiva. Segundo ele, a modalidade acabou se transformando em um estilo de vida para muitos praticantes. “O beach tennis cria uma integração muito rápida entre as pessoas. É um ambiente acolhedor, diferente de esportes mais individuais”, afirma.
Além da socialização, Cidade também destaca os benefícios físicos e mentais proporcionados pela modalidade. A prática ajuda no condicionamento físico, na resistência e principalmente no alívio do estresse do cotidiano. A popularização também está ligada à facilidade de acesso ao esporte: muitas pessoas começam por curiosidade e acabam permanecendo pela experiência social criada dentro das quadras.
O crescimento do beach tennis no Brasil aparece em números da Confederação Brasileira de Tênis (CBT): a estimativa de praticantes da modalidade passou de aproximadamente 400 mil em 2021 para cerca de 1,1 milhão em 2023.
Mercado esportivo
Com essa expansão, o esporte também passou a movimentar também o setor empresarial. Academias especializadas começaram a surgir em diferentes cidades, impulsionadas pelo aumento na procura por aulas e espaços para prática esportiva. O empresário e professor Nelson Cunha acompanha esse crescimento desde o início. Proprietário da academia Pé na Areia, em Porto Alegre, Cunha afirma que percebeu o potencial do esporte ainda em 2009. Ele destaca que atualmente o mercado se tornou bastante competitivo devido ao aumento acelerado de academias especializadas.
No cenário profissional, um dos principais nomes do beach tennis brasileiro é Felipe Loch, atual número 1 do Brasil e terceiro colocado no ranking mundial. Vivendo diariamente a rotina de competições internacionais, o atleta diz que nunca imaginou transformar o esporte em profissão quando começou a jogar. Hoje, reconhece que a vida de atleta profissional exige muitas renúncias. A rotina envolve viagens constantes, treinos intensos e pressão por resultados, além da necessidade de conciliar a carreira esportiva com os estudos e a vida pessoal. Mesmo assim, destaca que o beach tennis abriu oportunidades únicas dentro do esporte: “Representar o Brasil em torneios internacionais é motivo de muito orgulho”.
Loch acredita que ainda há muito espaço para a modalidade crescer no Brasil. O aumento de torneios e de atletas profissionais mostra que o beach tennis vem deixando de ser apenas uma atividade recreativa para ganhar força no cenário esportivo internacional.
