A paixão pelo clube do coração e o desejo de externalizar essa conexão foram pontos de partida para que Gustavo Medeiros se estabelecesse como influenciador esportivo nas redes sociais, especialmente no Rio Grande do Sul. Produzindo vídeos de cunho humorístico, análises e identificação com o torcedor, ele construiu sua presença na internet a partir de um elemento essencial: a autenticidade.
Hoje, aos 22 anos, o criador de conteúdo já vivencia uma realidade diferente daquela do início da carreira, quando ainda enfrentava dificuldades técnicas e dava os primeiros passos no ambiente digital. Com cerca de 200 mil seguidores em todas as plataformas, passou a conquistar reconhecimento do público e oportunidades profissionais, consolidando seu nome no cenário digital e ampliando sua atuação no universo do futebol.
Nesta entrevista, realizada em 30 de março, o influenciador falou sobre o início da trajetória, os desafios da exposição nas redes sociais, a relação com o público e os objetivos que ainda pretende alcançar na carreira.
O que te motivou a iniciar uma carreira como influenciador esportivo?
Na época, era porque eu gostava muito de futebol, sempre fui muito apaixonado, e claro, ainda sou. Eu vivo o futebol todos os dias da minha vida. Eu queria mostrar isso de alguma forma, mostrar para as pessoas o quanto eu amo o futebol.
Te expor nas redes foi um processo tranquilo? Como tu te sentias e como as pessoas reagiram?
No início foi meio difícil, porque eu não tinha muita noção de edição, então ficava meio ruim. Mas sempre fui de dar a cara à tapa, sempre tive coragem. Isso foi negativo em alguns pontos, mas também bom para aprender com os erros. Sobre a família, meu pai não via muito valor, porque achava que não dava dinheiro. Ele até apoiava, mas não dava muita importância, não engajava como muitos pais de criadores fazem hoje. A partir do momento que eu vi que aquilo podia virar uma profissão, porque começou a crescer bastante, ele também foi percebendo isso. Hoje em dia, ele já dá mais valor e divulga meu trabalho. Mas é aquela coisa, é uma geração mais antiga, que não acredita tanto no poder da internet. Quando começa a ver retorno financeiro, passa a enxergar diferente. Com os amigos, alguns me apoiaram e outros riam. Hoje em dia não riem mais, mas é algo normal no início, quando você ainda não tem um nome e ainda está crescendo.
Hoje, na tua visão, é possível viver apenas como criador de conteúdo?
Vou te dar a real: se você não se preocupa com renda fixa, dá pra viver tranquilamente como criador de conteúdo. Agora, se você quer uma renda garantida, 100%, no valor que você considera ideal como adulto e profissional, acho que tem que dosar, fazer outras coisas da tua área junto com a criação de conteúdo. Porque, dependendo do patamar, o criador ganha bem, sim. Mas até chegar nisso e se manter, é importante ter estrutura. Pra ganhar bem mesmo, tem que ter, pelo menos, uma assessoria. Isso é o básico. Alguém que te indique pra parcerias, porque sozinho é muito mais difícil. Hoje eu tenho assessor, e isso é fundamental para crescer profissionalmente e na questão financeira.
Produzir conteúdo ou acompanhar o futebol como torcedor?
Cara, eu gosto dos dois. Porque, acima de tudo, eu sou torcedor. Foi a partir dessa paixão pelo futebol e pelo Inter que eu comecei a mostrar isso nas redes sociais. Tento transparecer isso em todos os vídeos que eu faço, seja de humor, análise ou até algo mais educativo. Sempre procuro mostrar esse amor que eu tenho pelo futebol e pelo Inter, de forma que as pessoas realmente sintam essa paixão.
Como tu lidas com críticas, hate e até possíveis rixas entre influenciadores?
Eu acho que isso é meio complexo, e, acima de tudo, tem que ter profissionalismo. Se você não tem isso, perde a tua essência. Quando você recebe hate, claro, pode denunciar ou tomar alguma atitude, mas a ideia não é responder e acabar gerando ainda mais hate. Responder na mesma moeda pode te queimar. Então o melhor é deixar quieto ou resolver de forma mais séria, sem replicar o ódio que a pessoa trouxe. Já recebi algumas críticas, principalmente de gremistas, mas nada muito fora do normal. Nunca foi algo que me fizesse pensar em parar ou que colocasse minha segurança em risco. Foram situações pontuais, de gente que às vezes passa do limite, mas nada além disso.
És reconhecido na rua ou nos estádios? Como é a relação com o público?
Sim! Sou reconhecido na rua e nos estádios. Sempre tento lidar bem com isso. A primeira vez que me pediram uma foto até me assustou, tipo, de ver onde eu tinha chegado. Mas tirei foto tranquilo, brinquei, falei ‘bah, tô famoso’, com a minha namorada depois. Hoje eu acho muito legal esse reconhecimento. Às vezes estou passeando no shopping e as pessoas, principalmente crianças, vêm pedir foto, ficam me seguindo. É meio diferente, mas é muito legal. É muito bom ver esse retorno do público.
Quais foram os momentos e conquistas mais marcantes na tua trajetória até aqui?
Acho que o principal foi no ano passado, quando eu representei o Inter através da Coca-Cola e da Powerade na Libertadores. Para mim, foi o auge como criador de conteúdo, porque a Coca sempre foi uma marca muito presente na minha vida, então foi algo que mexeu comigo. Eu acompanhei toda a campanha do Inter na Libertadores, da fase de grupos até a eliminação, e tive a oportunidade de viver o clube de uma forma diferente, representando o Inter junto com a marca. Também viajei para São Paulo, gravando com outros influenciadores e vivendo essa experiência com gente de vários clubes. Além disso, tive outras experiências marcantes, como viajar sozinho para ver jogos do Inter, o que também foi importante para mim. Teve até uma situação engraçada em Minas, quando passei na frente da sede da torcida do Atlético Mineiro com a camisa do Inter e quase apanhei. Mas, no geral, são experiências que mostram o quanto tudo isso vale a pena.
Quais objetivos como influenciador tu ainda buscas alcançar?
Além de seguidores e números, eu acho que o criador de conteúdo tem que mostrar o que ele pensa e o que ele representa como pessoa. Meu objetivo é sempre trazer um conteúdo legal, sem ofender ninguém, e fazer com que meu perfil seja reconhecido nacionalmente, mas da forma certa. Sempre fazendo as coisas do jeito correto, sem passar por cima de ninguém. Eu tenho muito orgulho disso, porque hoje em dia muita gente faz de tudo para crescer, até prejudicando os outros, e eu não concordo com isso. E um sonho que eu tenho é fechar com uma marca para ir para a Copa do Mundo. Se surgisse uma oportunidade assim, eu iria na hora, com certeza, para produzir conteúdo lá dentro e viver essa experiência.
Existe alguma opinião tua sobre futebol que costuma gerar polêmica?
Acho que às vezes gera polêmica quando eu satirizo algum jogador, faço conteúdo de humor. Porque tem gente que não entende que é meme, que é algo engraçado, e acaba levando para o lado pessoal. A pessoa vê um conteúdo que é claramente de humor e trata como se fosse sério, aí começa a destilar ódio nos comentários. Isso acaba tirando um pouco da essência do humor. Mas faz parte, sempre vai ter alguém que vai levar a sério o que é para ser só uma brincadeira. Aí já vai de cada um.
Uma mensagem para quem deseja iniciar como influenciador digital esportivo?
Se você quer começar a criar conteúdo, primeiro tem que ter coragem. Não pode ter medo de sofrer crítica. E, acima de tudo, tem que saber quem tu é e o que quer representar. Pode sofrer hate, pode ser criticado, mas tem que ter coragem e entender que aquilo ali é o que você faz e ama. Eu cheguei aonde eu estou porque faço o que eu amo. Eu amo futebol, amo o Inter e tento passar isso para todo mundo.
