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Determinação e superação no tiro com arco paralímpico

                          Natural de São Paulo, Verônica Maria Villanova Valente, de 22 anos, é paratleta de tiro com arco e estudante de Publicidade e Propaganda. Nascida com mielomeningocele, condição congênita que afeta a formação da medula espinhal, Verônica é cadeirante e encontrou no esporte uma de suas grandes paixões.

Sua trajetória esportiva começou ainda na infância, com experiências na capoeira, no balé e na dança. Inspirada pelos Jogos Paralímpicos, iniciou sua caminhada no tiro com arco em 2022, em Porto Alegre. Desde então, conquistou recordes gaúchos e alcançou o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro Paralímpico.

Atualmente, mora em Florianópolis, onde integra a equipe de competição da Arqueiria Wolff. Com o sonho de representar o Brasil nos Jogos Paralímpicos, Verônica busca também incentivar a inclusão e mostrar que o esporte é para todos.

Verônica Valente e Jane Karla Gögel, paratleta e líder no ranking mundial na categoria W2. Foto: Adriane Valente

Segue entrevista abaixo:

Beta Redação – Para quem nunca teve contato com o tiro com arco, como você explicaria o que é esse esporte?

Verônica Valente – O tiro com arco, é um esporte de precisão, em que o atleta vai utilizar um arco para disparar flechas em um alvo. Você vai ficar a uma determinada distância a depender da categoria que esse atleta vai competir. Então, por trás, vão existir uma série de regras, que o atleta vai aprendendo com o decorrer das aulas até se tornar natural, para que ele consiga executar da forma mais similar possível todos os disparos.

Beta Redação – Como iniciou sua trajetória no esporte de tiro com arco?

Verônica Valente – Eu desde pequena sempre gostei muito de esporte, dancei por muito tempo e gostei de atividade física, na verdade, como um todo, desde sempre. Mas nas Paralimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, eu pude ir. Assisti algumas modalidades esportivas, até aquele momento eu não conhecia o tiro com arco. Nas Paralimpíadas de 2021, que foram em Tóquio, eu acompanhei pela televisão e lá eu pude ver a equipe do Brasil competindo no tiro com arco. E aí descobri a modalidade, descobri que tinha um clube que eu poderia experimentar. E aí foi amor ao primeiro tiro, fiz a primeira aula e nunca mais parei.

Beta Redação – O que o esporte representa para você hoje?

Verônica Valente – Eu acho que o tiro, para mim, vai muito além de uma paixão. Ele envolve ter objetivos, algo que faz parte de quem eu sou. Ele é uma parte muito importante da minha vida, interfere em tudo da minha rotina, em todas as minhas decisões. E para além de sonhos que eu tenho, objetivos que eu tenho, como as Paralimpíadas de Los Angeles em 2028, eu tenho também muitas amizades que durante todo esse tempo, eu fui colhendo. E venho mantendo durante todos esses anos.

Treino de tiro com arco. Foto: Adriane Valente

Beta Redação – Qual foi o momento mais marcante da sua trajetória como atleta?

Verônica Valente – No meu primeiro ano como atleta competindo mesmo, eu fui ao Campeonato Brasileiro paralímpico, lá em São Paulo, em 2023, e nesse mesmo ano eu fiquei em terceiro lugar no individual. Peguei a medalha de bronze e fiquei em terceiro lugar na seletiva para seleção paralímpica, em que as 2 primeiras colocadas entrariam para a seleção.

Beta Redação – O que o tiro com arco te ensinou sobre você mesma?

Verônica Valente – Eu acho que o tiro com arco é um esporte que envolve muito o autoconhecimento, me fez ter muito mais autoconhecimento e faz cada vez mais. Mas acho que ele me tornou muito mais persistente e confiante e me ensinou a entender melhor os meus limites e as minhas capacidades por ser um esporte que lida com tantos detalhes.

Beta Redação – Como o tiro com arco é adaptado para atletas cadeirantes? O que muda em relação à prática convencional?

Verônica Valente – No tiro com arco paralímpico a gente tem algumas categorias, então a gente tem a categoria W1, que é para atletas que tem um comprometimento físico maior, mais significativo, que afete pelo menos 3 membros. Já a categoria W2, que é onde eu compito, que é uma classe para atletas com paraplegia e outras deficiências equivalentes, como amputações. Tem também as categorias V1 e V2, que é para deficientes visuais, então para quem tem um pouco de visão e para quem não tem nem um pouco de visão e aí elas são feitas com um apoio. É uma referência tátil que o atleta vai colocar a mão, vai encostar ali e vai saber que está sempre no mesmo ponto para saber que estão disparando sempre na mesma altura, na mesma lateralidade.

Beta Redação – Quais são os principais desafios de acessibilidade que você encontra para treinar e competir?

Verônica Valente – Eu acho que a acessibilidade nos espaços é algo que tem muito a melhorar ainda, tanto nos locais de treino quanto nos locais de competição. Por exemplo, banheiros, muitas vezes não tem banheiros acessíveis nos locais, tanto no local de treino, quanto no local de prova também. E as rampas, às vezes elas existem, mas elas não têm angulação correta, então elas não ficam tão fáceis de serem utilizadas, além da própria estrutura dos locais que podem dificultar deslocamento, por exemplo, um campo que tenha. Um gramado muito irregular torna um pouco mais difícil o deslocamento. São detalhes que são pequenos, mas que se tornam barreiras muito grandes.

Beta Redação – Como foi a mudança de casa? Sair de Porto Alegre para Floripa. Como foi tua adaptação?

Verônica Valente – Depois de passar praticamente dois anos completos competindo com uma mesma equipe, mudei totalmente, então tem outro técnico, tem outros colegas de equipe e vem sendo muito interessante. Eu tenho aprendido bastante e tenho conhecido colegas bem interessantes de equipe, bem legais, que tem me dado muito suporte nessa recepção em uma nova cidade, em um novo estado. Tem sido muito legal.

Equipe Arqueiria Wolff. Foto: arquivo pessoal

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