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Evento debateu Inteligência Artificial e dados públicos na Unisinos Porto Alegre

A Unisinos Porto Alegre recebeu o debate “IA e Dados Públicos” como parte do evento Open Data Day – Dia dos Dados Abertos – no dia 25 de março. Open Data Day é um evento mundial, organizado pela Open Knowledge Foundation (OKFN), que conta com sua edição local na Unisinos Porto Alegre desde 2019.

O debate contou com os profissionais Bruno Morassutti, cofundador e diretor de Advocacy da Fiquem Sabendo; Daniela Cravo, procuradora-chefe da Procuradoria de Transformação Digital e Inovação (PTDI) de Porto Alegre; Diego Ferreira, fundador da Otus Solutions; Francisco Amorim, coordenador do projeto LABIA em pesquisa de pós-doutorado na UFRGS; Maria Clara Aquino, coordenadora do Instituto de Cultura Digital da Unisinos; e do jornalista William Martins como mediador. 

Com o auditório cheio, o evento abordou como ferramentas de Inteligência Artificial (IA) vêm sendo utilizadas para analisar grandes volumes de dados governamentais, ampliando o acesso à informação e fortalecendo práticas de transparência. Durante a apresentação, foi destacado que a combinação entre tecnologia e dados abertos pode transformar áreas como jornalismo, políticas públicas e controle social. 

A procuradora Daniela Cravo chamou atenção para o papel da transparência na administração pública e os limites impostos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Segundo ela, nem todo dado pode ser disponibilizado, e é necessário encontrar um equilíbrio entre acesso à informação e proteção de dados pessoais. Ainda assim, reforçou que o uso de IA no meio jurídico já não é mais opcional: “Se não usar, você não sobrevive”, afirmou, destacando a transformação em curso no Judiciário.

Outro ponto forte da discussão foi a falta de preparo das instituições para lidar com essa nova realidade. Foram citados problemas como dados desorganizados, ausência de profissionais especializados e dificuldades na integração entre sistemas. A rápida inserção da IA contrasta com estruturas ainda pouco organizadas, o que pode comprometer resultados e gerar erros.

    O analista de sistemas e mestre em epidemiologia Diego Ferreira trouxe uma visão técnica, explicando que os dados precisam “conversar entre si” para gerar valor. Ele destacou ainda que há escassez de profissionais de tecnologia capacitados para lidar com falhas e inconsistências, além do alto custo de pesquisas de qualidade. Para Ferreira, consultar diferentes bases de dados é essencial para enriquecer análises e evitar conclusões superficiais.

A governança de dados também apareceu como um elemento central com o exemplo de Porto Alegre, que já possui iniciativas e decretos voltados ao tema, mas ainda há muito a evoluir. A falta de clareza sobre como os dados circulam e são utilizados dentro do Estado foi apontada como um dos principais entraves.

IA no jornalismo

Do ponto de vista do jornalismo, o pesquisador Francisco Amorim destacou o crescimento do jornalismo de dados e o papel da IA nesse contexto. Ele alertou para o desafio global da desinformação, que tende a se intensificar com o uso dessas tecnologias. “Verificar é caro e lento”, ressaltou, defendendo que o jornalista continue sendo essencial no processo, mesmo com o avanço das ferramentas automatizadas.

A palestra também abordou o uso responsável da IA. Bruno Morassutti, que atua na área jurídica e de dados, destacou a importância de compreender as ferramentas antes de utilizá-las. Segundo ele, muitos erros acontecem já na origem, nos pedidos de informação mal formulados. Ele ainda sugeriu que o acesso a prompts utilizados por órgãos públicos pode ser um caminho interessante para ampliar a transparência sobre o uso de IA.

Cerca de 80 pessoas participaram do evento, principalmente estudantes da Unisinos, mas também pessoas de fora da comunidade acadêmica interessadas no tema. Os jornalistas Fernanda Feltes e Lucas Azeredo, por exemplo, relataram que souberam do evento através de sua faculdade e se interessaram pela possibilidade de agregar novos conhecimentos ao trabalho.

Entre as reflexões finais, ficou a ideia de que a IA deve ser vista como ferramenta, e não substituta. Apesar de suas capacidades, ela ainda pode “alucinar” informações, como foi mencionado durante o evento. Por isso, o papel humano, especialmente no jornalismo, segue sendo indispensável.

Painelistas e comissão organizadora celebraram conexão entre suas perspectivas sobre o tema (Foto: Erika Ferraz)

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