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Mais do que um estádio: uma vida dentro do Aimoré

Moradora do Cristo Rei há mais de quatro décadas, torcedora do Aimoré acompanha o clube dentro e fora dos campos de futebol.

Existem pessoas que moram perto de estádios. Outras ainda moram em frente a eles. E tem quem more dentro deles, literalmente sob as arquibancadas onde a torcida do Aimoré grita seus gols há 90 anos.

Em um estádio de futebol, algumas histórias não estão apenas dentro do campo. No Estádio Monumental do Cristo Rei, em São Leopoldo, a relação entre o Aimoré e seus torcedores ganha um significado ainda mais íntimo na história de Maria Elisabete Haubert, de 79 anos.

Moradora do Cristo Rei há mais de 40 anos, Maria divide a casa com o filho, Cristiano Haubert, e fala do lugar onde vive com o carinho de quem não apenas acompanha um clube, mas também constrói parte da própria vida dentro dele. “É tudo de bom aqui no Aimoré”, resume.

A história, porém, começou antes mesmo de o estádio atual se tornar sua casa. Maria conta que ela e a família moravam no antigo Estádio Taba Índia, na região do Rio dos Sinos, e acabaram acompanhando a mudança do clube para o Cristo Rei. A vida da família, de certa forma, caminhou junto com a trajetória do Índio Capilé.

O time que também guardou uma mãe

Entre as lembranças que guarda com mais carinho, Maria Elisabete voltou os olhos para dentro de sua própria história. Foi ali, no mesmo lugar onde hoje ouve a torcida, que sua mãe, Alaídes Haubert, viveu até os últimos anos de uma longa vida. Ela morreu aos 99 anos, em 2023.

“Eu lembro de tudo, de todas as coisas boas que a gente já passou aqui no Aimoré”, diz ela, e a frase carrega o peso de décadas de gols, decepções, reencontros e uma vida inteira de pertencimento.

Maria Elisabete Haubert, de 79 anos, também torcedora do Grêmio, deixa claro que, antes de qualquer outra paixão futebolística, vem o Aimoré (Foto: Mônica Lima / Beta Redação).

Um jogo, muitas histórias

Sempre que a bola rolar em campo, Maria Elisabete não vai precisar de ingresso, nem de fila ou de transporte até o estádio. Basta abrir a porta de casa. Mas o que a aproxima da partida vai muito além do físico: é a certeza de que cada jogo carrega dentro de si um pedaço de sua própria vida e da história de um clube que, para essa família, sempre foi, antes de qualquer camisa, o verdadeiro time do coração.

Mesmo enquanto o apito inicial ainda não soa, ela já sabe: seja qual for o resultado em campo, ali dentro, na simplicidade de uma vida de fé no clube azul e branco, o Aimoré já venceu há muito tempo.

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