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Sérgio Boaz: “Decidi fazer a opção em me identificar”.

Sérgio Boaz é jornalista e comunicador gaúcho, com mais de 40 anos de trajetória profissional, especialmente dedicados ao jornalismo esportivo. Iniciou sua carreira na Rádio Gaúcha, em 1984, e, ao longo das décadas, consolidou sua atuação no rádio, passando também por importantes veículos de comunicação do Rio Grande do Sul. Reconhecido pela cobertura esportiva, especialmente do futebol gaúcho, Boaz construiu uma carreira marcada pela experiência como repórter, apresentador e narrador.

Por que você escolheu o jornalismo esportivo? 

Eu escolhi o jornalismo esportivo porque sempre me identifiquei com esporte sempre gostei de ouvir rádios de fora do estado. Meu pai tinha um rádio chamado Transglobe que pegava rádios do Rio de Janeiro e de São Paulo e eu ouvia muito futebol ali. Então eu comecei a observar aqueles repórteres que vinham de outros lugares do Brasil e aí eu comecei a pensar que um dia eu queria ser como eles, acabou sendo assim a minha trajetória e eu escolhi o jornalismo esportivo por gostar muito de esporte. 

Qual foi o momento mais positivo que marcou sua carreira?

Momento mais positivo que marcou a minha carreira sem dúvida foi a primeira Copa do Mundo na Alemanha no ano de 2006, foi a grande oportunidade que eu tanto esperava, que é muito difícil pra um profissional chegar a uma Copa do Mundo, pois tem que trabalhar muito, trilhar um longo caminho, então esse foi o momento mais importante, mais positivo na área do futebol. Mas, em 1996, eu fiz uma grande cobertura em Atlanta, nos Estados Unidos, das Olimpíadas e ali foi talvez a minha melhor cobertura esportiva de todos os tempos, porque não tínhamos um avanço tecnológico como hoje. E a gente improvisou bastante, tínhamos que fazer muitas improvisações, porque as coisas não eram tão instantâneas como hoje, então foi o evento que mais me marcou, em 1996, em Atlanta. 

Boaz concedeu a entrevista em seu local de gravação. Foto: Lívia Boaz/Beta Redação

Qual foi o momento mais difícil que você passou na sua trajetória? 

O momento mais difícil eu acho que é pra todo mundo buscar o espaço, é um meio muito disputado então tem que aproveitar bem as oportunidades e não é fácil conquistar o seu espaço pela qualidade que tem os colegas, encontrei muitos colegas qualificados no meu caminho então o momento mais difícil foi achar o encaixe, achar o caminho pra dar seguimento à minha carreira. 

Qual personalidade do meio esportivo você mais admira? 

Quem eu mais admirei no meio esportivo foi o Pelé. Hoje, eu gosto muito do Messi, falando de futebol, gosto muito dele; acho ele uma grande personalidade esportiva, mas sem dúvida nenhuma o imbatível foi Pelé. E jornalista, o Galvão Bueno.

Como foi a sua passagem como jornalista não identificado por tanto tempo ao assumir uma identificação gremista na tua formação?

Fiquei tanto tempo sem me identificar até porque trabalhava numa rádio, em uma época, quando a gente não deveria se identificar, e eu consegui desenvolver o meu trabalho com muito profissionalismo, com muita tranquilidade e nunca deixei me envolver emocionalmente com nada. Depois, quando eu saí de lá, decidi fazer essa opção em me identificar. Não é fácil, é um caminho bastante difícil, mas eu procuro adotar uma linha de respeito e fazer um trabalho o mais profissional possível. 

O que mudou pra você assumir uma identificação pelo Grêmio? 

O que mudou, eu acho, foi que a minha exposição aumentou muito. Fiquei evidentemente muito mais exposto, as pessoas me olhando diferente, falando comigo diferente, cobrando de uma forma diferente, mas nada que fuja aquilo que eu tive na minha formação, de modo que procuro ter bastante tranquilidade. 

Qual a dificuldade de ser um jornalista identificado? 

Eu acho que a maior dificuldade é o momento da crítica, porque eu sou jornalista um identificado mas não fico fazendo nenhum tipo de confusão, gosto de falar aquilo que eu vejo, aquilo que eu sinto, aquilo que pra mim realmente é um fato jornalístico, sem misturar a paixão com a informação. Então, talvez as pessoas devam entender que para ser identificado, acima de tudo, você deve continuar sendo jornalista. 

Fica à vontade para falar algo que, eventualmente, queiras.

O que eu acho que é muito bacana, é que mesmo não sendo exigido o diploma atualmente, é fundamental que todos cursem jornalismo, que passem pelas disciplinas da faculdade, pela formação técnica, pela formação profissional de caráter. Então eu considero fundamental o curso de jornalismo, e gostaria que  voltasse a ser exigido o diploma para a atuação na área.

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