Localizada na rua Pastor Hilbk de São Leopoldo, a Cooperativa de Trabalho dos Catadores do Bairro Feitoria funciona há mais de 10 anos de forma regulamentada em parceria com a prefeitura da cidade.
O fundador e tesoureiro, Josué Carvalho dos Santos, explica que essa parceria promove não somente a limpeza e sustentabilidade dentro da cidade, mas também a manutenção financeira da cooperativa, que posteriormente vende as separações para as compradoras interessadas.
Os pagamentos correspondem aos cargos dos cooperados e estão acima de um salário mínimo. Contudo, quando as metas de vendas são ultrapassadas, o valor é chamado de “sobra” e é distribuído igualmente para todos os membros. “Essa é a grande diferença de uma empresa para uma cooperativa. Na empresa, é lucro. Na cooperativa, é sobra”, explica Josué.
Existem leis gerais para as cooperativas do país, no entanto, esse tipo de serviço não corresponde a um contrato de regime CLT. Os trabalhadores são sócios cooperados, isso significa que as decisões são tomadas por meio de assembleias, onde todos participam e discutem formas de organização. Na dos Catadores do Bairro Feitoria, os trabalhadores atuam em jornada 5×2 e recebem por insalubridade. Mas todo o regulamento é esclarecido antes do contrato.
Josué explica que existem três eixos base no ramo da reciclagem: financeiro, social e ambiental: “Nós temos uma demanda. Isso é financeiro. O social é a pessoa escolher ficar, é você valorizar o trabalho”. Sobre a parte ambiental, Josué acrescenta: “Quantas árvores deixaram de ser derrubadas porque nós colocamos mais de 20 toneladas de volta na cadeia produtiva? O ambiental tem que ser resultado do teu trabalho”.
Oséias da Rosa Alves, que é motorista e auxiliar de produção na cooperativa há pouco mais de um ano, fala sobre suas conquistas após iniciar os trabalhos no local: “Eu tinha um sonho de tirar a carteira para caminhão e aqui eu consegui realizar”.
Josué explica que já atuou como catador individual, mas que a insegurança diária o fez repensar: “Eu era muito refém de mim, ficava muito exposto, então comecei a ter a ideia de trabalhar em grupo”. Além disso, reforça o significado do social por trás do cooperativismo: “É ter qualidade de vida. É transformar o lixo não em luxo, mas em oportunidades”.
