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Soja impulsiona crescimento das exportações gaúchas no segundo trimestre de 2026

Alta de 54,9% nos embarques de soja e retomada das vendas para a China ajudam o Rio Grande do Sul a registrar avanço de 16,3% nas exportações no segundo trimestre

No primeiro semestre de 2025, as exportações do Rio Grande do Sul cresceram apenas 2,3%, apesar da queda de 29,3% nas vendas de soja em grão. Já no segundo trimestre de 2026, as exportações avançaram 16,3%, chegando a US$ 5,4 bilhões, com a soja crescendo 54,9% e sendo a principal responsável pelo avanço.

Além disso, segundo Departamento de Economia e Estatística (DEE) do Governo do Rio Grande do Sul,
há uma inversão interessante envolvendo a China: no primeiro semestre de 2025, as exportações gaúchas para o país caíram 25,1%, enquanto no segundo trimestre de 2026 a China foi justamente o destino que mais contribuiu para o crescimento, acrescentando US$ 268,6 milhões.

O economista Giovani Coorp explica a aceleração das exportações do RS em 2026, depois de um crescimento bem mais moderado registrado em 2025: “A aceleração das exportações gaúchas em 2026 foi impulsionada pela recuperação dos embarques agropecuários e pelo forte desempenho da agroindústria de alimentos. Entre janeiro e julho, as vendas externas do RS cresceram 5,8%, com acréscimo de US$ 645,9 milhões frente ao mesmo período de 2025.”

A agropecuária foi o principal vetor do resultado: suas exportações avançaram 26,7%,adicionando US$ 515,1 milhões à pauta, com destaque para soja em grão, milho em grão e reprodutores bovinos. Na indústria de transformação, que representa 79,2% das exportações do RS, o crescimento foi de apenas 1,5%, concentrado no segmento de alimentos, puxado por óleo de soja em bruto, farelo de soja e produtos cárneos.

Pilhas de Sacas de Grãos (Soja) Foto: Maria Victória Ensslin

Portanto, a melhora de 2026 não representa uma recuperação generalizada da pauta. Ela decorre principalmente da combinação entre a maior contribuição da agropecuária e o bom desempenho da agroindústria de alimentos, enquanto segmentos tradicionais, como tabaco, couro e calçados, produtos de metal e celulose e papel, seguiram em queda.

Giovani Coorp comenta a situação da China, que passou por uma contribuição negativa em 2025 para ser o mercado que mais impulsionou as exportações gaúchas no segundo trimestre de 2026. O economista disse: “A China trouxe esse resultado principalmente pela recuperação das vendas de soja em grão. Os embarques do produto ao país alcançaram US$ 810,7 milhões, alta de 48,4% frente ao mesmo período de 2025. Com maior oferta disponível após a colheita, as vendas de soja concentraram-se entre abril e junho e alteraram o resultado das exportações ao mercado chinês.”

A importância da China é elevada: o país respondeu por 19,7% das exportações totais do RS no segundo trimestre. Ao mesmo tempo, essa relação é concentrada em commodities, especialmente soja em grão. Por isso, a China é decisiva para as exportações do RS, mas também torna o desempenho da pauta gaúcha mais sensível às condições da safra, à demanda chinesa e ao calendário de comercialização do produto.

Pilhas de Sacas de Grãos (Arroz) Foto: Maria Victória Ensslin

O cenário externo ainda favorece as exportações, mas em ritmo moderado: o FMI projeta crescimento mundial de 3,0% em 2026, com expectativas ajustadas para baixo. A continuidade das vendas de carnes, farelo e óleo de soja para mercados da Ásia, do Oriente Médio e da União Europeia pode sustentar a pauta gaúcha, especialmente se houver ampliação de destinos. O principal risco está na fragilidade de segmentos industriais tradicionais.

Demanda internacional mais fraca, volatilidade cambial, barreiras comerciais (como as impostas pelos Estados Unidos), restrições sanitárias (como a dos antimicrobianos da União Europeia) e custos mais altos de energia (advindos dos choques do petróleo, em consequência do conflito no Oriente Médio) e logística podem dificultar a recuperação desses ramos de exportação.

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