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A difícil arte de organizar uma estante

Ou: como descobrir que sempre falta espaço

Minha estante está cheia.

Percebo isso todos os dias quando acordo e me deparo com minha estante amontoada de livros e quadrinhos e, curiosamente, ela parece mais lotada a cada dia em que me levanto da cama. Sempre fui um leitor assíduo, principalmente de quadrinhos e coisas que envolvem a cultura pop e, como uma boa pessoa dessa área, também fui picado pelo mosquito do colecionismo. Então, além do gosto pela leitura e por descobrir coisas novas, também me sinto na obrigação de completar coleções de mangás – os quadrinhos japoneses – ou simplesmente coleções de editoras e diversas sequências. É um problema que parece não ter fim.

Um problema bom, ressalto. Eu acho genuinamente gostoso tirar todos os livros, fazer um cálculo mental e me esforçar para colocar todas as novas aquisições, manter um padrão de autores próximos uns dos outros, editoras e outras coisas que fazem sentido apenas na minha cabeça. Não se engane: eu acho gostoso, mas qualquer um que tenha 220 mangás em mãos – que dão cerca de 10 coleções completas – ficaria desesperado pensando em como ajustar tudo. E o pior é que ainda há muitos títulos e quadrinhos com espessura muito maior do que os finos mangás de 13,5 cm x 20 cm, com geralmente 180 páginas.

É nesse momento que deixo de ser apenas um leitor ou colecionador. Para reorganizar a estante, preciso me tornar um pouco matemático e arquiteto. É necessário calcular quantos volumes cabem em cada espaço, imaginar onde uma coleção poderá continuar crescendo e descobrir qual livro pode ser deslocado para que outro consiga ocupar aquele pequeno espaço que, até alguns minutos antes, parecia inútil. Não basta organizar o que já tenho: é preciso pensar também no que ainda não tenho, mas certamente terei em algum momento.

Depois de alguns cálculos, mudanças e pequenos ajustes, finalmente tudo parece caber. É nesse momento que surge uma sensação de vitória difícil de explicar. Olho para a estante, agora organizada, e penso que finalmente consegui. Cada coleção está em seu lugar, nenhum volume ficou perdido e, por algum milagre, ainda existe um pequeno espaço sobrando. Por alguns minutos, sou convencido de que o problema foi resolvido.

Então lembro dos quadrinhos que estão chegando.

Depois desse embate vencido, vem um novo problema. Sei que terei que fazer exatamente todo esse processo novamente em breve, pois já tenho mais quadrinhos no meu carrinho da Amazon, apenas esperando o pagamento ser efetuado, e a tradicional loja de quadrinhos Tutatis, em Porto Alegre, esperando para ser visitada em um sábado qualquer.

Sei que a coleção vai aumentar. De novo.

Mas, por enquanto, a solução é simples: reorganizar tudo mais uma vez. Afinal, os próximos livros só chegam semana que vem.

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