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Harry Styles aposta na pista de dança no álbum “Kiss All The Time. Disco, Occasionally”

Entre experimentação eletrônica, desejo e nostalgia, o cantor alterna ousadia e familiaridade em um retorno ambicioso
Harry Styles no palco do BRIT Awards 2026. (Foto: Gareth Cattermole/Getty Images)

Após três anos de hiato, Harry Styles retorna aos palcos com seu novo álbum intitulado Kiss All The Time. Disco, Occasionally, com 12 faixas, foge do padrão do cantor e traz uma sonoridade dançante no estilo clássico europeu — marcado por influências synthpop, presentes nas sonoridades de artistas como Depeche Mode e Pet Shop Boys.

Desde o início de sua carreira solo, o artista tem buscado consolidar uma identidade própria dentro do pop contemporâneo. Após ganhar projeção mundial como integrante da banda One Direction, o cantor passou a explorar diferentes influências em sua discografia individual, que inclui os álbuns Harry Styles (2017), Fine Line (2019) e Harry’s House (2022). Este último ampliou seu alcance no pop e consolidou sua presença na música atual, estabelecendo expectativas altas para o projeto que viria a seguir — especialmente após vencer o Álbum do Ano no Grammy Awards 2023.

Lançado em 6 de março de 2026, o novo disco possui bases rítmicas alternativas, guitarras elétricas, pulsações e nuances muito diferentes de sua obra anterior, Harry’s House. Canções como Aperture e Dance No More, possuem uma clara referência ao groove, indie rock e disco dos anos 80, reforçando o nome do projeto. As letras geralmente remetem aos momentos da própria balada, a mistura de sentimentos e sensações que uma festa proporciona. Mas ao mesmo tempo, o cantor sempre está buscando, em seus versos, algo que não consegue encontrar e sente que está precisando recordar, sem revelar o que é exatamente.

Já em Season 2 Weight Loss é onde Harry mais se arrisca, uma faixa com a batida desencaixada, onde o canto é quase falado. A sensação é de crescimento e explosão. A base eletrônica, com os ritmos de bateria e baixo dessincronizados e a inclusão de um coral no refrão fazem perceber que o artista queria subverter as expectativas do ouvinte. Aqui tem-se a impressão de que ele está apenas participando da festa, assim como quem escuta.

Desde que lançou sua carreira solo, Harry normalmente retratava seus relacionamentos de uma forma mais melancólica e sentimental. Porém neste álbum acontece algo inusitado: o prazer é a prioridade, como na nona faixa do álbum, nomeada Pop. Nesta, não existe o clássico “medo de não dar certo”; aqui o carnal é explorado, sendo o centro da música que, conforme passa, vai se tornando crescente junto com o ritmo da mesma.

Entretanto, percebe-se que este trabalho também possui um caráter experimental, ao transitar entre momentos mais audaciosos e outros que aproximam Harry Styles de uma sonoridade mais familiar. Ainda que algum ritmo festivo permaneça ao fundo, as letras tornam-se mais elaboradas e abordam sentimentos profundos, na tentativa de recuperar um amor antigo cuja ausência pesa. A voz surge mais cantada e evidenciada, como na sua última canção, Carla’s Song, onde ele parece achar e reassumir aquilo que tanto procurava — o amor perdido que agora se revela, deixando a balada para transformar-se em mais uma noite romântica na cidade.

A intenção parece ser inaugurar uma nova “era” na carreira do artista, mas ao mesmo tempo falta constância nesta transformação. Todas as faixas têm o potencial para ser um hit, porém a grande ideia parece não ter sido explorada com tanta força — foi como se jogar de cabeça, mas com paraquedas. Ainda que seja necessário ousadia para construir uma obra como esta, permanece a sensação de que poderia haver mais: mais disco, mais ritmos eletrônicos ascendentes, mais do novo Harry.

Acredito no poder que um artista possui em ser versátil sem comprometer o rigor artístico. Mesmo distintas entre si, as músicas são extremamente bem construídas do ponto de vista musical, com ideias que apenas um verdadeiro artista pop seria capaz de executar — e isso sabemos que Harry Styles é. Ainda que o desejo por uma manobra ainda mais radical permaneça, Kiss All The Time. Disco, Occasionally é, sem dúvida, um comeback memorável — daqueles que fazem ecoar novamente entre os fãs o coro que o acompanha: your husband is coming.

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