Em maio de 2024, uma devastadora enchente no Rio Grande do Sul afetou cerca de 440 cidades, deixando um rastro de destruição. Casas, escolas e empresas foram inundadas, resultando em prejuízos incalculáveis. No meio do caos, surgiram iniciativas que trouxeram esperança e um novo fôlego digital para os gaúchos.

Algumas universidades no Rio Grande do Sul abriram suas portas para ajudar a população a recuperar seus equipamentos eletrônicos. A UFRGS é um desses exemplos. Através dos seus alunos de Engenharias de Controle e Automação, foi criado o projeto Ressignificando Eletrônicos, em que são oferecidos manutenção e reparos gratuitos para equipamentos danificados pela enchente.

Para solicitar esses serviços, os interessados devem preencher um formulário disponível no Instagram do projeto.

Outra iniciativa foi da empresa Pasquali Tecnologia, de São Francisco de Paula. “Não jogue fora. Sempre tem chance de recuperar algo. Conte conosco com esse serviço de recuperação/limpeza de dados/hardware de forma gratuita”, publicou Marcelo Pasquali, dono da empresa, no Instagram.

Assistência técnica em Porto Alegre

Na Capital, a empresa Compujob, no bairro São João, especializada em assistência técnica, está realizando a limpeza das máquinas atingidas.

“Várias empresas nos procuraram para realizar a limpeza. Hoje, estamos com 15 máquinas que estavam submersas nas águas, fazendo o possível para salvar as peças que não danificaram”, comenta Débora Alfama, proprietária do negócio.

Débora e sua equipe começaram a receber computadores logo nos primeiros dias após a enchente. Equipamentos de todos os tipos e condições chegaram ao local, como desktops cobertos de lama e laptops encharcados. O valor médio da análise e limpeza de peças que puderam ser salvas gira em torno de R$ 180. Caso o contratante queira realizar a troca de algum componente que não teve conserto, o valor aumenta.

De acordo com Lucas Matheus, técnico em informática da Compujob, recuperar um computador danificado pela água é uma tarefa delicada e meticulosa.

“O primeiro passo é desmontar completamente o computador, depois realizar a limpeza, removendo o excesso de detritos de cada uma das peças. Após feita a limpeza, realizo uma análise visual de cada peça. Se algum capacitor estiver com os contatos enferrujados, a chance de a peça ser recuperada é quase zero”, explica Lucas.

O profissional também informa que, se o custo do reparo geral for metade ou um terço do valor de um equipamento novo, é mais adequado realizar o descarte.

“Nem sempre é possível recuperar tudo, mas nosso objetivo é salvar o máximo de dados e componentes”, completa o técnico.

Atenção para o descarte

Para aquelas peças e equipamentos que não puderem ser consertados, é importante estar atento para garantir que o descarte seja feito de maneira correta, como, por exemplo, encaminhando-os para cooperativas de resíduos eletrônicos. Quando o procedimento não é feito corretamente, tornam-se lixo tóxico.

“Os problemas são diversos. O principal deles é a contaminação pelos metais presentes nos circuitos, que não só contaminam o solo, mas também as águas subterrâneas. Adicionalmente, há impactos na resistência física do solo”, afirma Fernando Mainardi, doutor em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental e professor da UFRGS.

Com o rápido avanço tecnológico, o volume de dispositivos descartados aumenta de maneira significativa ano após ano, tornando-se um dos grandes desafios ambientais e de saúde pública na era digital.

Alternativa para não perder seus dados

A enchente de 2024 deixou lições importantes para todos. A necessidade de backups frequentes e armazenamento em nuvem tornou-se evidente, sendo uma tecnologia revolucionária que oferece inúmeras vantagens em termos de acessibilidade, custo e segurança.

É preciso reconhecer que a tecnologia ao longo dos anos se tornou uma ferramenta essencial, seja para o trabalho, comunicação, entretenimento, saúde e bem-estar. Por isso, investir em soluções de armazenamento na nuvem não é apenas uma opção, mas uma necessidade. Caso novas situações, como as enchentes ocorridas em maio, voltem a acontecer e computadores sejam submersos, é essencial ter uma solução para não perder seus dados.

“Estamos incentivando todos os nossos clientes a adotarem soluções de backup na nuvem para evitar perdas futuras”, finaliza Débora.