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Luís Augusto Fischer apresenta a Porto Alegre dos apaixonados em novo livro 

“Na Feira, às 4 da tarde” navega por pontos turísticos da cidade e demonstra que amores improváveis podem dar certo

Sempre acreditei que a Feira do Livro de Porto Alegre é um dos maiores vetores para a criação de memórias. Seja na infância, adolescência ou já na vida adulta. O que muda são os tipos de lembranças, a intensidade dos fatos e o que aprendemos com elas. Em Na Feira, às 4 da tarde, o agora livro de Luís Augusto Fischer corrobora esse pensamento.  

De cara, dedica ao leitor uma novela cativante, que prende desde os primeiros parágrafos. Na trama, uma história de amor com Porto Alegre de fundo. Ou melhor, a Praça da Alfândega, que há 71 anos abriga a segunda maior feira literária a céu aberto do mundo, perdendo somente para a feira de Lisboa. O livro foi publicado em 2025 pela editora Coragem – uma jovem editora porto-alegrense, mas a história já tem 20 anos, originalmente distribuída pela L&PM, em 2008. Mesmo assim, os cenários não mudam (o que de certa forma, me assusta. Não por culpa de Fischer) e as sensações são como se Porto Alegre tivesse a mesma cara para todos que a habitam. 

Se, porventura, o leitor for de fora da cidade, a dificuldade para localização deve ser maior, já que o escritor usa e abusa de referências que complicam a compreensão quando não se conhece o espaço. As andanças do personagem principal são quase um roteiro de viagem, passando pela zona Sul, Centro Histórico e pela intersecção entre as duas localizações. Até mesmo a rixa que discute se o Guaíba está mais para rio ou para lago é trazida para a conversa. 

Como prometido, o livro retrata uma história de amor que dá certo. Benjamin e Lídia formam um casal por pouco tempo. Ele, apaixonado e sem remediar as emoções; ela, aproveitando a vida de solteira ou, em teoria, de “ficante”, sem preocupações quanto aos sentimentos. Como se não bastasse essa diferença entre os dois, outras surgem – e que serão decisivas para o andamento da história. É nesse contexto que surge Ana Paula, que se mostra obstinada e certeira com as entranhas da paixão.  

Fala-se de simplicidade como se a vida assim fosse, como se não tivéssemos que lidar com decisões diárias para ir e vir, ao passo que transborda profundidade. Será mesmo que a vida é capaz de pregar peças em quem está desatento a ela? Ou será que só vive aqueles que são preparados para as mudanças de script

Assim como a leitura se faz despojada, é fascinante navegar pela escrita simples de um professor de renome como Fischer. Como se Kleber Mendonça Filho, depois do sucesso estrondoso com O Agente Secreto, escrevesse uma fanfic com algum astro do k-pop e disponibilizasse para download ou vendesse pós-edição. Longe de ser simplório. Demonstra a capacidade de trânsito da escrita do acadêmico/cinema para a novela/fanfic. Algo que, a meu ver, somente quem escreve com paixão por uma história é capaz de fazer.  

Com leveza e bairrismo, Na Feira, às 4 da tarde confirma que as histórias de amor não precisam ser criadas como nos contos de fadas. Às vezes, só por estarmos atentos aos acontecimentos, podemos achar belos exemplares. Ou, quem sabe, um amor.

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