Existem pessoas que são agraciadas pelo poder de estarem no presente, mas há quem busque tanto planejar o futuro ao ponto de esquecer o que ocorre aqui e agora. Não me entenda errado, planejamentos são importantes; mas em que momento isso se torna um fardo?
Bem… Acredito que muitos estão condenados à mesma sentença.
Enquanto há quem participe de reuniões de família, amigos, colegas… Existe aquele que divaga eternamente em seus próprios pensamentos. Sua carne pode estar em meio a todos esses movimentos sociais, mas sua mente está perpetuamente presa – perdida em programações e deveres que a atormentam.
O que será pior: a ansiedade por afazeres futuros ou os arrependimentos pelo que não executamos no passado?
A falta do “viver” estando vivo. Percebo agora a quantidade de momentos perdidos graças à morada construída em minha mente, onde costumo ficar. Sei que houve aniversários, festas de fim de ano, pequenos lazeres com amigos que nunca recuperarei. A única coisa que me faz recordar o passado são pequenos vestígios de lembranças que não me fornecem o sentimento de que “valeu a pena”, mas sim, a mágoa de não tê-las realmente vivido. Se arrependimentos se tornassem tatuagens, estes certamente estariam gravados em minha pele.
Talvez tudo isso venha da minha vontade de crescer profissionalmente, um desejo enriquecido pelas comparações que faço com a vida alheia toda vez que utilizo a extensão mais comum de nossos corpos: o celular.
Há momentos em que percebo que não tenho ideia de quem eu sou, consequência de sempre prestar atenção em quem deixei de ser e quem quero me tornar.
Já não sei mais do que gosto, somente do que me forcei a fazer para ter a sensação de produtividade. Cometo todos os dias a ingratidão de não valorizar o que tenho, pois anseio pelo que quero adquirir. Na busca por um prédio pronto, esqueço que a vida é uma eterna construção.
Não sei quando será o último momento de minha existência, mas anseio que quando este dia chegar, eu não esteja ainda refletindo sobre o ontem enquanto busco pelo amanhã.
