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My Beautiful Dark Twisted Fantasy: a fantasia distorcida de um artista em colapso

Vencedor do Grammy de melhor álbum de rap, Kanye transforma seu caos em um espetáculo musical

Em 2009, o MTV Video Music Awards protagonizou um dos maiores escândalos da cultura pop quando Taylor Swift venceu o prêmio de melhor vídeo feminino. Inconformado, Kanye West subiu ao palco, retirou o microfone da cantora e disse que Single Ladies, produzido por Beyoncé, era quem merecia o prêmio. O episódio gerou enorme revolta pública, levando o rapper a ser duramente criticado, inclusive pelo então presidente Barack Obama, o chamando de idiota.

O que parecia um inferno foi transformado em uma das maiores reviravoltas em uma carreira, pois Kanye, em 2010, decide se afastar das mídias e entrar em uma espécie de exílio no Havaí, onde ele produz um dos lançamentos mais aclamados da história. My Beautiful Dark Twisted Fantasy foi o nome dado ao álbum que contou com a participação de gigantes da indústria, como Jay-Z e Nicki Minaj.

Kanye West em apresentação no VMA Awards de 2010. Foto: Michael Caulfield/WireImage

Este nome representava tudo que ele tinha posto naquela obra. As letras falam sobre materialismo, poder, dinheiro e saúde mental. Dark fantasy, música que o abre, começa com uma pequena introdução narrada por Nicki, contando uma releitura da história da cinderela de forma sombria, fazendo o ouvinte entrar na “fantasia distorcida” proposta.

A primeira música divulgada ao público como single foi “Power”, com uma letra forte e uma das produções mais bem feitas da indústria. Segundo o próprio cantor, essa única faixa levou mais de 5 mil horas para ser produzida. Outro ponto que demonstra sua grandeza é a paleta sonora presente, como os instrumentos se encaixam e trabalham em conjunto com a voz do rapper para gerar harmonia.

Capa do álbum, contendo as 13 faixas produzidas pelo rapper. Foto: Reprodução/My Beautiful Dark Twisted Fantasy

O ponto forte de Kanye, independentemente da produção, sempre foi sua capacidade de usar samples e os reinventar, e em seu maior trabalho não seria diferente. Em Runaway, por exemplo, ele pega a bateria principal que dita o ritmo da música de uma faixa chamada Expo ‘83, da banda The Backyard Heavies, e mistura com identidade própria, como o piano que traz a tensão nos momentos iniciais. O final dessa composição, quando ele deixa somente o instrumental tocando enquanto sua voz é distorcida por causa dos sintetizadores, representa tudo que ele queria dizer para as pessoas, mas ninguém conseguia entender, seja por não fazerem questão ou por ele não saber botar em palavras.

O álbum, diferentemente de outras produções, não é finalizado com uma música, e sim com um poema de Gil Scott-Heron, que mostra uma visão sombria do futuro temido por Kanye West. Alguém que viveu seu auge e cometeu um erro grave, chegando ao momento mais baixo de sua carreira, tinha medo do que poderia acontecer, e mesmo sabendo disso, cometeu erros e mais erros. O álbum não termina com uma redenção, mas com a certeza de que em uma vida exposta a todo momento, o futuro nunca vai ser brilhante.

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