
Gabriele Rech / Beta Redação
A saúde pública de São Leopoldo vive um momento de colapso administrativo. Em resposta ao agravamento da crise, os vereadores da bancada do PT entregaram, na terça-feira (10 de março), uma denúncia formal ao Conselho Municipal de Saúde (CMS). O documento revela que a dívida do Hospital Centenário saltou de R$ 27 milhões em 2024 para R$ 49,8 milhões ao final de 2025, um crescimento de quase 85% em apenas um ano. O aumento do déficit levantou suspeitas sobre a transparência dos dados, uma vez que a gestão apresenta um custo mensal de R$ 10,5 milhões, enquanto o gasto real estaria na casa dos R$ 15 milhões, gerando um rombo mensal de R$ 4,5 milhões.
Um dos pontos centrais indicados na plenária do Conselho, que aconteceu na quarta-feira (11 de março), é um possível erro técnico de faturamento que impediria a chegada de verbas externas. Relatos indicam que o hospital estaria registrando seus procedimentos no sistema (CNES) do Fundo Municipal e não no da própria Fundação, o que tornaria a produção da unidade “invisível” para o Estado e para a União.

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Em um dos trechos da discussão, foi ressaltado por uma funcionária que “a gente nem prova que a gente executa aquilo que tem obrigação […] porque a gente não fatura no CNES do Hospital”. Além disso, a Comissão de Finanças questiona a ausência de um contrato formal de prestação de serviços vigente entre a Secretaria de Saúde e o hospital, o que dificultaria a fiscalização: “Como é que a gente vai fiscalizar uma coisa que não existe um contrato?”, perguntou o representante da Comissão.
Na manhã de quinta-feira (12 de março), a bancada do PT oficializou a denúncia no Ministério Público, entregando o documento à promotora de Justiça Carla Lara Adami da Silva. A crise reflete diretamente no atendimento e na folha de pagamento dos funcionários terceirizados, que já estão há 90 dias sem receber do município.

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De acordo com o presidente do Conselho, André Rotta, “se não está aumentando o serviço prestado e está aumentando o gasto, tem um problema de gestão que eles precisam resolver”. O impacto desse cenário é visível em setores como a saúde mental, onde a falta de espaço obriga o uso de biombos para separar adolescentes de adultos em surto.
Em contrapartida, a direção do Hospital Centenário classificou as acusações como um “ataque de cunho político”. Diante das versões conflitantes, a bancada do PT confirmou a criação de um grupo de trabalho para analisar um dossiê de cerca de 500 páginas sobre os contratos e contas da instituição. Segundo o vereador Marcel Frison, o objetivo é verificar as razões do descalabro financeiro e encaminhar o produto desta análise aos órgãos de controle e fiscalização social.
