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AJULLIACOSTA transforma vivências e liberdade feminina em rap combativo  

Álbum combina narrativa autobiográfica e denúncia estrutural no cenário musical

Um manifesto firme contra o machismo, o racismo e a desigualdade de gênero, principalmente, dentro da cena do rap no Brasil. O “Novo Testamento”, álbum lançado em setembro de 2025 pela rapper Ajulliacosta, marca uma fase de autoconhecimento e evolução pessoal da artista. O nome do projeto faz a alusão a segunda parte da Bíblia, uma provocação que estimula o pensamento crítico e reafirma um novo capítulo do rap brasileiro com artistas femininas ocupando posições de destaque. Com 11 faixas, o segundo álbum da rapper AJULLIACOSTA articula, a partir de batidas que transitam entre o boom bap clássico e o trap, uma narrativa pessoal, mas que ecoa questões estruturais da sociedade.

Aju, como também é conhecida, é natural de São Paulo, de Mogi das Cruzes, e iniciou sua carreira na música bem cedo, aos 12 anos, frequentando batalhas de rima. Na faixa “O que a Julia vai ser?”, a rapper evidencia postura de consciência política ao incluir versos como “Talvez seja melhor eu tentar outro caminho. Fazer um som meia-boca e depois divulgar tigrinho. Parece normal, mas eu tenho uma coisa: consciência social”, que explicita sua recusa em aderir a práticas oportunistas comuns no ambiente digital. Ao mencionar o jogo de azar on-line Fortune Tiger, amplamente promovido por influenciadores digitais, a artista critica um sistema que lucra a partir da vulnerabilidade do público. Nessa faixa, a rapper entoa seu processo de ascensão sem que ele precise ser feito às custas do fracasso do outro.

Entre rimas e melodias, AJULLIACOSTA articula a potencialização do empoderamento feminino e afirma a liberdade como princípio central. A sexta faixa do álbum, “Liberdade”, tem exatamente essa intenção: evidenciar uma luta que é diária e contínua contra o machismo estrutural. “Nasci livre, vivo livre, morro livre sem o seu medo” nesse trecho ela não apenas reivindica a independência individual, mas insere essa liberdade em um contexto coletivo de enfrentamento contra o machismo estrutural. A repetição da ideia de liberdade ao longo do verso reforça seu caráter de resistência contínua. É um testemunho que afirma a independência como direito da mulher.

Em outro momento, ao declarar “O algoritmo do trap me deixa no tédio”, Aju direciona sua crítica à própria lógica de funcionamento da indústria musical, que tendem a privilegiar determinados perfis de artistas, majoritariamente homens. Assim, o disco se configura também como uma denúncia da desigualdade de visibilidade dentro do rap, evidenciando como o reconhecimento ainda é atravessado por recortes de gênero.

“Novo Testamento se consolida como um trabalho consistente que, com suas letras afiadas aliadas à escolha das batidas, constroem uma experiência que prende do início ao fim, ao mesmo tempo que convida você à reflexão. Mais do que um álbum, o projeto se apresenta como um posicionamento: um chamado para repensar não apenas o lugar da mulher no rap, mas as estruturas que tendem a criar uma definição de quem pode, ou não, ocupar esse espaço.

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