Muito além da ganância humana e da guerra, o terceiro filme da franquia Avatar, dirigido por James Cameron, faz uma aposta ainda maior na espiritualidade. Desde o primeiro filme é apresentada a conexão dos Na’vi com Eywa, retratada como a “mãe de todos”, na qual eles depositam sua fé. Em Fogo e Cinzas, a família de Jake Sully (Sam Worthington) passa pelo luto após a perda do filho mais velho, Neteyam. Cada um encontra um refúgio para atravessar esse processo, como Neytiri (Zoë Saldaña), que segue um ritual Na’vi em que, a cada eclipse, canta a vida do filho. Já Sully lida com o luto em silêncio.
O desenvolvimento espiritual de Kiri (Sigourney Weaver) faz brilhar os olhos. A intenção que ela coloca em cada ação em contato com a natureza é mágica. O espectador se sente dentro de um ritual verdadeiro, cheio de vida e energia. Quando Spider esquece a máscara de oxigênio e ela o traz de volta à vida, com o bônus de ele conseguir respirar o ar de Pandora, surge uma das cenas mais exemplares da espiritualidade no filme.
O povo do fogo tem uma crença diferente. Ao alegarem que foram abandonados por Eywa, encontraram refúgio no fogo. Eles também realizam rituais específicos, como no momento em que o coronel Miles (Stephen Lang) vai ao encontro de Varang (Oona Chaplin) e ela realiza um ritual para “ver a alma” dele.
Avatar 3: Fogo e Cinzas, além de proporcionar uma experiência visual deslumbrante e apresentar críticas sociais, traz também sensibilidade que fica evidenciada em trechos como: “A luz sempre volta. Somos todos conectados à Grande Mãe, que guarda todos os filhos em seu coração. Ao mundo dos espíritos, pedimos força aos ancestrais, aqueles que trilharam o caminho antes de nós.”
O filme mostra a relação de família, união e amizade. O espiritual é escancarado e apresentado como fonte de força, é ali que eles encontram coragem para seguir.
