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Se a vida te der tangerinas… prepare os lenços 

Quando a vida guia o roteiro, o amor torna-se resistência.

A série Se a Vida Te Der Tangerinas, lançada em 2025 pela Netflix, dirigida pelo sul-coreano Kim Won-seok, é um k-drama que aborda temas como família e classes sociais. A produção conta com 16 episódios, com duração de cerca de uma hora cada.  A obra se passa em Jeju, localizada na Coréia do Sul. Sua trama principal acompanha gerações a partir de 1950, percorrendo as décadas até os dias atuais. 

Se a Vida te Der Tangerinas é uma produção que aproxima o espectador da vida, uma vida simples que, nos pequenos recortes que chamamos de dias, por vezes pode parecer a verdadeira vilã. Ela trata de pessoas comuns lidando com acontecimentos comuns, com uma grande sensibilidade. É no cenário de uma vida humilde que Ae-sun, uma menina rebelde, sonhadora e de personalidade forte, interpretada pela atriz Lee Ji-eun, e Gwan-sik, um jovem reservado, sensível e forte, vivido pelo ator Park Bo-gum, revelam a potência de um amor entre duas almas ousadas na terra de Jeju.

Filha de Haenyeo, mergulhadora tradicional da ilha de Jeju, Ae-sun cresceu cercada pelo trabalho da mãe, exaustivo e mal remunerado, sustentado por mulheres cujo esforço raramente era reconhecido. Sonhava em tornar-se poetisa e casar-se com um homem rico. Mas, com a perda de sua mãe ainda jovem, foi obrigada a abandonar os estudos. Ainda adolescente, estava destinada a casar com um homem mais velho pelo qual não amava. No entanto, seguiu seu coração e permitiu-se expor seu amor por Gwan-sik, seu amigo de infância, apesar da relutância causada pelo fato do jovem ser um pescador, filho de pescadores. 

Inicialmente a série parece seguir um caminho clichê, mas logo se distancia desse formato ao retratar de forma árdua as lutas diárias dos personagens. A crítica a uma sociedade desigual é vista quando a necessidade de sobreviver se sobrepõe ao amor da jovem pela literatura. Dessa forma, a narrativa também reflete o cenário vivido na ilha de Jeju na década de 1950. 

O amor que permeia o casal é intensificado e atravessado pela dor de uma perda irreversível. O luto e a culpa tornam-se sentimentos extremos, que aproximam o público do enredo. O processo de luto vivido por ambos é distinto e complexo. 

Marcada pela pobreza, perdas e muitas batalhas, a trajetória da família segue sendo contada pelos dois filhos do casal. Assim, a trama desdobra a sua narrativa com personalidades e visão de mundo diferentes que revelam formas de enfrentar a vida, no mesmo núcleo familiar: uma mãe, um pai, um filho e uma filha. 

Casamento de Gwan-sik e Ae-sun. Produção: Netflix

Mais do que personagens 

Uma jovem cheia de opinião, inteligente, corajosa e determinada, essas são características que borbulham em Ae-sun. A atriz, IU, consegue te colocar em uma cadeira e mostrar o quanto o amor de uma mãe pode preencher um espaço, a empatia torna-se inevitável. A única coisa que você deseja é abraçar aquela que cuidou de você.

Gwan-sik, teimoso, mas de coração bondoso, consegue expressar seus sentimentos por meio do olhar e do sorriso marcante de Park Bo-gum, o que emociona quem assiste. Ele representa a força de um pai que não quer deixar a companheira sofrer, nem seus filhos sentirem as dores da vida. 

O criador da obra cria personagens não protagonistas extremamente ricos de histórias e vida. Suas particularidades recheiam a vida da família, assim como aqueles que nem sempre estão presentes, mas que se fazem permanecer em nossas vidas. É possível perceber profundidade emocional e trajetórias bem desenvolvidas. 

Gwan-Sik e Ae-sun abraçados vendo seus filhos na Ilha de Jeju. Produção: Netflix

Jeju e suas belezas

Won-seok aproveita de uma forma muito singular as paisagens de Jeju. Os cenários de mares, tempestades, casas, barcos e flora, são capturados em um lugar de muito valor. A ambientação da série entrega sensibilidade e atenção a quem assiste. A ilha torna-se uma protagonista. 

Além disso, a trilha sonora atravessa as histórias e ambientes e te entrega de prato cheio aperto no peito, visão semicerrada, dedos torcidos, acúmulo de água nos olhos e coração preenchido de alegria. 

O amargor da vida é uma surpresa 

Se a Vida Te Der Tangerinas mostra que por mais que tenhamos percepções limitadas de acontecimentos corriqueiros da vida, ela não torna-se menor por isso. É possível perceber que a direção não poupa a trama de personagens intensos, o que torna a obra ainda mais humana.

Além disso, a série revela em seu nome uma fatia de todas as reflexões. Conhecemos o ditado popular como “se a vida te der limões, faça uma limonada”, o interessante da tangerina é que muitas vezes ela pode estar amarga, como pode estar doce, como nossos dias. Clichê? Um pouco. Mas, em todo clichê temos uma verdadeira beleza, a surpresa é poder abraçar o sabor e desfrutá-lo como podemos. 

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