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A voz que grita nos muros

Beta Redação conversa com especialistas e investiga como a região Metropolitana lida com a pichação

Famoso ponto turístico da Vila Madalena, em São Paulo, o Beco do Batman amanheceu sem cor na última terça-feira, dia 11. O muro, que servia de tela para um artista local há mais de 20 anos, foi pintado de cinza pelo próprio dono da casa, o seu João, de 70 anos, incomodado com o barulho durante a noite e a sujeira gerada pelos que visitavam o local. Algum tempo depois, no entanto, o morador autorizou que os desenhos fossem feitos novamente. Os muros de seu João, como muitos das grandes cidades, são espaços de expressão – neste caso, artística –, no entanto, as inscrições nem sempre são feitas com autorização do proprietário ou órgão responsável pelo imóvel, caracterizando-se como contravenção.

Foto: Franciele Arnold/Beta Redação

O “pixo” faz parte da paisagem urbana das cidades. Foto: Franciele Arnold/Beta Redação

 

De elaboração mais simples que o grafite, a pichação, ou “pixo”, como é conhecida, faz parte da paisagem urbana das cidades: falas de protesto, declarações, palavras ofensivas, desenhos obscenos ou assinaturas. Estão em monumentos, fachadas de estabelecimentos, moradias e outras construções, e até em prédios públicos, como o Mercado Público de Porto Alegre, alvo de pichações no final de fevereiro.

A equipe da Beta Redação conversou com especialistas sobre o tema. Conheça os entrevistados:

  • Carlos Sant’Ana, secretário de segurança e defesa comunitária de São Leopoldo;
  • Caubi Scarpato, comunicador da Rádio Unisinos;
  • Daniel Lopes, procurador do município de São Leopoldo/RS;
  • Daniel Mittmann, pesquisador e autor do livro “O sujeito-pixador: tensões acerca da prática da pichação paulista”;
  • Fabrício Silveira, pesquisador e autor do livro “Grafite expandido”;
  • Jari da Rocha, diretor de cultura de São Leopoldo;
  • Luciano Crânio, tatuador e artista;
  • Marquinhos Sick, tatuador e artista.
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Segundo dados divulgados pela Guarda Municipal da capital, em 2016, foram recebidas 102 denúncias, das quais 49 foram de ações em patrimônios públicos e 53 em privados, e foram efetuadas 53 detenções. De acordo com os dados, ainda, até março deste ano, foram feitas 10 denúncias, no entanto, já contabilizam-se 19 detenções.

O secretário municipal de Segurança de Porto Alegre, Kleber Senisse, explica como funciona a fiscalização na cidade: “Nós temos uma estrutura da Guarda Municipal no Centro Integrado de Comando (CEIC) da Prefeitura, com toda uma estrutura de monitoramento, de comunicação e de alarmes, em algumas situações específicas, quando são prédios públicos. Esse efetivo tem um sistema de comunicação através do 153, para o qual toda a pessoa que verificar qualquer situação anormal relativo a pichação pode ligar imediatamente”.

Foto: Franciele Arnold/Beta Redação

Signos simbolizam falas de protesto, declarações,  desenhos ou assinaturas. Foto: Franciele Arnold/Beta Redação

 

Senisse ainda afirma que a Secretaria de Segurança está trabalhando no mapeamento e na identificação dos grupos de pichadores na capital. “Nós sabemos que existem pichadores que são ideológicos, e outros que resolvem fazer a pichação por conta própria. Quanto mais a população informar sobre pessoas efetuando dano ao patrimônio, mais teremos a atuação da Guarda e menos teremos a cidade suja, feia, no dia a dia ”, diz. Além das ações de vigilância, Senisse informa que está sendo iniciado também um trabalho com o núcleos de grafiteiros, para que sejam destinados alguns pontos da cidade a esse tipo de arte de rua. “Isso é fundamental para que se faça a separação do trabalho artístico e da pessoa que causa a depredação dos patrimônios público e privado.”

Semelhante à Porto Alegre, em São Leopoldo, são trabalhadas duas frentes: a primeira, ainda em fase de captação de recursos, consiste em ações socioeducativas, através de oficinas sobre “pixo” e grafite destinadas a jovens em situação de vulnerabilidade. O segundo aspecto é o do cumprimento da lei, com ações pontuais da Guarda Municipal quando há denúncias ou quando percebem que houve dano ao patrimônio público da cidade. “Não é só uma questão de repressão, porque isso produziria poucos resultados e daria vazão à atividade”, afirma o secretário de segurança Carlos Sant’Ana.

Foto: Franciele Arnold/Beta Redação

Foto: Franciele Arnold/Beta Redação

 

Contatadas, as prefeituras de Canoas, Esteio e Novo Hamburgo informaram que ainda não desenvolvem ações específicas de fiscalização e combate a pichações. De acordo com a prefeitura de Esteio, o assunto está na pauta da Secretaria de Segurança para ser trabalhada futuramente.

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