Política

Votação do impeachment: enquanto Brasília ferve, São Leopoldo descansa

Poucas pessoas nas ruas e ausência de manifestações marcam a tarde leopoldense de domingo

Por volta das 13h30min de domingo (17), o olhar de Heleno da Silva Martins, 34 anos, é direcionado para a tela de uma pequena televisão colocada no ponto de táxi da Estação Rodoviária de São Leopoldo, onde ele trabalha. Entre goles de Coca-Cola e tragadas em um cigarro, Heleno – que “não gosta de ser fotografado” – acompanha as falas de repórteres da Rede Globo antes da votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados.

Apesar de ser a favor da saída da petista, o taxista afirma que a medida não é suficiente para acabar com o que chama de “roubalheira” na política do país. “Tem que tirar [a presidente]. E acho que deve haver uma nova eleição”, comenta Heleno, que assiste às transmissões acompanhado por um cão, que cochila no início da tarde de sol forte no Vale do Sinos.

Próximo dali, mas abrigado em uma sala com ar-condicionado, o vendedor de passagens Anderson Belusso, 26 anos, está de olho no noticiário da televisão enquanto aguarda os clientes. Prontamente, revela ser favorável ao impeachment e desejar a realização de novas eleições neste ano. “Não dá para continuar assim. Mas a gente sabe que o Michel Temer [vice-presidente da presidente da República] tem o rabo preso. O [presidente da Câmara] Eduardo Cunha, também”, declara.

Nas proximidades da rodoviária e em outros pontos do centro de São Leopoldo, não há muitas pessoas nas ruas no começo da tarde. Tampouco é possível encontrar manifestações em relação aos desdobramentos da crise política nacional.

Pouco depois das 14h, quando o deputado federal Jovair Arantes (PTB-GO), em Brasília, já discursa na sessão sobre a admissibilidade do impeachment de Dilma, o metalúrgico Carlos Richter, 42 anos, limpa o lado externo de uma sala comercial localizada próxima à prefeitura de São Leopoldo.  O trabalho em pleno domingo à tarde indica o posicionamento do metalúrgico em relação à política nacional. “Não muito preocupado”, destaca.

(Foto: Leonardo Vieceli)

No início da tarde deste domingo, havia pouca movimentação no centro de São Leopoldo (Foto: Leonardo Vieceli)

Assim como Anderson e Heleno, Carlos pensa que a saída da presidente não é capaz de afastar a turbulência que atinge o Brasil. Ao avaliar a atual crise política, o metalúrgico lembra o processo que resultou na saída do ex-presidente Fernando Collor de Mello em 1992. Porém, salienta enxergar diferenças com o momento vivido por Dilma Rousseff. “Na época do Collor, foi a população que saiu para as ruas. Hoje, o povo é estimulado pelos políticos. Virou marionete deles”, critica.

Um pouco mais tarde, por volta das 15h30min, o tráfego de veículos na Avenida João Corrêa permanece tranquilo. Em um prédio comercial próximo ao McDonald’s, o silêncio é interrompido apenas pelo som de um rádio em que as informações da fervilhante Brasília tomam conta do noticiário. Ao lado do aparelho, o vigilante Giovanni Dias, 35 anos, menciona, mesmo sem ser questionado, que acompanha as novidades políticas, mas não integra nenhum movimento.

Na opinião de Giovanni, o impeachment de Dilma não é favorável para o Brasil. Principalmente para a economia nacional. “Isso não é visto como bom pelos outros países”, define. Após falar mais alguns minutos sobre o tema, o vigilante para e volta ao trabalho. Liga o rádio novamente.

A transmissão e as incertezas sobre o futuro político continuam. Enquanto isso, a tarde em São Leopoldo segue a normalidade de um domingo.

Veja a opinião de Giovanni sobre o impeachment:

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