Economia

Vinil retorna ao mercado

Feira e lojas especializadas na capital gaúcha

Atualmente ao falarmos sobre a indústria fonográfica, pensamos em como o consumo musical mudou através do download e do streaming, e como tem movimentado e modificado não só o mercado, mas como a música é ouvida, produzida e consumida. Contudo nos últimos anos, a venda dos discos de vinil tem aumentado exponencialmente e desmistificando a ideia de que só se ouve música online nos dias de hoje.

É notável o crescimento deste mercado. Somente no ano passado,  3,2 milhões de vinis foram vendidos no Reino Unido, de acordo com a BPI (British Phonographic Industry). A British Phonographic Industry afirma ainda um crescimento de 53% nas vendas em relação a 2015 – o maior desde 1991. Já o Ranking Billbord 200, relata que o músico americano Jack White bateu recordes de venda com seu álbum Lazaretto, em 2014. O vinil vendeu 40.000 cópias, batendo a marca de 34.000 exemplares de Vitology, do Pearl Jam, lançado em 1994.

Bugio Discos/Foto: Paola Sartori

Bugio Discos/Foto: Paola Sartori

Entretanto, as famosas bolachas não fazem sucesso somente lá fora. Aqui no Brasil, a antiga fábrica da Polysom foi reativada em 2009 e voltou a produzir os discos de plástico. Até 2011, essa era única empresa em toda a América Latina que fazia este processo. Porém, o professor de produção fonográfica do IFRS, Marcelo Bergamin Conter, ressalta que “neste interím (entre meados dos anos 1990 e o início dos anos 2010) as pessoas não deixaram de ouvir essa mídia, sempre teve gente que ainda gostava do formato, catando discos em balaios, brechós, etc. Às vezes, esses retornos são um mistura de imposições do mercado com demandas do pessoal mais fetichista.”

É por meio desse fetiche pelas bolachas que Daniel Corrêa, da Build Up Media – empresa especializada em assessoria e planejamento de carreira para músicos/bandas-  acredita que o vinil esteja em voga no mercado, mas com algumas ressalvas. Corrêa enxerga o vinil “ainda com ceticismo de que vá entrar forte, com peso de mercado. Falo isso como entusiasta até. Acho que vai ficar algo nichado, mas possivelmente vai ser o que resistirá de uma cultura de material físico no mercado brasileiro”. Contudo, pondera que “o fetiche por trás do vinil trouxe uma nova perspectiva para o consumo de material físico de música e puxou outros formatos que são consumidos mesmo sem a necessidade de serem tocados, como o K7”.

9a Feira de Vinil de Porto Alegre/Foto: Paola Sartori

9a Feira de Vinil de Porto Alegre/Foto: Paola Sartori

A capital gaúcha abarca essa realidade ao realizar bimestralmente a Feira de Vinil de Porto Alegre. A idealização deste projeto é do empresário Caco Spector, sócio da Bugio Discos – uma das poucas lojas especializadas em vinis na cidade.

A ideia da Bugio surgiu em 2013, quando Caco ainda tinha uma produtora/assessoria de bandas, a Locomotiva.Mus. Ele chegou a fazer shows em vários Estados e até mesmo no Lollapalooza Brasil em 2013, contando com bandas como Graforréia Xilarmônica no casting. Com o fim da Locomotiva.Mus, mas com a paixão pela música, Caco teve a ideia de montar uma loja de vinis, observando a ascensão das vendas fora do país.

Para de fato estabelecer a loja, foram mais três anos, mas o empresário não ficou parado. De início vendia os vinis de forma itinerante, colocava-os dentro da kombi e parava em pontos específicos de Porto Alegre, previamente divulgados. De lá pra cá fez diversas feiras, participou de eventos e se juntou com Tiago Vicente e, no meio de 2016, abriu a loja física no viaduto do Brooklyn, em Porto Alegre. Ao entrar na loja, além de ouvir um som vindo da vitrola, é possível tomar um café ou beber uma cerveja. Quase embaixo do viaduto, a Bugio se uniu com o bar vizinho, o Novetrês, e ocupam o viaduto durante o happy hour e aos finais de semana. O movimento atrai os moradores para a rua, que ficam até altas horas nos finais de semana se divertindo e dançando ao som dos vinis, tanto que chamou a atenção dos produtores do filme Depois de Ser Cinza e acabou se tornando uma locação.

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