Esporte

Vila Olímpica de Parobé é o retrato da falta de recursos para o Esporte

Complexo Esportivo é alvo de depredações e descaso do poder público

Nos últimos anos, o Brasil foi palco das maiores competições do esporte mundial. Em pleno desenvolvimento econômico e social, o esporte do País foi destaque nos Jogos Pan Americanos, Copa do Mundo FIFA e Jogos Olímpicos.

A efervescência destes importantes eventos proporcionaram milhares de investimentos em atletas, equipes e também em infraestruturas destinadas a prática esportiva. Porém, hoje a realidade é outra. Sem a destinação de recursos para a manutenção das obras, os municípios sofrem com a deterioração destes espaços.

Um exemplos desta realidade está situada em Parobé. Inaugurada em maio de 2012, pela então prefeita Gilda Kirsch, a Vila Olímpica foi entregue à comunidade com a promessa de se tornar um dos mais importantes polos de competições esportivas no Vale do Paranhana e Vale dos Sinos.

O projeto foi custeado com verbas destinadas pelo Governo Federal e uma contrapartida do município, e é sem dúvida, um dos maiores complexos entre as cidades da região. Totalizando mais de R$ 3 milhões em investimentos, o local possui uma arquibancada com a capacidade de 2,4 mil pessoas, seis vestiários, sanitários, salas para atividades culturais – oficinas de arte e dança-, palco coberto, pórtico de acesso, além de um ambiente de leitura abastecido com livros da Biblioteca Municipal.

Para a prática esportiva, a Vila Olímpica dispunha de espaço para o futebol de quadra, vôlei, pista de skate, quadra de areia, futebol de campo e pista de atletismo para várias modalidades. Além disso, foi construída uma estrutura completa de iluminação para que houvesse uso noturno do local.

Conforme a ex-prefeita Gilda, esta foi a maior obra arquitetônica do município. “Entregamos algo que entrou para a história de Parobé. Mudamos o visual de uma região e beneficiamos os demais bairros da redondeza. A obra trouxe a oportunidade do município sediar competições esportivas diversas, inclusive relacionadas à Copa do Mundo”, explicou.

Após cinco anos de existência, a Vila Olímpica amarga com o vandalismo e falta de investimentos da Prefeitura Municipal. Entre os anos de 2013 e 2016, o espaço foi alvo de diversos furtos, além de uma severa depredação. Não há um só banheiro e vestiário apropriados para o uso dos esportistas. Em 2016, o roubo dos cabos da fiação elétrica somaram R$ 40 mil.

Sem vigilância, Vila Olímpica sofre depredação e furtos. (Foto: Beta Redação/Eduarda Rocha)

Sem vigilância, Vila Olímpica sofre depredação e furtos. Foto: Eduarda Rocha/Beta Redação

Para acabar com os furtos, a Secretaria de Esportes determinou o corte no fornecimento de agua e luz. Sem a presença de vigilantes, as salas multiuso tornaram-se palco de drogadição, prostituição e tráfico. “Estamos buscando formas de aplicar investimentos na Vila Olímpica, pois entendemos que ela é importante para todos os moradores. Não há outro local próprio para o esporte. Mas dependemos de recursos para que seja feita a reestruturação do local e reinstalação da rede elétrica”, informa o responsável pela pasta, Carlos Alberto Finger.

Roubo da fiação elétrica impossibilitou a utilização do local no período da noite. Foto: Eduarda Rocha/Beta Redação.

Centenas de ocorrências policiais de assaltos a mão armada assusta quem usa a Vila Olímpica para atividades físicas. Moradoras como Janete Cetim, 43 anos, que utiliza o espaço para caminhadas, percebe a mudança da realidade do complexo. “Há um mês eu estava aqui e me avisaram que um rapaz de bicicleta branca ficava cuidando quem estava no local para depois abordar e assaltar. E logo depois eu vim caminhar e ele me seguiu, me assustei e fui embora. Fiquei um tempo sem vir porque fiquei com medo”, conta.

Espaços destinados à oficinas de arte e biblioteca acabaram se tornando ambientes de prostituição e tráfico de drogas. Foto: Eduarda Rocha/Beta Redação.

A moradora também comenta que seu filho, de oito anos, a acompanhava durante a prática esportiva e utilizava a biblioteca enquanto a esperava. “É muito triste ver um lugar que era tão bonito, ficar entregue desta forma, abandonado”, destaca.

Sem abandonar as corridas diárias, o empresário Roberto Carlos dos Santos, 45 anos, utiliza a pista de atletismo desde a inauguração do complexo e acrescenta o pedido de mais segurança e cuidado do poder público com a Vila Olímpica. “Ocupo diariamente, de manhã e à noite. É complicado, pois este é um lugar que deveria ser mais cuidado pelas pessoas e pela Prefeitura. Está tudo jogado, algo que é para a comunidade”, enfatiza.

Mesmo com ocorrências de assaltos e roubos, complexo é utilizado por moradores para práticas esportivas. (Foto: Beta Redação/Eduarda Rocha)

Mesmo com ocorrências de assaltos e roubos, complexo é utilizado por moradores para práticas esportivas. Foto: Eduarda Rocha/Beta Redação.

Segundo o prefeito interino, Moacir Jagucheski, já foram contratados vigilantes para cuidar do patrimônio público. “Assumi interinamente a parta e tive de realocar os funcionários existentes no quadro de servidores. Realizamos o processo licitatório e conseguimos colocar vigilantes para que não ocorram mais os furtos”, explica.

Jagucheski também afirma que o complexo já está recebendo pequenas reformas conforme a obtenção de recursos. “Percebemos que existe uma necessidade urgente de consertos e manutenção do local, é uma estrutura que deve abrigar toda a população, todos os dias. Mas a realidade financeira atual não nos permite realizar tudo de uma só vez. Mesmo assim a Vila Olímpica é uma de nossas prioridades, já que vemos o esporte como algo que pode mudar realidades”, finaliza.

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