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Vai encarar o TCC? Leia esta matéria antes e bom trabalho!

O trabalho de conclusão de curso, o famoso TCC, é temido por muitos graduandos. Geralmente a elaboração de uma monografia, artigo ou relatório final de graduação resulta em altos níveis de estresse. Mas por quê? Conversamos com quem já passou pelo processo, sobreviveu e está aqui para contar a história e dar boas dicas.

A noite de formatura de Fernanda Orestes.

A formatura de Fernanda Orestes/Foto: Arquivo pessoal.

 

Fernanda Orestes, 30 anos, formou-se jornalista em 2013.  Ela conta que o processo de elaboração da monografia foi muito bom, porque se apaixonou pelo tema. No entanto, após começar a escrita, percebeu que o assunto não era exatamente o que queria pesquisar e adiou o TCC para o semestre seguinte. Acabou mudando para uma área que lhe despertava maior curiosidade: a censura. “Quanto mais eu sabia, mais eu queria saber. Eu pegava um livro, lia. Depois ia em busca de todos os livros de referência daquela obra. Então eu lia, lia, lia. Mas eu não tinha tempo suficiente e ficava ansiosa”, recorda. Quanto a organização, ela relata que para dar conta do trabalho de conclusão fazia leituras, anotações e esquemas sobre o processo durante a semana. No sábado ela ia para a biblioteca da universidade escrever. “A gente acha que não vai acabar. Acha que não é capaz. Que não vai chegar ao fim. Que não vai dar certo. É um momento bem tenso. Acho que a melhor dica é fazer sobre um tema que a gente goste. Eu fui além do que o meu orientador dizia, fiquei meio neurótica com os detalhes, principalmente na formatação”, lembra Fernanda. “No dia da banca eu não fiquei nervosa, porque eram os meus professores de sempre, perguntando como foi fazer o TCC. Eu comecei a falar e falei mais de dez minutos, apaixonada pelo tema. Meu orientador falou ‘eu não fiz nada, eu só não atrapalhei o trabalho dela’ e ainda me elogiou dizendo que não conhecia uma pessoa tão determinada quanto eu”, recorda com alegria a jornalista.

Fernanda Orestes - formatura

A satisfação de Fernanda após concluir sua formação com sucesso. / Foto: Arquivo pessoal

 

Inaciane Teixeira da Silva é professora universitária de fonética e fonologia,  na faculdade de letras. Ela salienta três pontos importantes para a organização do aluno durante a realização de um trabalho de sucesso. “O primeiro ponto é a escolha do tema: ele deve agradar ao aluno e não ao orientador. O segundo é a delimitação da proposta, pois muitas vezes o aluno escolhe um tema amplo e acaba perdendo o foco. Por fim, a bibliografia: o aluno tem que se cercar de leituras e outras pesquisas realizadas na área antes de começar a escrever o trabalho. Muitas vezes os estudantes já partem para a escrita sem uma fundamentação teórica boa, que sustente seus argumentos”, conta a professora. Quanto aos principais erros cometidos durante a escrita do trabalho, Inaciane diz que, além de não delimitar o tema e não ter uma boa bibliografia, o maior erro é não se organizar no tempo. “Tem que ter um cronograma diário para fazer render o trabalho, ao menos uma hora por dia. Se está a fim ou não está, não interessa. Sente na frente do computador, mesmo que não renda muito. Tenha uma rotina programada”, enfatiza a orientadora.

Quem opta por deixar tudo para o dia seguinte, certamente entrará em pânico. Há casos, como presenciados por Inaciane, em que o aluno acaba desistindo de produzir o trabalho.  “O aluno simplesmente não fazia as leituras. Em todos os encontros ele tinha uma desculpa: um dia estava doente, outro dia a mãe quem estava doente, outro dia era a avó… e por fim ele não chegou nem a começar o trabalho. Foram três meses de orientação e ele não fez absolutamente nada. Acabou abandonando o TCC  naquele semestre”, conta.

Para a psicóloga de formação psicanalítica Daniela Lobato, o TCC tem uma dimensão “absurdamente maior”. “Passamos o tempo inteiro nos ocupando da ideia de fazer, mas ao mesmo tempo da impossibilidade de colocar aquilo em prática”, diz.  A profissional acredita que cada pessoa é dotada de qualidades particulares e formas de encarar desafios e que, sim,  o TCC é um grande desafio na vida de muitas pessoas. “Isso ocorre justamente por representar um momento de transição, de finalização de uma etapa que é muito relevante, que precede a entrada oficial na vida profissional, na qual se faz necessário abdicar de um lugar menos confortável. É a hora de se lançar no mercado, fazer escolhas, a principio, mais certeiras. É o momento de bancar as próprias decisões, de estar aberto para um mundo de possibilidades. Isso mexe muito com as pessoas”, diz a psicóloga.

Para que essa fase seja vivida de maneira mais tranquila, Daniela aposta na reflexão sobre o real sentido da elaboração desse trabalho. “Muitas vezes são depositadas muitas expectativas e se esquece que esse é mais um trabalho, uma outra forma de registrar um pouco daquilo que se viveu durante o período de graduação. É comum que as pessoas entendam que precisam realizar uma superprodução, colocando-a num lugar idealizado e por isso inatingível, não se permitindo erros, imperfeições, enfim… questões que vão ficar em aberto para serem respondidas em outros momentos. Então, toda essa cobrança é pesada e acaba impossibilitando até o processo criativo na hora da escrita”, afirma. Sobre as cobranças vividas por quem está fazendo o TCC, a psicóloga ainda reforça que “também há o fato de que o aluno não é só um aluno. É namorado, é filho, é marido, é amigo,  são muitos os papéis, são muitas as frentes que as pessoas precisam encarar, é um formando que também está se preocupando com a formatura”, relembra. E completa: “entender que esse período não é permanente, mas momentâneo, é necessário para que se possa redirecionar a energia de outros investimentos na elaboração do trabalho de conclusão. Realmente é difícil abdicar, mas é um processo que tem inicio, meio e fim e faz parte de um bem maior, de uma liberação. É a possibilidade de poder ocupar outro lugar, indo para uma próxima etapa”, finaliza.

 

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  • Publicado em: 27/10/2015

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