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Uso de redes sociais, vício ou não?

Pesquisas revelam que uso abusivo de internet pode causar dependência

Que o avanço das tecnologias facilita a vida de todo mundo não há como negar. A agilidade em comunicação, o aumento de vendas e a facilidade de se relacionar foram algumas das necessidades supridas com o advento das redes sociais. Porém, um problema que tem chamado atenção são pessoas que não largam mais seus smartphones, que nutrem por suas redes sociais uma espécie de adoração. Afinal de contas, o uso das redes sociais em excesso pode ser considerado um vício ou uma dependência?

A utilização em excesso das redes sociais tem levantado uma série de questionamentos e preocupado pais, mães, professores, governantes, psicólogos e psiquiatras por toda a parte. Em busca de descobrir se o uso das redes sociais pode ser considerado um vício ou não, foram coletados dados de diversas pesquisas realizadas sobre o assunto, relatos de pessoas que se dizem viciadas nas redes sociais e a opinião de especialistas, para chegar à um melhor entendimento sobre a questão. Ao final da reportagem existe um quiz para que você possa descobrir se está ou não viciado e caso esteja, um guia prático de como mudar aos poucos essa situação.

Dados

Uma pesquisa realizada em 2015, que tinha em seu objetivo de medir a posse, o uso, o acesso e os hábitos da população brasileira em relação às novas tecnologias chamadas de “tecnologias de informação”, revelou que 58% da população brasileira tem acesso e usa a internet. Esse número representava em 2015, 102 milhões de pessoas e, em relação à pesquisa que havia sido realizada em 2014, representava um aumento de 5%. Não foi encontrada uma pesquisa com dados mais recentes, mas levando em consideração esse aumento relativo de 5%, esses números hoje, podem ser 15% maiores do que em 2014. A pesquisa também revelou que os celulares são o principal meio de acesso, seja via internet móvel (3G ou 4G), seja pelo Wi-Fi, 89% dos entrevistados revelou que acessa por meio deste dispositivo.

Um outro estudo realizado ainda em 2014 pela A.T. Kearney (agência de pesquisa norte-americana), revelou que o Brasil está na liderança do ranking de países com o maior número de viciados em internet.  51% das pessoas que foram entrevistadas revelaram que passam mais de 12h online todos os dias. Destes, 32% tinham entre 26 e 35 anos e 21% entre 16 e 25. Os homens eram a maioria dos entrevistados 53% e 47% de mulheres, todos tidos como viciados em internet. A tendência é que estes números já tenham sido ultrapassados, mas não foram encontradas pesquisas mais recentes com estes dados.

A quantidade de tempo médio que o brasileiro fica conectado vem crescendo a cada dia, e o principal motivo são as redes sociais

 

O que é um vício?

Esses números mostram aquilo que observamos todos os dias. As pessoas estão tão conectadas e envolvidas com suas redes sociais que as relações humanas passam a ser afetadas. Quem nunca ouviu a frase, que já está bem famosa por sinal: “Sai desse whats”, ou “você não larga esse telefone”. Mas será que esse uso pode ser considerado um vício. Um vício pode ser entendido como todo o hábito repetitivo que cause dependência e prejudique a pessoa e sua relação com outras pessoas com quem convive. A religião enxerga o vício como algo algo negativo. Quase sempre relacionado a um comportamento inadequado, e que é  reprimido pela sociedade se tornando até mesmo abusivo e vergonhoso. O pastor Paulo Daniel Souza dos Santos define vício como: “Todo o procedimento continuado sobre o qual o individuo não mantém pleno controle e que lhe cause algum dano”. Já a antropóloga Margarete Mead, relaciona com a definição de vício com a de virtude e afirma, na célebre e conhecida frase: “A virtude é quando se tem a dor seguida do prazer; o vício, é quando se tem o prazer seguido da dor”.

A psicóloga Carine Schimidt revela que na psicologia comportamental, se trata muito mais a questão da dependência como causa do vício.  A dependência, segundo ela, tem como principal característica a abstinência. A psicóloga levanta o questionamento de um ponto de vista de como essa dependência está impactando no dia a dia dessa pessoa: “Se uma pessoa começa a ter crises de abstinência pela falta do uso – da internet e das redes socias -, aí sim essa pessoa precisa ser tratada. O problema em si é a crise de abstinência. Quando a pessoa está privada de fazer o uso das redes sociais, o que supostamente seria o seu vício, o que isso gera nela? Como ela se comporta? Quais as reações?”. Ela, que já tratou casos como esses, se mostra preocupada com a questão.

A professora da área da Comunicação digital da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Adriana Amaral acredita que a questão de ser vício ou não, está atrelada ao fato de esse uso prejudicar a vida do sujeito ao ponto dele optar por relações virtuais em detrimento das relações pessoais. O limite do vício, para ela,  é aquilo que esta fazendo ou não mal para a pessoa. Com base na declaração da professora, se entende que o fato de estar ou não viciado, está ligado a uma questão mais ampla da definição de vício, e o sujeito não tem como determinar por si, se está ou não viciado.

Se admite o vício ou a dependência em redes sociais ou  internet?

É difícil definir se a internet pode ser considerada um vício, mas com base nessas definições, conversei com algumas pessoas para saber se elas se consideram viciadas. Karine Matos, professora 28 anos, casada e mãe do pequeno Daniel, se diz viciada. Fala que acessa suas redes sociais em todo o momento.  “Basta o telefone apitar que eu já olho pra ver as notificações e quanto eu estou sem internet eu me sinto um pouco tensa. Principalmente o WhatsApp. Fico pensando que posso ter perdido algum recado naquele exato momento em que eu estava sem acesso” conta. A professora, ainda relata que o uso abusivo das redes sociais e da internet já prejudicou o seu sono. Ela se considera viciada, mas entende que não precisa de tratamento: “Penso que todo mundo é assim hoje em dia. Não vejo como uma questão de tratamento, mas sim de controle, de uma espécie de supervisão”, afirma.

Já Samuel Brun, 18 anos, estudante de direito relata que acessa suas redes sociais mais de cinco vezes dentro da mesma hora. O jovem, não se considera viciado em internet e menciona que: “Se eu não tenho a internet disponível  eu não entro em pânico, colapso”, diz o estudante. A empresária Viviane Cabral, 37 anos fala que usa a internet, mais para o uso das redes sociais, inclusive diz ter medo de se relacionar pessoalmente, apesar de conhecer mais pessoas fora do mundo ao vivo. Ela fala que ficou dois dias sem internet e que naquele momento “todo mundo dentro de casa resolveu conversar”, diz. Mas quando perguntada se é viciada ou dependente, ela responde de forma subjetiva. E diz se sentir mal quando deixa de fazer as coisas de casa e da empresa por ter ficado na internet, mas em nenhum momento se diz viciada.

As relações humanas, pelo que vimos até aqui, podem ser afetadas pelo uso excessivo das redes sociais, e este uso, pode causar danos ao próprio individuo, como acontece com a professora Karine Matos com quem conversamos, mas o quanto isso pode prejudicar a vida dela e das pessoas que estão ao seu redor, não pode ser dimensionado.  O que dificulta em um possível diagnóstico.

Quiz

Bom, para que você não fique na dúvida se é ou não viciado (a), em internet ou redes sociais, o Instituto Delete (http://www.institutodelete.com/testes),  criado em 2008,  defende o uso consciente da internet e trabalha na orientação da população sobre os perigos do uso abusivo das redes sociais, inclusive oferecendo tratamentos e profissionais especializados, fez um questionário para que você identifique se é ou não dependente.

Teste:

Para avaliar o seu nível de dependência, atribua à resposta a cada pergunta o valor adequado segundo a seguinte escala:

0 – não se aplica
1 – raramente
2 – ocasionalmente
3 – frequentemente
4 – quase sempre
5 – sempre

 

PERGUNTAS

1. Está conectado à Internet mais tempo do que pretendia?
2. Negligencia tarefas domésticas para passar mais tempo conectado?
3. Prefere a excitação da Internet à intimidade com o seu parceiro?
4. Estabelece novas relações com outros utilizadores na Internet?
5. As pessoas próximas de si se queixam sobre o tempo que passa ligado?
6. Os seus afazeres são alterados devido ao tempo que passa ligado?
7. Verifica o correio eletrônico antes de qualquer outra coisa que precise  fazer?
8. O seu desempenho ou produtividade no trabalho sofre devido à Internet?
9. Tem uma atitude defensiva ou de secretismo quando alguém lhe pergunta o que está a fazer na Internet?
10. Bloqueia os pensamentos perturbantes sobre a sua vida com pensamentos reconfortantes da Internet?
11. Quando desconectado, deseja voltar para a internet?
12. Tem receio de que a vida sem Internet seja aborrecida, vazia e sem alegria?
13. Refila, grita ou fica irritado (a) se alguém o (a) incomoda enquanto está na Internet?
14. Perde o sono devido a estar na Internet até muito tarde?
15. Fica preocupado com a Internet quando não está conectado ou fantasia com estar na Internet?
16. Diz a si mesmo “só mais uns minutos” quando está na Internet?
17. Tenta reduzir a quantidade de tempo que passa na Internet e não consegue?
18. Tenta esconder a quantidade de tempo que passou na Internet?
19. Escolhe passar mais tempo na Internet em detrimento de sair com outras pessoas?
20. Se sente deprimido (a), instável ou nervoso (a) quando não está  na Internet e isso desaparece quando volta a estar conectado?

 

RESULTADOS

Segue a escala geral para ajudar a medir a sua pontuação:

20-49 pontos: Você é um utilizador médio. Por vezes poderá até navegar na Internet um pouco demais, no entanto, tem controle sobre a sua utilização.

50-79 pontos: Você começa a ter problemas ocasionais ou frequentes devido ao uso da Internet. Deve considerar o impacto na sua vida por ficar conectado à Internet com frequência.

80-100 pontos: A utilização da Internet está causando problemas significativos na sua vida. Deve avaliar as consequências destes impactos e aprender a lidar com a internet de modo mais saudável e produtivo.

Obs: Alguns termos do quiz foram traduzidos para o português do Brasil

“Dieta digital” 

O escritor do livro “Digital Diet”, Daniel Sieberg, diz na apresentação do seu livro (www.thedigitaldietbook.com/&prev=search),  que:  “o ser humano passou de uma cultura que usa a tecnologia, para ser completamente absorvida por ela”. Dentro dessa perspectiva, ele propõe uma dieta, tal como é feita uma dieta nutricional. Com passos que vão se aprofundando à medida que os níveis de reconhecimento do problema, por parte do indivíduo, aumentem. Além disso, a proposta por uma dieta mais radical é aplicada de acordo com a media que essa dependência cresce. Ele propõe os seguintes passos:

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