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Unisinos Porto Alegre investe na sala de aula do futuro

Transformações na educação requerem flexibilidade e tecnologia na sala de aula

Paredes riscáveis, mobiliário com rodinhas, tecnologia e flexibilização dos formatos de trabalho. Essas são as apostas do campus de Porto Alegre da Unisinos – que recebeu os primeiros alunos no mês passado – para a sala de aula do futuro, um local marcado pela fluidez da aprendizagem.

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Foto: Mariana Blauth/Beta Redação

Internacionalmente, são discutidas as transformações necessárias à educação no cenário tecnológico. Como, de fato, é a sala de aula do futuro? “Não se trata só da mobília e da tecnologia, embora elas criem um ambiente facilitador de aprendizagem, onde há uma desconstrução do modelo convencional de sala de aula. O que torna esse espaço interessante é o conjunto de alunos e professores e suas relações”, aponta a gerente acadêmica de graduação do campus Porto Alegre, Simoni Rohden.

Baseado em ideias de universidades de vários países, o projeto do campus se desenvolveu durante cerca de cinco anos, chegando a um investimento de R$ 250 milhões. O pólo apresenta um aspecto urbano, com um prédio de oito andares, além de centro de convivência aberto ao público, espaços de orientação, teatro com capacidade para 600 pessoas e laboratórios.

Veja abaixo a galeria de fotos-legenda do campus:

Unisinos Porto Alegre

“A diversidade existe para dar conta das demandas de cada curso, são várias possibilidades para que o aluno construa sua experiência de outras formas. Queremos desenvolver ‘aulas ninja’, que tirem as pessoas da zona de conforto. A infraestrutura ajuda, mas a diferença está nos professores e alunos. A sala do futuro já é do presente”, reflete Rohden.

Para entender os novos formatos presentes na educação, a Beta Redação perguntou para duas especialistas quais são as características da sala de aula do futuro. Confira.

Cíntia Inês Boll, professora doutora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisadora em tecnologia móvel

“A escola do futuro já existe, acontece dentro e fora da sala de aula. Independente de a escola estar adaptada à tecnologia móvel, a essência da aprendizagem continua no mesmo pressuposto de que o aluno aprende aquilo que lhe interessa. Hoje, existe uma profusão de linguagens e culturas atravessando o ‘fazer-se aprender’ na contemporaneidade. Temos a possibilidade de armazenar informações na nuvem, e as pessoas têm acesso livre a textos, palestras, cursos com ou sem certificado na internet. A mochila não tem mais que ficar pesada, porque o dispositivo está na palma da mão. Cada vez mais, é possível maximizar os aplicativos nos dispositivos móveis para customizar o fazer docente. Migramos para um tempo em que nos preocupamos mais com o que fazer com a tecnologia, que está na mão de todos os sujeitos da comunidade escolar. Existe a possibilidade de oferecer linguagens, espaços de interação compostos por alunos e professores, além de espaços públicos de compartilhamento de ideias. Tudo isso para que a rede de aprendizagem se fortaleça, porque se a instituição não estiver alinhada às possibilidades, o aluno vai para outros espaços. É fundamental o aluno sentir a presença da universidade em seu cotidiano, por isso a tecnologia móvel é uma possibilidade de permanência do sujeito no ensino superior. A educação do futuro já existe, o que muitas vezes acontece é que as estruturas física e legal não acompanham o processo de mudança. Hoje, com apoio das tecnologias e dispositivos móveis integrados à docência, além da convergência das mídias, a relação com o aprender é muito porosa, aproximada das novas formas de viver na cultura digital”.

Betina von Staa, coordenadora da pesquisa CensoEaD.BR, da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), e doutora em linguística aplicada

“Hoje, o acesso ao conteúdo na rede é muito fácil. A tendência é que as instituições terão que cuidar da motivação do aluno e do direcionamento em relação às informações que ele deve buscar, porque a necessidade de aprender será muito maior. Os currículos são muito teóricos, e o mercado de trabalho tem que ensinar a prática. A tecnologia vai quebrar a função do professor em diferentes movimentos, mas ele ainda é necessário para ser um mentor que orienta a prática e a jornada de aprendizagem, que é uma demanda que aumentará muito. O papel da educação é mostrar os caminhos ao aluno. Já a demanda do estudante é por mais flexibilidade. Imagino o campus universitário mudando, não sendo frequentado somente por jovens, porque existe uma demanda constante por educação. Também vejo a necessidade de espaços de orientação individualizada, ao contrário de o professor despejar conteúdo para grupos grandes. O aluno não precisa ficar em sala de aula ouvindo o professor, mas de espaço para pequenas reuniões, e a tecnologia permite isso. Consigo imaginar espaços conectados, desde o jardim à lanchonete. No mundo ideal, as paredes e a grade de horário devem mudar muito e aproximar o presencial do ensino à distância. O futuro está, talvez, menos distante do que imaginamos. A tecnologia não substitui o professor, e sim algumas ofertas da universidade. O professor é necessário na orientação, e não na apresentação do conteúdo, embora seja preciso ter explicação, porque esse é um momento valioso para o estudante”.

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