Esporte

Unidas por amor à patinação

Esporte ainda pouco incentivado no Estado, a patinação artística sobre rodas conta com praticantes fiéis e apaixonadas

Um esporte que exige coordenação, equilíbrio e muito fôlego. Atividade apreciada mundialmente, a patinação artística sobre rodas vem ganhando pouco a pouco seu espaço no Rio Grande do Sul, com a chegada de escolas especializadas no esporte e a presença de patinadoras apaixonadas e admiradoras da atividade.

A falta de incentivo, porém, ainda é o grande desafio desse esporte. “A patinação sofre com a falta de apoio, pois ainda é considerada um esporte amador. Como as empresas não têm interesse em patrocinar esse esporte, nosso apoio e retorno vem da contribuição dos pais das atletas, além da venda de rifas e realização eventos que nós mesmos promovemos”, comenta Tatiane dos Santos Boff, 34 anos, professora da escola Patinação Corpo em Movimento.

A professora Francine Schuch Bungi, 23 anos, concorda: “assim como vários esportes no Brasil, sofremos com a falta de apoio, tanto do governo, como de patrocinadores. A patinação é um esporte caro, assim como o patins, que são trocados na medida em que as atletas crescem. Muitas das minhas alunas revendem os patins entre elas mesmo conforme o número vai aumentando, para depois investir em um patins profissional”, explica.

Outro fator problematizado por Francine é a não regularização da docência do esporte. “Não existe nenhuma lei que impeça algum praticante do esporte de dar aula, e isso faz com que pessoas não instruídas ensinem sobre a atividade sem o conhecimento necessário. Eu, como estudante de educação física, também sinto falta do ensino desse esporte na faculdade, por exemplo. A maioria das coisas aprendi na prática, pois desde cedo ficava observando e ajudava, como monitora, a minha professora. Tento aplicar tudo que aprendo durante minhas aulas” relata.

Patinadora desde os sete anos, Tatiane se apaixonou de cara pelo esporte e dele nunca abriu mão. Participou de várias competições, entre elas o Campeonato Gaúcho de Patinação, onde venceu sete vezes, e o Campeonato Brasileiro, onde foi campeã no ano de 2001. Atualmente, fundadora da escola Patinação Corpo em Movimento, conta com 320 alunas. “Deu medo de abrir meu próprio negócio. Fiquei meses negociando, pedindo uma chance para que me dessem esse espaço. Fico feliz que hoje tenho alunas apaixonadas e que, assim como eu, não abrem mão desse esporte maravilhoso”, orgulha-se.

Aos 21 anos, Larissa Barbosa é patinadora desde os dez anos. (Foto:Arquivo Pessoal)

Aos 21 anos, Larissa Barbosa é patinadora desde os dez anos. (Foto:Arquivo Pessoal)

O crescimento do esporte no Sul começou a ganhar destaque com a chegada de escolas como a de Tatiane, e graças ao pioneirismo de algumas marcas. “A região Sul, de forma geral, tem muitas escolas de patinação, assim como São Paulo, Rio e Brasília. Nos demais estados não se ouve falar tanto. A loja de patins Rye, pioneira aqui no sul e marca patrocinadora oficial dos campeonatos aqui no estado é umas das incentivadoras do esporte, assim como algumas grifes de roupas e acessórios para patinação que investem em alguns atletas ou auxiliam com material”, explica Francine.

Os benefícios da patinação

De acordo com Tatiane, a prática da patinação é benéfica não somente pela parte física, mas também pelo lado social. “É um esporte que trabalha muito bem o físico, principalmente o abdômen e as pernas. Além disso, é uma atividade onde se destaca o trabalho em grupo, a convivência e a amizade”, pontua.

Para a patinadora Larissa Barbosa, 21 anos, a prática do esporte trouxe uma melhora em muitos sentidos de sua vida. “Passei a ter mais responsabilidade, me comprometendo com treinos e horários. Mais do que isso, na patinação criamos laços, conhecemos amigos e parceiros pra vida toda”, salienta.

Larissa, que faz patinação desde os dez anos, conta que percebeu a melhora no corpo desde o início no esporte. “A patinação exige muito fôlego, mas em compensação tonifica bastante as pernas, facilitando no emagrecimento também”, ressalta.

Em comum, as três atletas destacam a paixão pelo esporte e garantem vida próspera a essa atividade. “Todas as meninas que têm contato com a patinação, amam o que fazem e não abrem mão do esporte. Eu amo ensinar, poder compartilhar com elas minhas sensações e experiências e principalmente, poder vibrar com as conquistas e vitórias”, completa a professora Tatiane.

Francine Fernandes é professora de patinação na escola Corpo em Movimento, em Porto Alegre. (Foto:Arquivo Pessoal)

Francine Fernandes é professora de patinação na escola Corpo em Movimento, em Porto Alegre. (Foto:Arquivo Pessoal)

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